Depois da farsa, o PSOL exige segurança pública de verdade

Farsa na Segurança: Pirotecnica, corrupção e crime organizado dentro do Estado.

Nada resta mais de pé da vitória cenográfica criada, no fim do ano passado, pelo governo Cabral, para tentar convencer a população do Rio de Janeiro de que tudo andava sob controle na segurança pública estadual. Está provado agora o enorme exagero do tratamento midiático dispensado à Operação do Alemão — realizada em novembro numa pronta resposta a ataques pulverizados a veículos por toda a cidade. Para além da recuperação territorial, essa operação representou menos sucesso operacional do que os escândalos em torno dos seus bastidores, agora revelados pela Operação Guilhotina. Eis um quadro de crise que não surpreende o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

O partido foi o único cuja voz parlamentar ousou romper, durante a megaoperação do Alemão, o discurso dominante. O PSOL alertou então a sociedade sobre o claro uso político oportunista que o governo fazia naquele momento dos episódios de violência. Acusou também a ineficácia de uma proposta de enfrentamento da violência pautada exclusivamente no combate ao varejo do crime, sem uma política de controle efetivo das rotas de chegada das armas e drogas no estado.

Eis que agora surgiram os claros indícios do que ocorria de fato nos bastidores da Operação do Alemão enquanto a mídia reduzia a questão da segurança a um bangue-bangue entre mocinhos e bandidos num complexo de favelas da Zona Norte. Longe das câmeras, uma quadrilha formada por policiais militares e civis facilitava a fuga de traficantes e promovia um garimpo minucioso das armas, drogas e dinheiro deixados para trás, deixando um rastro de abusos, como denúncias de moradores das favelas sobre casos de tortura, espancamento e morte, além de saques a residências.

Rio: o combate ao crime que gera mais crime, exploração e desigualdade.

Foi preciso envolver a Polícia Federal na investigação que, não só trouxe agora à tona toda essa realidade, como ainda provou que esse “garimpo” não representou fato isolado, mas, sim, prática recorrente de máfia formada por autoridades policiais para atuar no tráfico de armas no atendimento de uma clientela bastante diversificada, de traficantes de drogas a milicianos.

Sobram agora as evidências de que houve uma apropriação criminosa da máquina pública estadual por essa máfia com participação de mais de uma dezena de policiais. Gravações e testemunhas da Operação Guilhotina, da PF, apontam para o envolvimento no esquema, inclusive, do chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, que acaba de perder o cargo nessas circunstâncias.

Não pela primeira vez e nem há tanto tempo assim, um chefe de Polícia Civil é flagrado no comando desse tipo de máfia. No governo dos Garotinho, o delegado Álvaro Lins também perdeu o cargo em meio a acusações de formação de quadrilha com envolvimento na contravenção, na máfia dos caça-níqueis, entre outros crimes hoje apurados na esfera da Justiça. Na sequência, como resultado de um pedido parlamentar do PSOL, Lins também teve cassado, em 2008, o seu mandato de deputado estadual.

Para o PSOL — que denuncia a fragilidade das corregedorias estaduais como origem da necessidade da intervenção da PF numa investigação como essa — a Operação Guilhotina não acabou. Há muito a ser investigado no Rio de Janeiro diante dos indícios de que as raízes dessa máfia sejam ainda mais profundas e mais abrangentes, com ramificações por dentro do poder público para além do campo da segurança pública.

Turnowski, Lins e Oliveira: corrupção na alta cúpula da Polícia do Rio

O partido exige o aprofundamento das investigações. E, por meio da sua atuação parlamentar, mais uma vez está pronto para contribuir no avanço da luta para desmascarar as forças mafiosas que se alimentam das entranhas do Estado. Ainda antes da explosão da Operação Guilhotina, o mandato Marcelo Freixo acaba de conquistar a instalação da CPI das Armas, para investigar o negócio das armas operado no estado por máfias milicianas, do tráfico de drogas , da contravenção, entre outras.

E o PSOL já mostrou que é possível promover avanços significativos na luta por outra segurança pública quando, em sua atuação parlamentar, assumiu o desafio da condução da CPI das Milícias, presidida por Freixo. Só a partir da CPI, o governo mudou o discurso em relação às milícias, antes entendidas, mesmo pelo poder oficial, como “mal necessário”. Pena que só parte das 58 propostas de ação contra as milícias, apresentadas no relatório final da Comissão, tenha sido concretizada até agora.

O PSOL vai acompanhar de perto e cobrar das autoridades lisura e resultados em cada passo do aprofundamento das investigações, assim como no cumprimento das promessas de fortalecimento de corregedorias e da Academia de Polícia. Que o Estado identifique e destrua cada elo concreto das relações crime-polícia-política, esse tripé pernicioso que sustenta o crime organizado, a violência e miséria no Rio de Janeiro.

Que o Estado construa uma segurança pública voltada para a valorização e proteção da vida, não para a eleição de inimigos “número um” entre os nascidos nas camadas sociais mais vulneráveis.  Que sejam desmascaradas de uma vez por todas quais as verdadeiras “fábricas de marginais” da nossa sociedade. Que o Estado aprenda, enfim, que segurança pública não é problema só de polícia, nem será resolvida com armas, mas com ampla garantia dos direitos universais de todo ser humano: educação, saúde, habitação, trabalho e lazer. Chega de farsas político-midiáticas.


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