Grito dos Excluídos 2012: A história se repete!

Por Jonathan Mendonça

Grito dos Excluídos 2012

 

Cordão de isolamento feito pela Guarda Municipal a mando da prefeitura!

Quem lembra do Grito dos Excluídos 2011 recorda de cenas como o cordão de isolamento feito pelos Guardas Municipais para impedir a manifestação; lembra de a população haver apoiado o movimento; lembra de ter sido muito bonito ver as pessoas todas se manifestando; e lembra principalmente de o Prefeito ter fugido e se negado a dialogar com a população.
Pois bem, quem foi no Grito dos Excluídos 2012 pode ver exatamente um replay do que houve no ano passado (por parte da postura autoritária e antidemocrática do Governo). Ocorre que é prática comum deste governo querer calar aqueles que pensam diferente!
Mas, como no ano passado, os manifestantes resistiram ao Sol queimando desde as 8h (horário em que começamos a concentração) e resistiram à tentativa da prefeitura de isolar o ato. Resistimos porque o nosso objetivo é muito maior que o cordão de isolamento feito por aqueles guardas.

Pelo menos duas centenas de pessoas vieram protestar desta vez. As demandas eram muitas. A começar pelo caos da Saúde, no qual, para se marcar uma consulta num posto, os moradores têm de acordar às 2h da manhã. Também o Pronto Socorro, local de filas intermináveis e falta de médicos era pauta do ato.

O transporte da cidade, caos total, não podia estar de fora. Os poderosos não podem medir o que significa perder tanto tempo de vida engarrafado na Amaral Peixoto. Muitos estudantes também protestaram pelo fato de não lhe ser assegurado devidamente o direito ao passe-livre.
Estudantes e professores da UFF se uniram para mostrar que a Universidade está em Greve, participando de um movimento Nacional de Greve nas Universidades Públicas contra a precarização da educação. Evidenciavam o uso de Contêineres em Rio das Ostras como salas de aula e cobrando uma postura da Prefeitura no sentido de garantir a manutenção da UFF na cidade.
Diversos professores das escolas Abdalla e Maria da Penha e de toda a rede pública Municipal vieram para manifestar apoio à professora que leciona nestas duas escolas e que foi assediada pela prefeitura e chacoteada pela mídia sensacionalista (InterTv e Jornal Hoje da Globo). Sabemos que os problemas da educação de Rio das Ostras são gerais, os professores não podem ser responsabilizados se a prefeitura concebe a educação não numa perspectiva de emancipação humana, mas com uma concepção pedagógica de depósito de crianças.
Também moradores do Bairro Enseada manifestaram-se contra o descaso com o bairro: “SOS – Enseada – 55 anos de abandono” conforme faixa que os moradores ergueram durante o desfile.

Moradores da Enseada se manifestando!

Moradores de diversos outros bairros também apareceram para reivindicar melhorias como Nova Esperança, Âncora, Nova Cidade, Palmital, etc. O tema da água foi bastante citado já que é um problema generalizado da cidade e condição fundamental para a qualidade de vida real da população. O mesmo ocorreu com o tema do saneamento básico.
Uma das discussões mais importantes que motivaram o ato, foi a questão das 3 Plataformas de Petróleo que a OGX pretende instalar a aproximadamente 70km da costa de Rio das Ostras. Um possível vazamento de óleo poderá provocar muitos problemas com a pesca, turismo e com a vida social da cidade. Na Audiência Pública, foi consenso que os moradores eram contrários à implantação destas plataformas sem uma explicação mais profunda do projeto. A população solicitou uma nova audiência, mas até agora, não há maiores informações a este respeito.
O Movimento Sem Terra de Cantagalo também se fez presente discutindo sobre a reforma agrária e levantando a questão da má distribuição de terra, onde há de um lado, latifúndios improdutivos e do outros trabalhadores sem terra.
A população apoiou a manifestação, com palmas, gritos e se integrando à manifestação em muitos casos. O que está ocorrendo em Rio das Ostras é que as pessoas estão entendendo que para mudar alguma coisa de verdade, a favor dos trabalhadores, só mesmo com luta.

A falsa dicotomia Verde versus Laranja caiu por terra quando Sabino e Carlos Augusto resolveram participar juntos do pleito eleitoral. A cidade em que todo mundo era verde ou era laranja (segundo o que se divulgava) deixou de fazer sentido para a população. O ato colorido sobre a cor preta, simbólica do luto, representou este anseio de cada um poder ter a cor que quiser. Se manifestar não significa que você está de um ou de outro lado da (suposta) polarização, significa que a população está do seu próprio lado e que, infelizmente, os verdes e os laranjas, “cores de um mesmo borrão”, não estão do lado do povo.

A prova disso foi que, novamente, ao chegarem os manifestantes, o Prefeito já não estava no palco (repetindo a história de 2011). Se negando mais uma vez a dialogar com a população.

Sabino e Carlos Augusto = Cores de um mesmo borrão!

O Grito dos Excluídos de 2013 já promete, mas até lá, os movimentos sociais de Rio das Ostras tem muito fazer. Continuaremos lutando por uma sociedade melhor e para todos! Uma cidade em que a voz da população seja ouvida! Se os governantes não nos querem escutar, vamos nos fazer ouvir com muitas manifestações populares, e com um só Grito, juntos, o Grito dos Excluídos!

Jonathan Mendonça é Professor, estudante universitário, morador do Guaiamum, candidato a Vereador pelo PSOL e apoiador dos diversos movimentos sociais que construiram o Grito!

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