A primeira Greve do Serviço Público Municipal em Rio das Ostras

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Jonathan Mendonça – Professor da Rede Pública de Ensino de Rio das Ostras e Macaé e militante do Campo Luta Educadora

O Movimento de Junho abriu caminho para a reorganização dos trabalhadores no Brasil. No estado e Município do Rio de Janeiro, o movimento grevista dos professores inspirou diversos outros setores, inclusive de outras cidades a resgatar a GREVE, esta importante ferramenta de luta da classe trabalhadora.

Em Rio das Ostras, os trabalhadores do serviço público municipal, após uma greve dos guardas municipais, paralisação de professores, grandes movimentos de junho, ocupação de câmara, grito dos excluídos, fora Cabral e outros diversos movimentos construídos pelos ativistas da cidade, definiram em assembleia por uma greve. Esta greve viria em decorrência da falta de diálogo do prefeito com o sindicato para tratar as questões do aumento salarial, valorização profissional e condições de trabalho (em resumo).
O prefeito, durante cerca de 2 meses não abriu diálogo, embora, já durante a greve, tenha afirmado na mídia local, TV, jornal, rádio, televisão e através de informativos da prefeitura com este fim, de que “sempre esteve aberto ao diálogo”, e que “Rio das Ostras não possui dinheiro para um aumento superior ao proposto”, de 5,69%.
A Câmara dos vereadores aprovou o projeto enviado pelo prefeito em duas votações em 12 e 13/11, sob muitos protestos dos servidores. O presidente da casa, vereador Nini, restringiu o número de pessoas na casa e proibiu a entrada com instrumentos que pudessem “fazer barulho”, além de proibir o uso de celular (com o intuito de não deixar filmar a sessão).
Alguns dos vereadores que eram oposição no governo passado aproximaram seus discursos dos servidores para ganhar a simpatia deste setor. Carlos Afonso, antigo presidente da casa, corresponsável pela criação das 4 Secretarias que escandalizaram a cidade, pelo aumento de 220% para os vereadores, pela aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos sem a participação dos servidores, dentre outros, agora coloca-se como oposição, dizendo que está do lado do servidor junto a outros vereadores.
Do outro lado, o presidente da casa, Nini, que no governo laranja de Carlos Augusto (PMDB) se demonstrava como oposição, inclusive “dialogando” com o sindicato, hoje, aprova junto a outros vereadores a reposição salarial à revelia do que querem os servidores. Também mantém na casa um Regimento Interno que impede todos os assistentes de se expressarem e os populares de utilizarem o Púlpito.

Na verdade, nenhum destes setores está do lado dos servidores. Estão criando uma guerra interna para disputa da presidência da casa. E ESTA GUERRA NÃO É NOSSA! No momento que for necessário eles se juntarão contra a população como já vimos diversas vezes nas homéricas oscilações de parceria entre Carlos Augusto, Sabino, Gelson e ‘Broter’.
Por tudo isto, fez-se necessário um movimento grevista. Entretanto, o SindServ (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio das Ostras) demorou muito para dar respostas. A prática CUTista de priorizar a institucionalidade fez com que o movimento perdesse o momento histórico de modo que a greve só tenha sido deflagrada após a aprovação do dissídio.
Em diversos outros momentos, ficou evidente que a direção do sindicato recuava quando era necessário avançar. Defendemos a construção da greve desde o início deste processo e acreditamos que a direção, muitas vezes sob o falso argumento da inviabilidade jurídica, desmobilizou setores importantes na construção deste movimento.
Acreditamos que o sindicato tenha de se responsabilizar pela construção da greve, garantindo a estrutura, rodando as bases para mobilizar, estando de frente e avançando a consciência dos trabalhadores para a necessidade de ações que constranjam a inércia do governo diante o diálogo com a categoria.
Saímos desta greve com muitos aprendizados e com a certeza de que esta foi um dos momentos mais importantes da história política da cidade: A primeira greve dos servidores públicos municipais. Agora, temos de repetir os acertos e não cometer os mesmos erros rumo à construção de uma nova mobilização mais estruturada que obrigue o governo a recuar e traga novas vitórias aos servidores.

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