Partido semelhante ao PSOL é destaque na eleição grega

Povo grego rechaça nas urnas políticas neoliberais.

A imprensa internacional fala em reviravolta na Europa e, olhando para a Grécia, não é para menos. O resultado das eleições gregas representa um autêntico terremoto político: os dois partidos da troika (Nova Democracia e PASOK) sofreram uma queda acentuada em relação as eleições de 2009, com os “socialistas” baixando 30% (2.182.019 votos a menos) e os conservadores 14% (1.107.670 votos a menos). Com 99% dos votos contados, os resultados mostram que os partidos da austeridade não conseguiram a maioria, tendo obtido 32,05%, conseguindo 149 dos 300 deputados do Parlamento (a desproporção entre a porcentagem e o número de deputados explica-se por um “bônus” que dá 50 deputados extra ao partido vencedor).

A queda estrondosa da Nova Democracia e PASOK, que nas últimas eleições legislativas de 2009 tinha obtido 77% dos votos, foi contrabalançada subida do Syriza, coligação da esquerda radical. A coligação Syriza, que se opõe ao memorando da troika, confirma-se como a segunda força política grega e a primeira da esquerda, tendo quadruplicado o número de votos desde a última eleição, conseguindo 740.684 votos a mais e totalizando 52 lugares no Parlamento.

“Os gregos querem cancelar o memorando da barbárie”

Alexis Tsipras, o líder da coligação Syriza, afirmou que o resultado de domingo mostra que os gregos e os europeus querem “cancelar o memorando da barbárie” a que toda a troika tem sujeitado o seu país nos últimos anos. Na sua declaração aos apoiadores, Tsipras propôs a formação de um governo de esquerda e disse que esta eleição é “uma mensagem de derrube” do governo da troika.

“A nossa proposta é a de um governo de esquerda que, com o apoio do povo irá recusar o memorando e pôr fim ao rumo pré-determinado do país para a miséria”, afirmou Tsipras, que disse estar certo que a subida meteórica do Syriza não se deve a uma pessoa ou a um partido em especial, mas a esta proposta que apresentou na campanha eleitoral. A coligação parceira do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu e no Partido da Esquerda Européia – do qual Tsipras é vice-presidente – venceu as eleições em onze círculos eleitorais, incluindo a capital Atenas.

O líder do PASOK falou antes que Tsipras e reagiu a derrota histórica dizendo que o procurará formar um governo com os partidos que apoiam o memorando. Evangelos Venizelos disse estar certo que os resultados deste domingo “excluem o velho sistema dos dois partidos no governo”. Mais de dois terços dos deputados do PASOK não renovaram seu mandato, incluindo alguns dos principais quadros, que foram punidos por um eleitorado furioso pelo papel do partido ao subjugar a Grécia ao programa da UE e do FMI. Os que ficaram de fora do Parlamento incluem o atual presidente do Parlamento Philippos Petsalnikos, o ex-ministro do interior Yiannis Ragousis, o ex-ministro da cultura Pavlos Geroulanos, a ex-ministra do desenvolvimento Anna Diamantopoulou, o ex-ministro da justiça Miltiadis Papaioannou, o ex-ministro das finanças Yiorgos Papaconstantinou, o ex-ministro dos transportes Dimitris Reppas e o ex-ministro do trabalho Yiorgos Koutroumanis, que comandou a total desregulamentação das relações de trabalho e a abolição, na essência, das negociações de contratos coletivos.

Antonis Samaras, líder do partido mais votado, reagiu aos resultados conhecidos com duas condições para dar início à formação do governo: a manutenção do Euro e a mudança das políticas do memorando da troika para ter “crescimento e dar alívio a sociedade grega”.

Novo Parlamento Grego com bom crescimento da esquerda, mas também crescimento da extrema direita neonazista.

Em comunicado, o KKE (Partido Comunista Grego) já veio rejeitar a proposta do Syriza, classificando esta força de social-democrata e acusando-a de servir para impedir a radicalização da sociedade grega. Para a secretária-geral Aleka Papariga, o resultado do partido (que teve um ganho eleitoral marginal de apenas 16.650 votos em relação a 2009) não foi uma surpresa, mas a distribuição dos votos indica que o KKE não conseguiu mobilizar o sentimento anti-troika do povo grego nesta eleição, nem mesmo nos tradicionais bastiões eleitorais comunistas, perdendo voto nas zonas urbanas, onde disputa deputados com os neonazistas. O surgimento com força da Aurora Dourada (partido neonazista) – sobretudo no voto urbano e em bairros populares – veio abalar a política grega.

Os resultados eleitorais – numa altura em que estão contados 99,8% dos votos – dão 18,85% para a Nova Democracia (108 lugares no Parlamento), 16,78% para o Syriza (52 lugares), 13,18% para o PASOK (41 lugares), 10,6% para os Gregos Independentes (33 lugares), 8,48% para o KKE (26 lugares), 6,97% a Aurora Dourada (21 lugares) e 6,1% para a Esquerda Democrática (19 lugares). Os Verdes obtiveram 2,93%, não elegendo ninguém. Outro partido de extrema-direita, o LAOS, que participou do atual governo e depois rompeu, também não elegeu deputados, tendo obtido 2,9%. A abstenção foi de 34,91%. A Nova Democracia venceu em 38 círculos eleitorais e o Syriza em 13, mas a coligação de esquerda ganhou nos mais populosos, incluindo todos os que elegem mais de dez deputados. O PASOK ganhou as eleições em 4 círculos e o KKE saiu vencedor em apenas 1.

Resultados na Grécia dão um “sinal importante que o povo grego dá a Europa”

“Já parabenizamos o dirigente e candidato da coligação de esquerda, com quem temos excelentes relações e com quem temos feito um caminho conjunto no sentido de combater esta Europa de austeridade”. informou Marisa Matias, eurodeputada pelo Bloco de Esquerda, de Portugal.

A eurodeputada considera que, com estes resultados, o povo grego “rejeitou a deriva neoliberal de austeridade”. “O que é muito importante porque é um sinal claro de que o povo grego está aberto a que outras propostas surjam, que não sejam sempre neste mesmo caminho”, disse, sublinhando ainda que “rejeitou uma outra, de rejeitar o projeto europeu, porque a Europa pode ser outra coisa”.

Para Marisa Matias, porque “nunca colocaram a hipótese da saída do Euro, nem da União Européia, mas antes lutaram por um projeto europeu que seja mais solidário e mais consistente”, os gregos dão “um sinal muito importante, seja para Europa, seja para Portugal”, que está “numa situação muito semelhante à da Grécia”.

Fonte: Esquerda.net

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