Rio das Ostras: um caldeirão de lutas em ebulição

Por Luciano Barboza

Rio das Ostras teve o maior crescimento populacional do Estado do Rio de Janeiro. O crescimento da população riostrense no período entre 2000 e 2010 foi de 190,4%, segundo o Censo do IBGE. No mesmo período 95% da população riostrense vive na área urbana. Mas, isso significa qualidade de vida real?

Quando um novo morador começa a viver em Rio das Ostras, a primeira coisa que fica evidente, é que a cidade vive uma falsa polarização entre o atual prefeito Carlos Augusto (PMDB) e Sabino (PSC), pois os dois são iguais em projetos para a cidade. Na realidade, ambos disputam a cidade através da troca de favores, ou seja, na cidade impera o clientelismo político. Assim, os empregos sem concurso da prefeitura da cidade não são distribuídos pela qualificação de seus postulantes ao cargo, mas são decididos através da compra de um futuro cabo eleitoral, que ganhou um emprego de um dos dois candidatos a prefeito.

Precisamos compreender que a cidade esta em mutação, os novos moradores não assumem um desses dois lados para si. O coronelismo e o assédio moral praticado em todos os órgãos da prefeitura, não causarão mais medo na população como quando a população somava 20 mil pessoas. Os prefeitos não poderão garantir empregos e benefícios a todos os atuais 105 mil moradores, sendo assim a opção real para os trabalhadores para conseguir seus direitos será a constante mobilização política através de atos e greves, pois historicamente as vitórias da classe trabalhadora só vieram após duros conflitos políticos.

Isto já está ocorrendo, seguindo o exemplo dos bombeiros do Estado do Rio de Janeiro que fizeram uma greve vitoriosa, várias lutas vem acontecendo em Rio das Ostras. Como a construção do maior ato de rua nos últimos anos, construído pelos professores e alunos do Polo Universitário de Rio das Ostras-UFF, no dia 25 de maio, com cerca de 350 pessoas que fecharam por 1 hora a maior avenida da cidade. Os alunos reivindicavam não estudar em containers, exigiam mais salas de aula e alojamento estudantil, e os professores melhores condições de trabalho.

Onda de lutas

Esse evento não foi isolado, pois durante a greve dos profissionais da educação da rede estadual cerca de 60% da categoria na cidade parou. Participaram das assembleias no Rio e mobilizaram na própria cidade, por um reajuste salarial de 26%. Conseguiram 5%, o que foi uma vitória se pensarmos a mobilização e a experiência de luta que ela causou na classe trabalhadora local. Seguindo esses exemplos os funcionários municipais fizeram um ato, no dia 12 de agosto, reivindicando melhores condições de trabalho e aumento salarial, que contou com 50 pessoas.

A luta não parou por aí. Os estudantes e professores fizeram um novo ato no dia 25 de agosto, em memória da morte da estudante Maria Clemilda, que foi atropelada ao tentar chegar à universidade, na Avenida Amaral Peixoto, por descaso do governo: o sinal estava desligado. As 200 pessoas indignadas presentes no ato, que foi organizado de um dia para o outro, exigiam respostas ao caos do trânsito e ao caos da universidade, que não tem as condições necessárias para um ensino de qualidade.

Grito dos excluídos

Nesse sentido a construção coletiva, entre os movimentos sociais e sindicatos de um desfile de camisas pretas, após o desfile das escolas municipais no dia 7 de setembro, será fundamental para unir as diferentes lutas na cidade. Esse desfile será o nosso Grito dos Excluídos.

Também, haverá um ato no dia 27 de setembro feito pelos profissionais da educação municipal, que exigirá o fim do coronelismo nas escolas. Queremos discutir o plano de carreiras dos servidores, que atualmente não tem nenhum representante sindical na comissão de educação que esta fazendo o plano (às escondidas). Queremos eleger nossos diretores de escolas democraticamente, pois hoje os diretores são indicados pelo prefeito. Queremos reajuste salarial de 40% em cima do vencimento, e não um “cale a boca” casado com um plano de carreira subjetivo em suas avaliações profissionais, que colocará a vida dos servidores nas mãos dos seus superiores. O que os servidores municipais querem é uma avaliação justa e imparcial, que garanta um bom atendimento público para a população.

Luciano Barboza é professor de História em Rio das Ostras .

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