Agrotóxicos: alimento do Capital.

Por Marcos Mendes

Fiquei chocado com o pronunciamento da parceira nº 1 do comunista Aldo Rebelo, do PCdoB, na proposta do Novo, e devastador, Código Florestal. Já fiz vários cursos de agroecologia e permacultura e isso que ela falou é o maior absurdo científico que já ouvi, não tem nenhum embasamento senão a visão capitalista da ruralista líder do agronegócio no nosso país.

Para se entender melhor essa lógica de forma simplória, porém muito bem explicada no livro “Agricultura Ecológica e a Máfia dos Agrotóxicos no Brasil”, escrito por Sebastião Pinheiro, Nasser Youssef e Dioclécio Luz, após a segunda guerra não se tinha o que fazer com as sobras dos venenos alimentadores da indústria bélica então, numa conversa entre dois capitalistas, um perguntou ao outro: “- O que fazemos agora com toda essa sobra de veneno?”; Aí o outro respondeu: “- vamos utilizar como agrotóxicos para matar as pragas nas lavouras!”; então o outro retrucou: “- mas rapaz, os alimentos então serão envenenados e as pessoas, ao comerem, se intoxicarão e morrerão!”; e o outro finalizou: “- besteira moço ganharemos de dois lados, com a produção dos agrotóxicos e com a indústria farmacêutica na produção de medicamentos para tratar dessas pessoas intoxicadas”. Essa é, sempre foi e sempre será a lógica do capitalismo!

Para se ter uma idéia as multinacionais que produzem os transgênicos com o viés de que eles diminuem a utilização de agrotóxicos na agricultura, por serem mais resistentes, uma pesquisa feita pela Universidade de Harvard sobre os transgênicos nos EUA, constatou que depois de 10 anos a utilização de agrotóxicos triplicou e, até mesmo, quadruplicou devido à alta resistência desenvolvida pelas pragas ao longo dos anos. Coincidentemente essas multinacionais, a exemplo da Monsanto, Bayer, Basf, Dupont, Syngeta, Nufarm e Dow, produzem as sementes transgênicas estéreis (não geram novas sementes, para que o produtor crie dependência); produzem os agrotóxicos e ainda são donos das indústrias farmacêuticas! Quer mais ou já tá bom?!

Desde 2009 o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do planeta, já passou os EUA, de acordo com dados oficiais do governo, mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras. Esses agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos, das chuvas e dos aqüíferos conhecidos como lençóis freáticos) que bebemos!

De acordo com dados da UFRGS, cada brasileiro consome 5,2 litros de venenos por ano sem saber.

Os agrotóxicos causam uma série de doenças muito sérias, que atacam os trabalhadores e comunidades rurais, além de toda a população que consome alimentos com substâncias tóxicas. Entre as doenças causadas destacamos problemas neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarréia, vômitos, desmaio, dor de cabeça, problemas reprodutivos e contaminação do leite materno.

Somente numa sociedade onde o lucro está acima da vida das pessoas justifica-se a utilização de agrotóxicos.

Marcos Mendes é ambientalista e militante do PSOL.

Baixe o filme O Veneno Está na Mesa, de Silvio Tendler, aqui.

Veja como a verdade por detrás dos agrotóxicos incomoda os ruralistas e como eles fazem de tudo prá dissimular aqui.

 

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