Arquivo do mês: março 2013

Marina Silva, aqui não fía!

Por: Antonio Euzébios Filho

Nas últimas eleições para presidência da república, Marina Silva, então Partido Verde, ganhou força política no âmbito da política nacional. Saiu das eleições como possível alternativa à dupla dinâmica PT/PSDB.

Na disputa para presidência, em 2010, Marina esbanjou boas intenções e afirmou que dialogaria com diferentes partidos e perspectivas políticas. Curiosamente os setores de sua preferencia são orientados pelo agronegócio e pelo lucro das grandes empresas que poluem rios, desapropriam famílias pobres etc., mas investem no “social” – setores que se enquadram na chamada gestão sustentável do capital.

Trata-se, grosso modo, de uma versão requentada do neoliberalismo. É como dizer para a burguesia: “Fiquem tranquilos, pois está assegurada a exploração e a altíssima lucratividade, mas a esmola aos pobres tem de ser mais sofisticada”. Tudo isto sob a pecha do politicamente correto… Por outro lado, para a maioria da população a informação que é passada é a seguinte: “vamos fazer o que podemos para garantir a esmola” com cara de: “projeto sustentável e economicamente viável”. Ocorre que o discurso refinado de nada suaviza a vida do cortador de cana, do pedreiro, das empregadas domésticas, camelos, desempregados, operários, etc. Por este motivo, Marina Silva, – como é dito no popular e para ir direto ao assunto – é um lobo na pele de um cordeiro.

Projeto de criação de novo partido, ‘Rede sustentável’, liderado pela Marina Silva traz uma versão requentada do ecocapitalismo.

Projeto de criação de novo partido, ‘Rede sustentável’, liderado pela Marina Silva traz uma versão requentada do ecocapitalismo.

É difícil acreditar que um cordeiro vai sobreviver num ambiente com os lobos, caso não se torne um deles, correto? A tão falada “nova política”, que Maria Silvia tanto preconiza, realmente não virá das grandes corporações ou do parlamento, onde se travam os acordos espúrios que maltratam o meio ambiente e a maioria da população brasileira. A tática utilizada continua a mesma: financia-se um projeto social aqui, outro acolá, põe um remendo aqui, compensa acolá. Mas, como sempre, a burguesia continua tirando o coro do povo e quando aperta a crise é o bolso do trabalhador que paga. O governo, por sua vez, faz vista grossa (até porque muitos usam a máquina do Estado para atender interesses particulares daquelas mesmas empresas “cidadãs”, parceiras do povo e do meio ambiente. Aquelas que investem no “social”, lembram?).

Aliar-se com este setor podre da política nacional é incompatível com a ideia de sustentabilidade, não apenas porque Maria Silvia está errada, mas, sobretudo, porque o capitalismo não é capaz de dar mais respostas ao social e ao ambiental.

Resolvam as seguintes equações:

Como é possível garantir moradia digna para todos apostando na especulação imobiliária? Como apostar em sustentabilidade com o transporte público privatizado e a cidade cuspindo automóveis? Como garantir sustentabilidade ambiental se matas, praias, ilhas, etc., nada mais representam do que possibilidades de consumo e de apropriação privada? Como barrar a pobreza se o que governo e a grande burguesia dão para o povo (isto mesmo, dão, pois direitos tornaram-se favores), eles levam em dobro, triplo, etc., etc. etc. etc.?

É uma questão lógica! Então, Marina, por favor, não me leva a mau, mas aqui não, fía!

O PSOL precisa de você!

Por Bernardo Pilotto

131263_10200517829579917_705964860_oAgosto de 2009, São Paulo, Quadra dos Bancários. No tradicional ambiente de encontros sindicais e populares, o clima do II Congresso do PSOL era quente: há pouco menos de um ano para as eleições presidenciais, a então vereadora Heloísa Helena anunciava que não seria candidata a presidente pelo PSOL e que a sua candidata era Marina Silva (que, naquele momento, tinha acabado de sair do PT). Cerca de 90% dos presentes pediam (na verdade, alguns pediam e outros suplicavam) que HH mantivesse sua candidatura. Por outro lado, um grupo de militantes, pequeno naquele momento, anunciava que Plínio de Arruda Sampaio, então com 79 anos, era pré-candidato a presidente pelo PSOL.

O que veio depois disso é uma história mais conhecida: Marina Silva se filiou ao PV e aderiu a um discurso conciliador, em que elogiava os 16 anos de política econômica de FHC e Lula. E o PSOL indicou Plínio de Arruda Sampaio como candidato a presidente.

Mas este processo significou muito mais do que uma simples disputa entre duas candidaturas a presidente: a derrota da posição da presidente de um partido de esquerda foi algo inédito no Brasil e mostrou que, no PSOL, a militância organizada nos núcleos de base tem força e voz para definir os rumos do partido. Continuar lendo

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ATO 8 DE MARÇO /13: DIA INTERNACIONAL DA MULHER! 16-17h.

ato psol mulher 8 março 2013