“O crime organizado está dentro do Estado”

Deputado Marcelo Freixo falou sobre o poder das milícias, no Roda Viva

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) foi o centro do Roda Viva de segunda-feira (14/5). Ele falou sobre o combate às milícias fluminenses. Segundo o deputado, as UPP’s não enfraqueceram as milícias. “O Brasil tem historicamente uma polícia para ser violenta e manter a ordem. Isso gerou um controle de território. A polícia sempre fez o serviço sujo da política, nas áreas mais pobres”. Transportes, distribuição de gás, e mais inúmeros serviços básicos nas comunidades são as milícias que controlam nas favelas, é o que afirma.

Em 2008, ele presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Ele relata receber constantes ameaças de grupos criminosos. Até agora foram 38.

Na última semana, entrou com pedido de abertura de CPI para investigar os contratos da empreiteira Delta com o governo estadual. Dirigentes da empresa são suspeitos de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Eu sofro ameaça desde 2008, desde que a CPI começou. Enfrentar a máfia tem as suas conseqüências. Após a morte da juíza Patrícia Acioli, eu recebi sete ameaças detalhadas, com preço da minha morte. Tinham nomes ali. A morte de Patrícia foi um recado para calar o poder Judiciário”.

Para o deputado, as milícias controlam muito mais o país do que o tráfico. “Eu concordo que o trafico internacional é organizado, mas não tem 10% de organização que as milícias possuem. A milícia tem projeto de poder, porque seus representantes se candidatam para domínio de território”.

Freixo revela que agiotagem é uma prática muito comum na milícia e que elas são as bases de governo. “Eu não tenho dúvida que nesse ano que tem eleição no Rio de Janeiro para vereador, a milícia vai voltar a se eleger. A milícia não presta serviço ao comerciante, pelo contrário, o comerciante tem que pagar para trabalhar. Eles invertem o sistema. O crime organizado está dentro do Estado”.

O parlamentar considera o Estado o principal violador dos Direitos Humanos. “A população não é consultada para nada no Rio. Temos o exemplo do metrô. Eles estão fazendo a linha 4 que é um escândalo. O que eles vão fazer é prolongar essa linha. E isso só para não precisar fazer licitação e beneficiar a empresa”.

É a favor da descriminalização e acredita em um debate social sobre o melhor a fazer. “É importante de o país se pensar, porque a repressão fracassou”.

O candidato a prefeito do Rio de Janeiro nas próximas eleições acredita que é importante ter artista o Caetano Veloso, Padilha, a Dira Paes na campanha, mas também pretende ter apoio da sociedade civil. “Para ganhar essa eleição, tem que haver um nível de mobilização da sociedade muito grande. Além disso, pode ter uma relação mais profunda com as organizações sociais. É isso que chamamos de aliança com a sociedade civil”.

Apresentado pelo jornalista Mario Sergio Conti, o Roda Viva contou, para esta edição, com os seguintes entrevistadores convidados: Marcelo Beraba (diretor da sucursal do Rio de Janeiro do jornal O Estado de S.Paulo), Luciano Suassuna (diretor de jornalismo do portal IG), Plínio Fraga (jornalista), Fernando Canzian (repórter especial do jornal Folha de S.Paulo) e Cristian Klein (repórter sênior de política do jornal Valor Econômico).

Fonte: TV Cultura

Uma resposta para ““O crime organizado está dentro do Estado”

  1. impressão minha ou a bancada de jornalistas do roda viva está como a da globo?

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