Entrevista com Jonathan Mendonça, Presidente do Diretório Municipal do PSOL de Rio das Ostras, sobre o congresso estadual do PSOL-RJ que ocorreu no dia 2 de novembro de 2013

Como você avalia a conjuntura atual do país? Quais os principais temas de debates para este congresso estadual do PSOL?

Jonathan Mendonça: A conjuntura mudou. Em Junho a sociedade saiu às ruas para reivindicar melhorias nos serviços públicos e para expressar a insatisfação diante do discurso de Brasil grande (com dinheiro para Copa do Mundo, Olimpíadas, etc.) e a falta de acesso a serviços públicos de qualidade pelo qual a população passa cotidianamente.

Estas mobilizações eclodiram em um período em que as antigas forças da classe trabalhadora organizadas no PT, agora oprimem os trabalhadores e reproduzindo a mesma corrupção e degeneração da direita clássica do PSDB. Portanto, este rechaço aos partidos políticos nas manifestações de junho é oriundo de um ódio aos políticos corruptos de partidos como o PMDB e PSC que governam Rio das Ostras, mas também de uma reação natural e legítima ao que se tornou o PT, um partido que traiu a classe trabalhadora.

Como você avalia o PSOL nesta conjuntura? Qual deve ser a prioridade do PSOL?

Jonathan Mendonça: Cabe ao PSOL, portanto, demonstrar que não trilhará os caminhos do PT, PCdoB, etc. Atualmente estes partidos só servem para afastar os setores mais críticos e ativos das mobilizações, nós queremos derrotar nas ruas através da luta direta esses governos neoliberais. Nossa meta é colocar o PSOL à altura do momento histórico como uma ferramenta útil para a luta socialista dos trabalhadores e da juventude. Para que o PSOL continue sua tarefa histórica de impulsionar a reconstrução de uma esquerda socialista de massas no Brasil precisa se basear em três pilares fundamentais:

1. Prioridade à luta direta dos trabalhadores, da juventude e do povo oprimido, colocando a disputa institucional/eleitoral a serviço dessa luta;

2. Funcionamento interno radicalmente democrático, militante, participativo e baseado na organização pela base;

3. Defesa de um programa e uma estratégia anticapitalista e socialista.

As lutas que ocorreram em Junho foram uma prévia do que vai ocorrer na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas em 2016. Por tudo isto, a esquerda deve ser coerente. Primeiro, o PSOL não pode se dissolver nas manifestações, mas deve disputar a consciência dos trabalhadores apresentando suas pautas socialistas, se a direita possui seus partidos, nós socialistas revolucionários construímos o PSOL com uma perspectiva diferente, pois priorizarmos a luta dos trabalhadores nos sindicatos, no movimento estudantil e nos movimentos sociais. A esquerda precisa se apresentar como uma alternativa viável com um projeto político claro para superar a falta de referência de luta que temos hoje.

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