O capitalismo e a Praia do Pecado

*Por PSOL Serramar RJ

Abraço à restinga da Praia do Pecado

No dia 30 de Janeiro aconteceu na restinga da Praia do Pecado um ato de manifestação pública em defesa da preservação daquele espaço. Uma luta que teve início em 1997 e que já passou por diversos enfrentamentos com os interesses contrários à preservação. Teve até formação de parede humana para impedir a entrada de tratores, um enfrentamento quase físico.

Mas o que são esses interesses contrários? Lá no ato falou-se em especulação imobiliária, que bicho é esse?

O conflito de interesses é sobre o que fazer com aquele pedaço de Macaé. Uns querem que seja preservado por sua beleza ou pela sua funcionalidade na natureza.  Ou simplesmente para que os filhos e netos possam desfrutar daqueles encantos como nós hoje o fazemos. A outra ponta do conflito o interesse é único: lucros, superlucros. Nada significa o impacto ambiental. O pensamento é em quantas vezes o capital inicial será multiplicado. Só isso importa!

Já pensaram em quantos prédios caberiam, quantos andares, quantos apartamentos por andar? E quanto custaria morar nesse “novíssimo empreendimento imobiliário”. Percebem, são interesses impossíveis de conciliar: ou lucra e não preserva ou não lucra e preserva.

E estes interessados quem são? As grandes construtoras que estão realizando novíssimos empreendimentos imobiliários por toda a região e sem preocupação com o meio ambiente. MRV, Camargo Correa, Alphaville, Carioca Engenharia, Odebrecht, entre outras. Um detalhe importante a ser lembrado, as grandes empreiteiras foram responsáveis, segundo a Transparência Brasil, por cerca de 70% do financiamento das campanhas eleitorais por todo o Brasil (muito preocupadas com a política as empreiteiras…). Pausa: será que os representantes eleitos oriundos de nossa região receberam dinheiro de alguma empreiteira?

Agora voltemos ao ato. Foi bonito de ver as pessoas dando as mãos em prol da preservação. A energia que fluiu ali é única e chega a comover. É a potência para novas iniciativas. É a sociedade civil manifestando sua vontade, tornando pública a defesa da restinga.

Essa sociedade é formada por sujeitos individuais e coletivos. Os indivíduos isolados são o primeiro grupo e no segundo estão os agrupamentos, associações e organizações de indivíduos unidos por objetivos e ideologias em comum. Dentre estes estão as ONG’s como a SOS Praia do Pecado, mas também estão os partidos políticos.

Os partidos são associações que giram em torno dos interesses gerais da sociedade, da política como um todo (saúde, educação, transporte, habitação, meio ambiente etc.).  Na sua maioria os partidos têm um programa/plano de organização da sociedade, a gestão da política pública. Já ONG’s são grupos formados por interesses específicos, geralmente associados a alguma política pública como saúde, educação e, em nosso caso, a questão ambiental.

Olhando por este prisma, aparece uma contradição: se quanto mais sujeitos somados à luta, mais forte e com maiores chances de vitória ela se torna. Por que a rejeição a participação de um grupo organizado, no caso o PSOL.

A crítica aqui deve ser feita aos outros partidos que não se somam aos movimentos organizados. Os partidos devem mobilizar a sociedade e se mobilizar na defesa de seus pontos programáticos. Os partidos têm um papel de politizar a sociedade estimulando ao cidadão participar da vida pública. Mas o que vemos é exatamente o contrário. Os partidos se escondem, alguns têm vergonha de ir às ruas e outros, que só se movem com militância paga, guardam dinheiro para “alugar” militantes nas eleições.

Os partidos que funcionam assim apenas reforçam a imagem suja da política enxergada pela população. Essa é a estratégia deles: “despolitizar a política”, pois com a população desinteressada em participar plenamente da sociedade fica mais fácil eles se perpetuarem no poder. PMDB, PSDB, PP, PT, PMN, PR, PV, DEM, PSB e muitos outros que tentam esvaziar ações políticas, como o ato do Abraço na Praia do Pecado. Quando não conseguem tentam tirar o caráter político destas ações.

A sociedade é permeada de conflitos, interesses antagônicos, como o nosso caso da preservação X lucro. A política é a ciência prática que faz a mediação desses interesses e também o andamento da sociedade. No contexto da ciência política aplicada a vida cotidiana os partidos também expressam esses conflitos, alguns vão defender a preservação e outros o lucro.

Foi dito no abraço que só falta um pagamento por parte da prefeitura para se concluir o processo de desapropriação da restinga. Cobrar isso publicamente é importante, mas reunir um número significativo de pessoas para fazer essa cobrança junto ao ato simbólico de abraçar a praia em sua defesa é fazer política. É fazer política “strictu sensu”. Pois achar que “fazer política” se resume aos três meses de campanha eleitoral de dois em dois anos é, no mínimo, ingenuidade.

Dessa forma nós do PSOL reafirmamos nosso compromisso com as lutas dos oprimidos, com a causa ambiental e pela transformação da sociedade. Torná-la justa! Não vamos ficar repetindo que somos diferentes. Estaremos em todos os espaços de luta por alguma política pública, temos orgulho de ser um partido militante. A vida em sociedade e as reivindicações humanas fazem parte de nosso cotidiano, não resumimos nossa atividade só nas campanhas eleitorais. Talvez por isso nós não tenhamos a necessidade de contratar militantes. Nós estamos na luta por um ideal, não recebemos um real!

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