Entrevista com Leo “Mosquito”, militante do Núcleo PSoL SERRAMAR recém eleito presidente do PSOL de Macaé.

Leo "Mosquito" em fala de apoio do Núcleo PSOL SERRAMAR a Marcha da Maconha de Rio das Ostras 2013.

Leo “Mosquito” em fala de apoio do Núcleo PSOL SERRAMAR a “Marcha da Maconha” de Rio das Ostras / 2013.

Em entrevista, novo presidente do Diretório Municipal do PSOL Macaé, Leonardo Esteves (Leo “Mosquito”) num bate papo descontraído, fala dos protestos ocorridos na cidade, da postura do partido sob sua direção e do atual governo municipal.
Prod. – Qual a sua opinião sobre os protestos em Macaé e em todo país até agora?
Leo “Mosquito” – A sociedade brasileira especialmente a juventude foi às ruas contra a política institucional, porque ela está podre, assim como pelo direito a livre manifestação, contra a repressão policial e a manipulação promovida pela grande mídia. Estas mobilizações além de evidenciar os problemas e contradições que existem para a maioria do povo: ao lado de um estádio moderno, milhares de pessoas padecem de um atendimento precário de saúde, educação, aceso a moradia e ao emprego, evidencia também os esquemas viciados em todo o Brasil que privilegiam certos grupos econômicos, garantindo-lhes os lucros em detrimento dos interesses da população que depende por exemplo, de um transporte público caro, privado e de péssima qualidade.

Prod. – Você além de ser petroleiro, milita também no S.O.S Praia do Pecado. Como você vê a questão ambiental?
Leo M. – A questão ambiental sucumbe aos interesses do chamado “desenvolvimentismo” vendendo um ideia positiva do crescimento econômico industrial. Sabemos o quão falso é isso, pois que desenvolvimento é esse que enriquece os donos do capital e deixa um rastro de poluição, abandono público, miséria, degradação e crimes ambientais além de baixar a qualidade de vida de uma cidade?

Prod. – As pessoas se enojaram da política. Como você encara isso?
Leo M. – O dinheiro desviado para negociatas dos sócios dos grandes partidos, de quase a totalidade dos governos, vandalizam os direitos dos cidadãos, e algumas respostas só ocorreram devido a pressão popular.

Prod. – Como você encarou o confronto de manifestantes com a PM no Rio?
Leo M. – Vi como um intenso processo de repressão. Os poderosos não querem sequer dividir o poder para quem de fato deveria deter tal poder: o povo humilde e trabalhador. E nem o farão sem mobilização popular.

Prod. – E como será a condução do PSOL em Macaé?
Leo M. – O PSOL é o Partido ‘SOCIALISMO e LIBERDADE’, seu nome, estatuto e programa afirmam sérios compromissos com a democracia operária e com o ideais e valores humanistas e libertários do socialismo combativo. Assim em Macaé a militância de fato estava extremamente insatisfeita com a condução política do antigo grupo dirigente que saiu derrotado no partido. Este, era alinhado com a tendência interna da deputada estadual Janira Rocha, recentemente envolvida num suposto caso de extorsão promovida pelos seu próprios assessores que tentaram negociar um dossiê contendo supostos “desvios” da deputada.

Prod. – Na sua opinião, esse desgaste com a Janira prejudica o PSOL?
Leo M. – O PSOL respondeu rapidamente tomando iniciativas que nenhum outro partido toma para apurar supostos desvios de seus parlamentares. Conhecendo o partido que ela própria presidia, a própria deputada tomou a iniciativa de solicitar seu afastamento da direção política do PSOL. A executiva do partido acatou sua solicitação e informou que a deputada procurou o M.P., antes do problema tornar-se público, denunciando estar sendo vítima de uma chantagem. Além disso o próprio PSOL acionou a corregedoria da ALERJ (é o que o PSOL faz em qualquer caso e para qualquer partido) e solicitou cópias dos documentos. Acionou a deputada e mais 9 pessoas na comissão de ética interna e abriu processo de expulsão para os dois filiados que supostamente chantageavam a deputada e tentando vender um dossiê. Essa é a prática e a atitude de um partido que não participa dos esquemas de corrupção país afora e a base militante do partido não é cega, ela resistiu e rompeu com o PT quando Lula a partir de 2003 deu sinais de que não haveria mais espaço para disputa da esquerda em seu governo, bem como no caso do mensalão e na constatação da adaptação do governo Lula e do PT a institucionalidade. Toda organização humana é passível de desvios, a questão é: como é que tal organização responde quando algo deste tipo ocorre.

Prod. – E o PSOL, como tem agido na política como um todo?
Leo M. – O PSOL está combatendo toda e qualquer forma de opressão e exploração, portanto critica o conservadorismo social e as ideologias da direita política tradicional como no Rio de Janeiro faz oposição ao governo Cabral do PMDB, aliado do governo Dilma do PT, que por sua vez, abandonou as bandeira de luta dos trabalhadores por um projeto de poder. Desse abandono de princípios surgiu em 2005 o PSOL.

Prod. – Como era o PSOL antes de vocês assumirem a Direção Municipal?
Leo M. – Não podemos aceitar o que ocorreu no último período onde a candidatura do partido no município de Macaé não foi nem a sombra do que foram as outras campanhas do partido, como em Campos, Niterói e no Rio de Janeiro como na campanha do companheiro Marcelo Freixo. Além disso, a velha direção e o grupo político que foi substituído operaram políticas ‘estranhas’ a combativa base militante e ideológica do partido, talvez por isso tenham sofrido essa grande derrota interna. Os filiados de Macaé souberam agora mudar sua direção entregando sua presidência não a mim, mas ao núcleo de militantes que articula a região, o Núcleo PSOL SERRAMAR, que acaba de eleger também no vizinho município de Rio das Ostras um dos presidentes partidários mais jovens do país, o companheiro Jonathan Mendonça.

Prod. – E como será o PSOL presidido por você?
Leo M. – O PSOL de Macaé, sob nova direção, pretende ser um verdadeiro instrumento de mudança, uma alternativa coerente não só com a história do partido mas dos lutadores e lutadoras que doaram suas vidas em prol dos interesses dos trabalhadores, da democracia, do meio ambiente e contra toda e qualquer forma de opressão. Estamos aqui para reagir a traição das vontades de mudança, traição que pune e ameaça os profissionais da educação municipal com corte de pontos dos dias de greve e ou mobilização, que desrespeita a representação de seu sindicato, o SEPE, tal como faz Eduardo Paes e Sérgio Cabral (ambos do PMDB do ex-prefeito de Macaé Ríverton, o qual tem como seu aliado o PSD de Cristino Áureo, ex candidato a prefeito de Macaé).

Prod. – E que rumos o PSOL irá tomar? Vai ver a “banda passar”?
Leo M. – Reafirmo que a posição do partido deve ser de “Oposição de Esquerda” ao governo municipal. O prefeito de Macaé elegeu-se com um discurso de mudança e ruptura com um modelo de política municipal baseado no fisiologismo, no clientelismo e no privilégio de setores que hegemonizavam a política municipal com auxílio do poder econômico tanto no executivo quanto no legislativo. Assim ao se eleger tornou-se o portador das esperanças por mudanças concretas de uma população que está reagindo as manipulações e a “politicagem”. Porém o novo governo ainda não deu lugar a nova política. Até agora Dr. Aluízio governa sem que a população defina e decida seus rumos como ela gostaria de definir e como o atual prefeito se comprometeu fazer durante a campanha eleitoral. Já são mais de 8 meses de governo e mesmo ninguém esperando mudanças repentinas da realidade que havia, podemos analisar as iniciativas até agora adotada e desde seu processo eleitoral cercados mutuamente de contradições.

Prod. – E como você avalia a atual administração da cidade?
Leo M. – Avalio que as iniciativas adotadas pelo atual governo não constituem uma ruptura concreta com o que era praticado anteriormente. Até agora as ações confusas e superficiais apontam infelizmente para uma verdadeiro abandono do que era declarado na campanha eleitoral. Os supostos desvios do governo anterior não foram publicizados, tornaram-se boatos. O governo joga a responsabilidade para os órgãos de controladoria e judiciais (MP, TCU, TCE, etc) e não deram total transparência as auditorias internas da transição. Embora tenham publicamente revelado supostos e graves desvios na saúde, por exemplo, e modificado de certa forma o tratamento com a coisa pública, não romperam de fato com a antiga lógica, mergulhando num verdadeiro retalho político que joga muita contradição do lado do governo que desde o processo eleitoral costurou alianças movidas pelo interesse do eventual ‘cálculo eleitoral’, ou do ‘oportunismo político’. Isso suscita especulações de que houve um grande acordo entre o antigo e o novo governo municipal. Até agora o povo não foi chamado a decidir. A “grande política” está abandonada na prática e o que consta é apenas uma retórica cada vez mais vazia. As, digamos, ‘viúvas’ do governo anterior pairam imunes de sua condução política nos últimos anos, quando não absorvidos pelo atual governo em seu ‘cálculo eleitoral’ ou de ‘governabilidade’, criticam impunemente o atual governo pois continuam ilesos até o momento por tudo o que trouxeram de mazelas a população.

Prod. – Como o PSOL pretende agir na fiscalização do governo?
Leo M. – Ninguém deve ousar desrespeitar a vontade da população, sobre pena de decepcionar a população que acreditou na mudança, sendo que tal decepção só favorece o afastamento dos grandes interesses populares e sociais do próprio povo. Parafraseando Karl Marx: “A adversidade não gera revolta, mas apatia”. É inadmissível um município como Macaé ter um orçamento maior que o de grandes cidades como Niterói, porém com a metade de sua população, manter privilégios aos vereadores numa das câmaras mais caras do estado senão do país, numa prefeitura que continua mergulhada num mar de cargos comissionados ou contratados sem concurso público, enquanto profissionais responsáveis pela educação dos filhos desse município, por exemplo, mínguam um péssimo salário. Declarações dão conta de o governo privilegiar e dar suporte aos interesses das empresas e multinacionais da indústria petrolífera instaladas na região, mas a população continua negligenciada, o sistema de fiscalização ambiental e trabalhista praticamente não foi abordado. O governo Aluízio do PV ao se vincular com os mesmos setores que apoiaram os governos anteriores (ele próprio teve atuação naqueles) condiciona a esperança por mudanças ao ‘cálculo eleitoral’ ou da ‘governabilidade’. Isso se reflete na condução do parlamento, onde o líder do governo na câmara de vereadores foi o mesmo responsável pela tentativa de cassação do outrora único vereador de oposição ao governo anterior, o Danilo Funke do PT que é nada mais nada menos que o atual vice-prefeito do município, naquela ocasião o conflito ocorreu por Danilo querer dar mais transparência aos debates do legislativo. Isso é revelador dos limites da costura política engendrada. Recentemente o “líder” do governo Aluízio do PV na Câmara foi flagrado em reportagem recente, usando seu carro alugado com o dinheiro do contribuinte (num processo licitatório polêmico e sem transparência, segundo o próprio noticiário local) para ir a uma partida de futebol, enquanto a maioria do povo anda de SIT, monopólio privado que privilegia determinada empresa de transporte em detrimento de sua qualidade (e quantidade). Nós do PSOL estaremos na oposição de esquerda e pressionaremos, da forma que nos for possível, o governo a não trair a confiança depositada na mudança. E se ‘ela’ vier (a traição) estaremos preparados para nos construirmos como uma alternativa radical, democrática, coerente e socialista para a população, assim como o exemplo que vem de Itaocara aqui no interior do estado do Rio, onde o PSOL governa com o povo mesmo sendo minoria no parlamento daquele município, porém o maior e melhor aliado que nós socialistas sempre teremos é a população organizada e consciente de seu papel social, histórico e principalmente: respeitada nos seus anseios por decidir os rumos de uma cidade que seja boa para se viver, partilhando sua riqueza e sendo mais um exemplo de que nada, em termos de direitos, deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar!

Uma resposta para “Entrevista com Leo “Mosquito”, militante do Núcleo PSoL SERRAMAR recém eleito presidente do PSOL de Macaé.

  1. Começa bem a nova gestão do PSOL Macaé. Vamos precisar de muita iniciativa, democracia e organização. Por sua importância, a cidade precisa de um PSOL combativo e ligado às lutas do povo trabalhador.
    Sucesso.
    Rogério Alimandro

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