Arquivo do dia: 5 05UTC julho 05UTC 2011

Cabral em Crise: trabalhadores e trabalhadoras nas ruas!

Por Jane Barros

O Rio de Janeiro, nos últimos meses, tem sido palco de intensas mobilizações e lutas sociais. Os bombeiros, depois os profissionais da educação, os trabalhadores da saúde, funcionários de Universidades Federais, trabalhadores da FAETEC, são alguns exemplos das categorias que se colocaram nas ruas em luta por melhores condições de trabalho e de vida.

Em meio as manifestações, ocupações e greves, os trabalhadores se esbarram frente a política truculenta, violenta e inflexível do Governador Sergio Cabral do PMDB, base do governo Dilma. Vale lembrar que Sergio Cabral foi eleito logo no primeiro turno com mais 60% dos votos. Essa expressiva votação se deu centralmente pelo apoio massivo do Lula ao PMDB e Sergio Cabral, sendo este partido a principal base de sustentação do Governo Dilma, depois do PT.

Sergio Cabral acumulou uma serie de eventos que o tornou impopular com os cariocas. Quem não se lembra a celebre acusação de que as mulheres negras faveladas são fabricas de marginais, das inúmeras remoções sem garantias de uma política habitacional, para não falar das relações escusas com o empresariado. As UPP’s como promessa de pacificação dos morros, não funcionou e já mostrou isso de diversas maneiras. Uma delas é a denuncia de que esta pacificação não resultou em uma intervenção social, educacional, de assistência a saúde, dentre outras consideradas essências para a vida. Outra forte denúncia é de que houve apenas um deslocamento do crime organizado, para a Baixada e interior. Tanto é verdade que fomos palco de um dos maiores conflitos dos últimos tempos, quando as facções criminosas se uniram contra a implementação das UPP’s em pontos estratégicos de venda: Zona Sul e Centro. Ou seja, Sergio Cabral fruto do fenômeno do Lulismo e consequência dos 80% de aprovação do final do seu mandato. Como costumamos falar Lula elegeu até “postes” tamanha a sua aceitação e popularidade.

Pois bem, o discurso do Governo frente às últimas lutas e manifestações das categorias em greve é de que não há dinheiro para aumentar os salários. Salário este que no caso dos bombeiros, não passa muito de mil reais, dos professores um salário base de 610 reais, dos funcionários da educação algo em torno de 430,00 reais, isso depois de um ano em que o Estado aumentou a arrecadação e, portanto sua receita, em 26%. Segundo dados do DIEESE, o Estado do RJ é um dos que pior paga aos seus servidores. Ainda que o governo estadual aumentasse a folha de pagamento em 80% dos seus funcionários estaria dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, que sabemos o quanto é limitada com os gastos sociais.

Mesmo diante de tamanha precarização das condições de vida dos servidores estaduais que há anos estão sem reajustes, o Governo Sergio Cabral se recusou a qualquer tipo de negociação. No dia 7 de julho, uma das maiores categorias organizada no Estado do Rio votou, em assembleia com mais de 3 mil pessoas, greve dos profissionais de educação. Continuar lendo