Arquivo do mês: dezembro 2011

PAC, Copa, Foxconn e cia: a chinalização e o PRONATEC

Por Júlio Miragaia
Vamos acompanhar uma linha do tempo: Obama vem ao Brasil em março e declara que “chegou a hora de tratar o Brasil como a Índia e a China”. Entre as inúmeras declarações do presidente ianque essa intriga. Afinal, tem sido cada vez mais notório que nesses países se instalam as relações trabalhistas das mais precarizadas no mundo. Bom exemplo disso é o suicídio de 14 operários da Foxconn, ano passado na China.
Falando em China, e falando em Foxconn, a presidente Dilma Roussef esteve  visitando a ditadura capitalista chinesa. A agenda da chefe do Estado brasileiro rendeu o anúncio da mesma Foxconn e de outras empresas em investimentos no Brasil. Desta primeira, de cerca de R$ 12 bilhões e a criação de filiais. Continuar lendo

A crônica da tragédia anunciada

Por Gerardo Santiago

Há tragédias que surpreendem e outras que, quando acontecem, apenas confirmam algo que já era esperado. As catástrofes naturais, como tsunamis e terremotos, estão no primeiro grupo. A morte violenta do adolescente Abraão Maximiliano, 14 anos, morador da favela do Caracol, no Complexo da Penha, na noite de 26/12/2011, se insere no segundo.

Ele foi morto por tropas da “Força de Pacificação” do Exército Brasileiro, perto do local onde residia. Um coronel que desempenha a função de porta-voz das forças militares afirmou pela TV que o jovem estava armado e que teria disparado contra os militares que, ao responder ao fogo, o mataram, isto depois de disparar alguns “tiros de advertência”. No entanto, não foi apreendida nenhuma arma com o adolescente morto. Curioso caso esse em que uma arma simplesmente evapora. Testemunhas da ação desmentem a versão oficial e negam que Abraão estivesse armado ou que mantivesse qualquer vínculo com a quadrilha de traficantes que controla o tráfico de drogas na área, o chamado “Comando Vermelho”.  Continuar lendo

Mudando, para mudar o mundo.

Por Chico Alencar 
“Um ano novo melhor? Desconfio que o ano é que está esperando que nós sejamos melhores!”, questionava a esperta menina Mafalda – criação do argentino Quino, um espécie de Messi dos quadrinhos. É isso: o calendário, engenhosa invenção humana para contagem do tempo, pode nos servir para um balanço do já vivido e para traçarmos metas de superação. Para crescermos como gente e, com isso, melhorar o mundo, que anda bem precisado.
O tempo da História não é igual ao nosso, individual. Dona História, senhora elegante e distante, é mestra de alunos desatentos, quando não cabuladores de suas aulas. Pouco aprendemos com ela. Se nem sempre nos interessamos em interferir nos seus caminhos, que ao menos consigamos nos transformar no plano pessoal. E sermos mais inteiros, isto é, mais íntegros.
Traço metas para 2012, inspirado pelos tropeços e pelo que aprendi com pessoas iluminadas que Deus colocou na minha vida. Compartilho com você, também para que você me ajude a cumpri-las, assumindo as que julgar adequadas à sua estrada.
Quero caminhar com calma bovina e leveza de garça, para ficar imune à doença do século, a ansiedade.  Ter determinação de onça na caça e a cristalina serenidade do riacho onde ela vai beber água. Ser como a flor do campo, que nada inveja, a quem bastam sol e chuva. Saber-me, sempre e mais, pedra, árvore, húmus, rio: não ter nada a perder. Cuidar de ser saudável, fraternizando-me com tudo o que tem patas, asas e raízes, com espírito e matéria em perfeita comunhão. Aprender com todos os seres vivos, que não ‘malham’ o corpo para a vaidade, mas fazem do esforço pela sobrevivência o exercício decidido de cada dia, sem carecer de antidepressivos ou acumular preocupações e gorduras. Resistir ao consumismo que consome: fazer do necessário o suficiente, e viver mais simplesmente, para que simplesmente todos possam viver.
 E, claro, agregar a essa busca de nossas origens rasteiras e cósmicas, de formigas e estrelas, o que nos distingue como humanos: a ternura, a solidariedade e a arte. É isso que faz de nós a melhor parte.
Pés no chão, descalços de preconceitos e maledicências, conseguiremos olhar com franqueza nos olhos dos outros, restabelecendo a comunicação presencial. Só ela, vital, pode nos fazer dispensar por bom tempo a telinha obsessiva do celular, com a qual cada vez mais gente preenche mentirosa e freneticamente o vazio da existência. Para onde vou, para onde vamos? Para o imprescindível território da utopia, para o porto onde atracam nossos sonhos de uma sociedade diferente, igualitária, ecologicamente equilibrada e plural. Para a área que nenhuma tecnologia da moderníssima comunicação alcança, onde é possível conectar-se com o Todo Poderoso Amor.
Chico Alencar é professor de História, deputado federal (PSOL/RJ).