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PSOL de Todas as Cores: I Reunião de Formação do núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras

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Venham construir o núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras.

Um convite para todas as pessoas LGBT’s que querem um país livre de lgbtfobia!

Dia 29/set, terça, 18h, na UFF Rio das Ostras (Rua Recife, s/n, Jd Bela Vista)

https://www.facebook.com/events/423091131219468/

O Brasil é um dos países que mais vitima pessoas por crimes de ódio no mundo. A violência contra a população LGBT ganha contornos de extermínio quando mais de um LGBT é morto por dia por motivação lgbtfóbica e diversas são agredidas física e psicologicamente todos os dias.

A violência lgbtfóbica é incentivada nas escolas por uma educação fundada no sexismo e na misoginia; na mídia que ridiculariza, esteriotipa e guetifica a população e os comportamentos das pessoas LGBT; nas igrejas cristãs que fazem leitura parcial e fundamentalista da Bíblia com objetivo de desumanizar e negar direitos a essa população; a situação é ainda pior quando se mistura a TV e rádio nas mãos de igrejas cristãs, de pastores e padres fundamentalistas que utilizam da CONCESSÃO PÚBLICA para disseminar a ignorância e o ódio contra LGBT’s.

O Congresso Nacional, o mais conservador e reacionário dos últimos tempos está dominado pelas bancadas da Bala, do Boi e da Bíblia Fundamentalista, cujo maior expoente, o deputado federal carioca Eduardo Cunha (PMDB), preside, com apoio de Feliciano (PSC), Bolsonaro (PP), Sóstenes Cavalcante (PSD) – apadrinhado de Malafaia. A Câmara dos Deputados, vem imprimindo derrotas e retrocessos às pautas libertárias e aos direitos sociais, em especial das populações que mais sofrem opressões.

Na contramão do avanço da mentalidade mundial, que reconhece pessoas LGBT como iguais em direitos a pessoas hetero (tendo como marco a aprovação do Casamento Igualitário na Argentina e pela Suprema Corte estaduanidense, entre outros), o Congresso Nacional brasileiro discute e sinaliza aprovar um Estatuto da Família formado apenas por casais heterossexuais e com seus filhos, com o objetivo de excluir, criminalizar e disseminar o ódio contra as famílias formadas por pessoas LGBT’s, excluindo também famílias formadas por pais e mães solteires, por avós, casais sem filhos e etc. A postura mostra que o congresso prefere ver milhares de crianças abandonadas em abrigos ou nas ruas a tê-los adotados em família compostas por pessoas do mesmo sexo.

As pessoas LGBT estão ocupando os piores postos de trabalho, com as remunerações mais baixas, em ocupações onde estejam invisibilizadas. O quadro se agrava quando se trata de pessoas trans e travestis, mas também de lésbicas consideradas masculinizadas ou gays considerados afeminados. Quando não são empurradas para a prostituição, após sofrerem várias violências dentro de casa e serem expulsas, encontram trabalhos precários como o do telemarketing e outros sub trabalhos do setor terciário. As pessoas LGBT, em especial, as pessoas T, são a minoria nas Universidade Públicas e estão sub representadas em todos os espaços políticos.

Nenhum direito dos trabalhadores foi conquistado historicamente sem que houvesse muita luta, muito confronto, sangue, suor e lágrimas da classe trabalhadora. Da mesma forma nenhum direito das populações LGBT foi e será conquistado sem muita luta, sobretudo em uma conjuntura política e econômica tão adversa. Luta essa que precisa ser coletiva e protagonizada pelas pessoas LGBT. Luta essa nas ruas e nas instituições. Luta essa que enfrente o conservadorismo e a ignorância e formule propostas e políticas públicas, que efetue a pressão social necessária para a construção de um país e um mundo livre de toda forma de homofobia, lesbofobia, bi/panfobia e transfobia.

O núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras pretende ser um espaço de base, aberto a não filiados, mas composto por pessoas com referências na esquerda socialista e libertária, que sirva a construção local da resistência LGBT e da conquista de direitos.

Aguardamos todes para começar mais essa construção.

Venha conhecer o PSOL Rio das Ostras!

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Na terça, 17/3, às 18h, no Pólo Universitário da UFF de Rio das Ostras (Rua Recife, sn, Jd Bela Vista) vamos debater as conjunturas municipal, estadual e nacional e a necessidade de uma ferramenta, uma alternativa de esquerda da classe trabalhadora para superar as crises do capital: crise econômica, socioambiental e política.

Momento de receber novxs filiadxs e simpatizantes.

Após a reunião promoveremos uma confraternização na casa do Prof. Edson, atrás da UFF com cerveja e caldinho.

Confirme presença no evento no facebook:

https://www.facebook.com/events/796110760481513/

Informações:

22 9 98925040 vivo ou 21 9 80091786 tim

#SóALutaMudaAVida

Impressões sobre o 15 de Março

Por Luciana Genro

15 março intervenção militar

A indignação popular é legítima, mas manifestação aparelhada pela direita reacionária e corrupta não apontou caminhos e soluções progressistas para a classe trabalhadora!

 

Hoje o Brasil teve muita gente nas ruas. Pelo Brasil afora centenas de milhares falaram, se expressaram. Isso em si mesmo exige uma reflexão sobre o que ocorre. É preciso escutar, a partir daí julgar e se posicionar. Em São Paulo a Polícia Militar (comandada por Alckmin) estimou em 1 milhão (número alardeado pela Globo por horas), o que seria uma grande surpresa para todos, e o Data Folha estimou em 210 mil, um número mais razoável e dentro das previsões.

É claro que ainda teremos que medir o que ocorreu hoje. O que salta aos olhos é que a situação exige uma mudança profunda.Mas nem tudo o que as ruas falam sugerem um bom caminho. As faixas em favor do golpe são um sintoma claro de que mesmo que milhares tenham tomado as ruas, não se abriu um caminho novo e progressista. Não tenho dúvida de que a maioria dos que estavam nos atos não querem uma saída fascista e nem querem ser controlados por aparatos burocráticos. Por isso Bolsonaro e Paulinho da Força Sindical foram hostilizados. As pessoas querem mudanças, mas para que a direita não ganhe na inércia é preciso avançar em um programa. A questão é que mudanças são necessárias e quem são os agentes desta mudança.

O que vimos pelo Brasil foram atos contra o governo Dilma e contra o PT que expressaram uma indignação geral contra a corrupção e a carestia. Entretanto, ao não ter uma ideologia crítica, anticapitalista, o que predominou foi a ideologia da classe dominante, e no guarda chuva desta ideologia as posições de direita e extrema direita também se expressam.

É neste caldo que a grande mídia atua, instrumentalizando e direcionando. Em junho de 2013 a Rede Globo foi questionada nas ruas por ser claramente identificada com a manipulação ideológica. E é, de fato, o grande partido da classe dominante brasileira. Neste 15 de março a Rede Globo estimulou, promoveu a ida às ruas. Este é um dos motivos pelos quais os atos de hoje, embora fortes, são um simulacro de junho de 2013. Não podemos ser ingênuos quando a Rede Globo estimula um movimento. Querem sangrar o governo e liquidar qualquer ideia de esquerda, usando o PT para por um sinal de igual entre esquerda e PT, e desta forma derrotar os projetos igualitários da esquerda socialista.

dilma e levy

Solução está à esquerda. Não adianta substituir o PT pelo PSDB se ambos defendem a mesma política econômica que preserva o lucro dos banqueiros enquanto coloca o prejuízo na conta dos trabalhadores.

Quando as ruas começam a ter mais peso que o Parlamento pode ser o sinal de uma mudança positiva. Entretanto dezenas de milhares nas ruas não basta. É preciso um programa. E neste momento as ruas não estão indicando apenas um caminho. E se a estrada errada for a escolhida, ao invés de se progredir e superar a crise, poderemos retroceder e permitir que os grandes empresários,bancos, empreiteiras e corporações midiáticas façam valer sua agenda de defesa dos privilégios e de uma sociedade ainda mais desigual.

Os grupos que na manifestação defendiam abertamente a intervenção militar revelaram o sentido profundo de uma das tendências que este movimento pode promover se não se interpor a discussão do programa e se ganhar força a ideia de que temos uma saída fácil para um problema que na verdade é difícil. E a saída não é fácil justamente porque ela exige enfrentar as classes dominantes.

O PT traiu os interesses históricos da classe trabalhadora e foi muito útil à classe dominante, controlando as greves e protestos e sendo o agente de aplicação dos interesses econômicos da burguesia, deixando migalhas para o povo. Mas junho de 2013 mostrou que o PT já não tem mais esta serventia e a crise econômica exige um ajuste brutal contra os trabalhadores e a classe média. É natural, portanto que a burguesia prefira governar através do seu filho legítimo, o PSDB . Mas seria cair em impressões falsas achar que a burguesia abandonou totalmente o PT. Basta refletir sobre o fato de que o PSDB defende a mesma política econômica que Dilma está aplicando e está envolvido nos mesmo escândalos de corrupção para perceber que eles não querem o impeachment. Como já disse FHC e Aloísio Nunes, eles querem sangrar, render totalmente o governo para garantir que o ajuste de Levy seja devidamente aplicado e os interesses do grande capital preservados neste momento de crise econômica.

Por isso é preciso compreender que as ruas por si só não garantem a soberania popular. É preciso dizer quais interesses fortalecem. E quais pontos de programa alavancam.

As propostas do PSOL para superar a crise partem da necessidade de se combater a corrupção, apoiando as investigações da lava jato e defendendo a punição para todos os corruptos, seja de que partido forem. Também é fundamental terminar qualquer possibilidade dos políticos esconderem sua evolução patrimonial. Precisamos de uma nova legislação na qual os políticos não tenham mais direito a sigilo bancário e fiscal. Igualmente, a lista dos sonegadores do HSBC deve ser revelada e os recursos resgatados.

manifestação mtst

A solução é programática e vem da agenda de lutas dos trabalhadores: reforma urbana disponibilizando os imóveis vazios à moradia digna, reforma agrária acabando com o latifúndio, reforma fiscal taxando os mais ricos e não os mais pobres, reforma política com proibição de doações empresariais em campanhas, auditoria da dívida pública, garantia e ampliação dos direitos trabalhistas e muitas outras que o PSOL e o conjunto da esquerda defendem.

Mas a luta contra a corrupção não é suficiente. Na economia é preciso impedir que sejam os trabalhadores e as classes medias que paguem pela crise. Basta de arrocho salarial e de demitir trabalhadores para garantir o lucro. Basta de cortar recursos da educação e da saúde e manter o pagamento dos juros da dívida pública aos bancos e grandes especuladores. Basta de extorquir o trabalhador e a classe média com impostos e não cobrar o Imposto sobre as Grandes Fortunas e manter os privilégios fiscais dos bancos. É preciso fazer o ajuste nas costas dos milionários e promover o controle público das corporações privadas.

Ha uma crise de legitimidade geral. É claro que é melhor um canal eleitoral do que continuar como está. Mas novas eleições simplesmente não resolvem. Precisaríamos sim reorganizar todo o país, através de uma constituinte democrática. Impeachment para entregar o governo a Michel Temer ou Renan é inaceitável, seria um desastre total. E para que as eleições representem de fato uma mudança teriam que ser realizadas sob novas regras, sem o dinheiro das empreiteiras e sem as desigualdades abissais na disputa.

A bancada do PSOL no Parlamento tem sido atuante e combativa na luta contra a corrupção e as medidas de ajuste contra o povo. O PSOL tem propostas. Nós as apresentamos na campanha eleitoral e vamos seguir apresentando e lutando por elas. Além disso, nosso papel, como um partido de oposição de esquerda, é ajudar a construir uma alternativa que não seja a manutenção do que está aí, mas que também não coloque água no moinho do PSDB, ou mais absurdo ainda, de uma intervenção militar.

Esta alternativa só pode ser construída a partir de uma agenda de luta contra o ajuste de Dilma/Levy construída pela classe trabalhadora e pela juventude, nos locais de trabalho, nas escolas, nas universidades, lutando por democracia real e construindo um programa anti capitalista. O exemplo da greve dos servidores do Paraná, dos garis do Rio de Janeiro, dos caminhoneiros e tantas outras, é fundamental pois este é o método de luta e o método de se construir uma oposição de esquerda. Estas lutas vão seguir. É desta forma que as ruas precisam falar.

Luciana Genro é presidenta da Fundação Lauro Campos e foi candidata a Presidência da República em 2014.

Entrevista com Jonathan Mendonça, Presidente do Diretório Municipal do PSOL de Rio das Ostras, sobre o congresso estadual do PSOL-RJ que ocorreu no dia 2 de novembro de 2013

Como você avalia a conjuntura atual do país? Quais os principais temas de debates para este congresso estadual do PSOL?

Jonathan Mendonça: A conjuntura mudou. Em Junho a sociedade saiu às ruas para reivindicar melhorias nos serviços públicos e para expressar a insatisfação diante do discurso de Brasil grande (com dinheiro para Copa do Mundo, Olimpíadas, etc.) e a falta de acesso a serviços públicos de qualidade pelo qual a população passa cotidianamente.

Estas mobilizações eclodiram em um período em que as antigas forças da classe trabalhadora organizadas no PT, agora oprimem os trabalhadores e reproduzindo a mesma corrupção e degeneração da direita clássica do PSDB. Portanto, este rechaço aos partidos políticos nas manifestações de junho é oriundo de um ódio aos políticos corruptos de partidos como o PMDB e PSC que governam Rio das Ostras, mas também de uma reação natural e legítima ao que se tornou o PT, um partido que traiu a classe trabalhadora.

Como você avalia o PSOL nesta conjuntura? Qual deve ser a prioridade do PSOL?

Jonathan Mendonça: Cabe ao PSOL, portanto, demonstrar que não trilhará os caminhos do PT, PCdoB, etc. Atualmente estes partidos só servem para afastar os setores mais críticos e ativos das mobilizações, nós queremos derrotar nas ruas através da luta direta esses governos neoliberais. Nossa meta é colocar o PSOL à altura do momento histórico como uma ferramenta útil para a luta socialista dos trabalhadores e da juventude. Para que o PSOL continue sua tarefa histórica de impulsionar a reconstrução de uma esquerda socialista de massas no Brasil precisa se basear em três pilares fundamentais:

1. Prioridade à luta direta dos trabalhadores, da juventude e do povo oprimido, colocando a disputa institucional/eleitoral a serviço dessa luta;

2. Funcionamento interno radicalmente democrático, militante, participativo e baseado na organização pela base;

3. Defesa de um programa e uma estratégia anticapitalista e socialista.

As lutas que ocorreram em Junho foram uma prévia do que vai ocorrer na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas em 2016. Por tudo isto, a esquerda deve ser coerente. Primeiro, o PSOL não pode se dissolver nas manifestações, mas deve disputar a consciência dos trabalhadores apresentando suas pautas socialistas, se a direita possui seus partidos, nós socialistas revolucionários construímos o PSOL com uma perspectiva diferente, pois priorizarmos a luta dos trabalhadores nos sindicatos, no movimento estudantil e nos movimentos sociais. A esquerda precisa se apresentar como uma alternativa viável com um projeto político claro para superar a falta de referência de luta que temos hoje.

Entrevista com Leo “Mosquito”, militante do Núcleo PSoL SERRAMAR recém eleito presidente do PSOL de Macaé.

Leo "Mosquito" em fala de apoio do Núcleo PSOL SERRAMAR a Marcha da Maconha de Rio das Ostras 2013.

Leo “Mosquito” em fala de apoio do Núcleo PSOL SERRAMAR a “Marcha da Maconha” de Rio das Ostras / 2013.

Em entrevista, novo presidente do Diretório Municipal do PSOL Macaé, Leonardo Esteves (Leo “Mosquito”) num bate papo descontraído, fala dos protestos ocorridos na cidade, da postura do partido sob sua direção e do atual governo municipal.
Prod. – Qual a sua opinião sobre os protestos em Macaé e em todo país até agora?
Leo “Mosquito” – A sociedade brasileira especialmente a juventude foi às ruas contra a política institucional, porque ela está podre, assim como pelo direito a livre manifestação, contra a repressão policial e a manipulação promovida pela grande mídia. Estas mobilizações além de evidenciar os problemas e contradições que existem para a maioria do povo: ao lado de um estádio moderno, milhares de pessoas padecem de um atendimento precário de saúde, educação, aceso a moradia e ao emprego, evidencia também os esquemas viciados em todo o Brasil que privilegiam certos grupos econômicos, garantindo-lhes os lucros em detrimento dos interesses da população que depende por exemplo, de um transporte público caro, privado e de péssima qualidade.

Prod. – Você além de ser petroleiro, milita também no S.O.S Praia do Pecado. Como você vê a questão ambiental?
Leo M. – A questão ambiental sucumbe aos interesses do chamado “desenvolvimentismo” vendendo um ideia positiva do crescimento econômico industrial. Sabemos o quão falso é isso, pois que desenvolvimento é esse que enriquece os donos do capital e deixa um rastro de poluição, abandono público, miséria, degradação e crimes ambientais além de baixar a qualidade de vida de uma cidade?

Prod. – As pessoas se enojaram da política. Como você encara isso?
Leo M. – O dinheiro desviado para negociatas dos sócios dos grandes partidos, de quase a totalidade dos governos, vandalizam os direitos dos cidadãos, e algumas respostas só ocorreram devido a pressão popular.

Prod. – Como você encarou o confronto de manifestantes com a PM no Rio?
Leo M. – Vi como um intenso processo de repressão. Os poderosos não querem sequer dividir o poder para quem de fato deveria deter tal poder: o povo humilde e trabalhador. E nem o farão sem mobilização popular.

Prod. – E como será a condução do PSOL em Macaé?
Leo M. – O PSOL é o Partido ‘SOCIALISMO e LIBERDADE’, seu nome, estatuto e programa afirmam sérios compromissos com a democracia operária e com o ideais e valores humanistas e libertários do socialismo combativo. Assim em Macaé a militância de fato estava extremamente insatisfeita com a condução política do antigo grupo dirigente que saiu derrotado no partido. Este, era alinhado com a tendência interna da deputada estadual Janira Rocha, recentemente envolvida num suposto caso de extorsão promovida pelos seu próprios assessores que tentaram negociar um dossiê contendo supostos “desvios” da deputada.

Prod. – Na sua opinião, esse desgaste com a Janira prejudica o PSOL?
Leo M. – O PSOL respondeu rapidamente tomando iniciativas que nenhum outro partido toma para apurar supostos desvios de seus parlamentares. Conhecendo o partido que ela própria presidia, a própria deputada tomou a iniciativa de solicitar seu afastamento da direção política do PSOL. A executiva do partido acatou sua solicitação e informou que a deputada procurou o M.P., antes do problema tornar-se público, denunciando estar sendo vítima de uma chantagem. Além disso o próprio PSOL acionou a corregedoria da ALERJ (é o que o PSOL faz em qualquer caso e para qualquer partido) e solicitou cópias dos documentos. Acionou a deputada e mais 9 pessoas na comissão de ética interna e abriu processo de expulsão para os dois filiados que supostamente chantageavam a deputada e tentando vender um dossiê. Essa é a prática e a atitude de um partido que não participa dos esquemas de corrupção país afora e a base militante do partido não é cega, ela resistiu e rompeu com o PT quando Lula a partir de 2003 deu sinais de que não haveria mais espaço para disputa da esquerda em seu governo, bem como no caso do mensalão e na constatação da adaptação do governo Lula e do PT a institucionalidade. Toda organização humana é passível de desvios, a questão é: como é que tal organização responde quando algo deste tipo ocorre.

Prod. – E o PSOL, como tem agido na política como um todo?
Leo M. – O PSOL está combatendo toda e qualquer forma de opressão e exploração, portanto critica o conservadorismo social e as ideologias da direita política tradicional como no Rio de Janeiro faz oposição ao governo Cabral do PMDB, aliado do governo Dilma do PT, que por sua vez, abandonou as bandeira de luta dos trabalhadores por um projeto de poder. Desse abandono de princípios surgiu em 2005 o PSOL.

Prod. – Como era o PSOL antes de vocês assumirem a Direção Municipal?
Leo M. – Não podemos aceitar o que ocorreu no último período onde a candidatura do partido no município de Macaé não foi nem a sombra do que foram as outras campanhas do partido, como em Campos, Niterói e no Rio de Janeiro como na campanha do companheiro Marcelo Freixo. Além disso, a velha direção e o grupo político que foi substituído operaram políticas ‘estranhas’ a combativa base militante e ideológica do partido, talvez por isso tenham sofrido essa grande derrota interna. Os filiados de Macaé souberam agora mudar sua direção entregando sua presidência não a mim, mas ao núcleo de militantes que articula a região, o Núcleo PSOL SERRAMAR, que acaba de eleger também no vizinho município de Rio das Ostras um dos presidentes partidários mais jovens do país, o companheiro Jonathan Mendonça.

Prod. – E como será o PSOL presidido por você?
Leo M. – O PSOL de Macaé, sob nova direção, pretende ser um verdadeiro instrumento de mudança, uma alternativa coerente não só com a história do partido mas dos lutadores e lutadoras que doaram suas vidas em prol dos interesses dos trabalhadores, da democracia, do meio ambiente e contra toda e qualquer forma de opressão. Estamos aqui para reagir a traição das vontades de mudança, traição que pune e ameaça os profissionais da educação municipal com corte de pontos dos dias de greve e ou mobilização, que desrespeita a representação de seu sindicato, o SEPE, tal como faz Eduardo Paes e Sérgio Cabral (ambos do PMDB do ex-prefeito de Macaé Ríverton, o qual tem como seu aliado o PSD de Cristino Áureo, ex candidato a prefeito de Macaé).

Prod. – E que rumos o PSOL irá tomar? Vai ver a “banda passar”?
Leo M. – Reafirmo que a posição do partido deve ser de “Oposição de Esquerda” ao governo municipal. O prefeito de Macaé elegeu-se com um discurso de mudança e ruptura com um modelo de política municipal baseado no fisiologismo, no clientelismo e no privilégio de setores que hegemonizavam a política municipal com auxílio do poder econômico tanto no executivo quanto no legislativo. Assim ao se eleger tornou-se o portador das esperanças por mudanças concretas de uma população que está reagindo as manipulações e a “politicagem”. Porém o novo governo ainda não deu lugar a nova política. Até agora Dr. Aluízio governa sem que a população defina e decida seus rumos como ela gostaria de definir e como o atual prefeito se comprometeu fazer durante a campanha eleitoral. Já são mais de 8 meses de governo e mesmo ninguém esperando mudanças repentinas da realidade que havia, podemos analisar as iniciativas até agora adotada e desde seu processo eleitoral cercados mutuamente de contradições.

Prod. – E como você avalia a atual administração da cidade?
Leo M. – Avalio que as iniciativas adotadas pelo atual governo não constituem uma ruptura concreta com o que era praticado anteriormente. Até agora as ações confusas e superficiais apontam infelizmente para uma verdadeiro abandono do que era declarado na campanha eleitoral. Os supostos desvios do governo anterior não foram publicizados, tornaram-se boatos. O governo joga a responsabilidade para os órgãos de controladoria e judiciais (MP, TCU, TCE, etc) e não deram total transparência as auditorias internas da transição. Embora tenham publicamente revelado supostos e graves desvios na saúde, por exemplo, e modificado de certa forma o tratamento com a coisa pública, não romperam de fato com a antiga lógica, mergulhando num verdadeiro retalho político que joga muita contradição do lado do governo que desde o processo eleitoral costurou alianças movidas pelo interesse do eventual ‘cálculo eleitoral’, ou do ‘oportunismo político’. Isso suscita especulações de que houve um grande acordo entre o antigo e o novo governo municipal. Até agora o povo não foi chamado a decidir. A “grande política” está abandonada na prática e o que consta é apenas uma retórica cada vez mais vazia. As, digamos, ‘viúvas’ do governo anterior pairam imunes de sua condução política nos últimos anos, quando não absorvidos pelo atual governo em seu ‘cálculo eleitoral’ ou de ‘governabilidade’, criticam impunemente o atual governo pois continuam ilesos até o momento por tudo o que trouxeram de mazelas a população.

Prod. – Como o PSOL pretende agir na fiscalização do governo?
Leo M. – Ninguém deve ousar desrespeitar a vontade da população, sobre pena de decepcionar a população que acreditou na mudança, sendo que tal decepção só favorece o afastamento dos grandes interesses populares e sociais do próprio povo. Parafraseando Karl Marx: “A adversidade não gera revolta, mas apatia”. É inadmissível um município como Macaé ter um orçamento maior que o de grandes cidades como Niterói, porém com a metade de sua população, manter privilégios aos vereadores numa das câmaras mais caras do estado senão do país, numa prefeitura que continua mergulhada num mar de cargos comissionados ou contratados sem concurso público, enquanto profissionais responsáveis pela educação dos filhos desse município, por exemplo, mínguam um péssimo salário. Declarações dão conta de o governo privilegiar e dar suporte aos interesses das empresas e multinacionais da indústria petrolífera instaladas na região, mas a população continua negligenciada, o sistema de fiscalização ambiental e trabalhista praticamente não foi abordado. O governo Aluízio do PV ao se vincular com os mesmos setores que apoiaram os governos anteriores (ele próprio teve atuação naqueles) condiciona a esperança por mudanças ao ‘cálculo eleitoral’ ou da ‘governabilidade’. Isso se reflete na condução do parlamento, onde o líder do governo na câmara de vereadores foi o mesmo responsável pela tentativa de cassação do outrora único vereador de oposição ao governo anterior, o Danilo Funke do PT que é nada mais nada menos que o atual vice-prefeito do município, naquela ocasião o conflito ocorreu por Danilo querer dar mais transparência aos debates do legislativo. Isso é revelador dos limites da costura política engendrada. Recentemente o “líder” do governo Aluízio do PV na Câmara foi flagrado em reportagem recente, usando seu carro alugado com o dinheiro do contribuinte (num processo licitatório polêmico e sem transparência, segundo o próprio noticiário local) para ir a uma partida de futebol, enquanto a maioria do povo anda de SIT, monopólio privado que privilegia determinada empresa de transporte em detrimento de sua qualidade (e quantidade). Nós do PSOL estaremos na oposição de esquerda e pressionaremos, da forma que nos for possível, o governo a não trair a confiança depositada na mudança. E se ‘ela’ vier (a traição) estaremos preparados para nos construirmos como uma alternativa radical, democrática, coerente e socialista para a população, assim como o exemplo que vem de Itaocara aqui no interior do estado do Rio, onde o PSOL governa com o povo mesmo sendo minoria no parlamento daquele município, porém o maior e melhor aliado que nós socialistas sempre teremos é a população organizada e consciente de seu papel social, histórico e principalmente: respeitada nos seus anseios por decidir os rumos de uma cidade que seja boa para se viver, partilhando sua riqueza e sendo mais um exemplo de que nada, em termos de direitos, deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar!

O PSOL precisa de você!

Por Bernardo Pilotto

131263_10200517829579917_705964860_oAgosto de 2009, São Paulo, Quadra dos Bancários. No tradicional ambiente de encontros sindicais e populares, o clima do II Congresso do PSOL era quente: há pouco menos de um ano para as eleições presidenciais, a então vereadora Heloísa Helena anunciava que não seria candidata a presidente pelo PSOL e que a sua candidata era Marina Silva (que, naquele momento, tinha acabado de sair do PT). Cerca de 90% dos presentes pediam (na verdade, alguns pediam e outros suplicavam) que HH mantivesse sua candidatura. Por outro lado, um grupo de militantes, pequeno naquele momento, anunciava que Plínio de Arruda Sampaio, então com 79 anos, era pré-candidato a presidente pelo PSOL.

O que veio depois disso é uma história mais conhecida: Marina Silva se filiou ao PV e aderiu a um discurso conciliador, em que elogiava os 16 anos de política econômica de FHC e Lula. E o PSOL indicou Plínio de Arruda Sampaio como candidato a presidente.

Mas este processo significou muito mais do que uma simples disputa entre duas candidaturas a presidente: a derrota da posição da presidente de um partido de esquerda foi algo inédito no Brasil e mostrou que, no PSOL, a militância organizada nos núcleos de base tem força e voz para definir os rumos do partido. Continuar lendo

Os lados de Marina Silva e do PSOL em 2014

Por Fernando “Tostão” Silva

marinaA ex-senadora Marina Silva está decidida a lançar um novo partido e assim voltar a concorrer à Presidência da República em 2014. É o que podemos concluir das seguidas notícias deste mês na grande mídia, do ato de lançamento realizado em São Paulo em janeiro e confirmadas em redes sociais, inclusive pelo facebook da vereadora Heloísa Helena, que também esteve reunida com sua colega este mês.

Considerando que este tema suscita, desde 2009, um importante debate no interior do PSOL sobre a natureza dos movimentos políticos de Marina Silva, a ponto de setores e dirigentes importantes do partido virem desde então flertando abertamente com a ex-senadora, a questão exige um posicionamento, pois a questão deverá ser parte dos próximos debates partidários.

Depois de sair do PV, Marina Silva constituiu um movimento que prega uma “nova política”, demonstrando até um viés crítico à preponderância da forma institucional eleitoral de se fazer política no país e seus vícios conhecidos. Tal crítica gerou no interior deste movimento até uma corrente de opinião com forte resistência à criação de uma nova legenda partidária.

Mas, em sua essência e pelos setores e perfil que este movimento revela buscar com a legalização da nova legenda, o novo partido de Marina não é um fato progressivo para a reorganização da esquerda socialista, não é aliado na busca de um projeto anticapitalista de ruptura, capaz de vertebrar uma oposição política global tanto ao modelo lulista vigente como ao ideário de direita mais clássico representado pelo PSDB. Continuar lendo

A conversão política também tem impacto moral

Tarso: ao lado da burguesia contra os trabalhadores.

Tarso: ao lado da burguesia contra os trabalhadores.

O governador Tarso Genro escreveu um longo artigo sobre as relações entre a moral, a ética e política. Começa suas considerações mencionando as experiências de Robespierre e dos bolcheviques russos. Como qualquer pessoa que acompanha a política hoje sabe que o PT atualmente não tem absolutamente nada que ver com as ricas experiências da revolução francesa, tampouco com a revolução russa, vou me poupar de acompanhar Tarso em suas andanças por outros tempos. Concentro-me na parte para a qual ele realmente que nos levar em seu esforço. Diz claramente:

“ Um dos debates morais, de influência direta na política, que se trava aqui no Brasil no momento, está aberto pelo moralismo udenista, tanto promovido pela extrema esquerda anti-Lula, como pelo conglomerado demo-tucano. Trata-se da questão relacionada com a política de alianças, ou seja, a demonização do PT pela sua “abertura” na política de alianças. O ataque centra-se, principalmente, na consideração que o PT relaciona-se -para sermos delicados- com grupos e pessoas que tem métodos não republicanos de participação na gestão do Estado”.

Vamos antes acertar as palavras. Reconhecemos que o PSOL é um dos endereços que Tarso tenta criticar. Mas Tarso afirma sem demonstrar que somos a “extrema-esquerda”. O mais correto é que somos um partido de esquerda coerente. Tampouco é certo dizer que demonizamos o PT. Denunciamos, sem dúvida, as alianças que este partido tem feito. Mas usar a expressão demonizar é mais uma tentativa de desqualificar os críticos, já que identifica a política com ausência de racionalidade. E argumentos racionais sobram para desmascarar o PT. Finalmente, tenta comparar nossa política com o udenismo. Ora, esta é de longe a mais desqualificada afirmação. O udenismo representou uma política burguesa de direita contra Getúlio Vargas. Onde, quando, em que momento o PSOL teve uma política no sentido de apoiar golpes de direita contra o governo? Continuar lendo

Venha conhecer o PSOL: uma alternativa de lutas!

PSOL Rio das Ostras, núcleo Serramar, organiza debate com figuras públicas e parlamentares do partido.

busque psol
Data: 29 de janeiro de 2013, 18h30.
Local: PURO/UFF, Rua Recife, s/n, Jardim Bela Vista, Rio das Ostras, RJ.

Convidados:
Renato Cinco, vereador da cidade do Rio de Janeiro.
Edil Nunes, candidato a prefeito PSOL Nova Friburgo.
Cláudio Leitão, candidato a prefeito PSOL Cabo Frio (a confirmar).
Paulo Eduardo Gomes e Renatinho, vereadores de Niterói (a confirmar).
Professor Jonathan e Mel Marquer, candidatos a vereador PSOL Rio das Ostras.
Lena, candidata a prefeita PSOL Rio das Ostras (a confirmar).
E ainda a militância do PSOL na região das mais diversas frentes de luta.

Evento no facebook:
https://www.facebook.com/events/559275224100827/
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O PSOL cresce e se consolida como um alternativa contra hegemônica, anticapitalista, dinâmica, plural, classista, ética, radical na luta pela construção de um projeto de sociedade que seja justo para todos. Isto é, que combata a exploração e a opressão do homem pelo homem.

Em tempos de crise internacional e de retirada de direitos sociais, de capitulação de partidos e movimentos à ordem estabelecida, aos interesses do Capital, agravando a crise humana e ecológica em curso, é fundamental que trabalhadores e estudantes se organizem e construam instrumentos que se proponham à superação do modelo capitalista de desenvolvimento e construção societária. O PSOL se pretende uma dessas ferramentas e está acessível a todos que tenham disposição para as lutas e para assumir a defesa de seus princípios ideológicos e programáticos.

Venha conhecer a experiência de construção do partido no Estado do Rio, em cidades da região, especialmente em Rio das Ostras e some-se a esse esforço coletivo pela mudança necessária, pois como dizia o poeta, Nada Deve Parecer Natural, Nada Deve Parecer Impossível de Mudar.

Debate do Núcleo PSOL Serramar, célula Macaé. Interior: A mudança para além das eleições municipais. Dia 20 dez/12, quinta, 18h.

panfleto debate macaé 2012_02
Atividade do Núcleo PSOL Serramar, célula Macaé.
Debate. Interior: A mudança para além das eleições municipais. Dia 20 dez/12, quinta-feira, 18h, salão de festas LUPE, rua A, 65, Novo Visconde. Próximo a Academia Samara Jardim.
Com militantes que disputaram as eleições municipais no interior do estado: Flávio Serafini, cand. prefeito de Niterói, Erick Schunk, cand. prefeito de Campos, Professor Jonathan, cand. vereador em Rio das Ostras. Mediadora: Mel Marquer, cand, vereadora em Rio das Ostras, Mediador: Prof. Hélio Anthero, cand, vereador em Macaé.