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Professor Jonathan Vereador PSOL 50000

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Sou professor, esta é a profissão que escolhi porque acredito no diálogo e na aprendizagem mútua. Quando estava no ensino médio resolvi que iria lutar contra as desigualdades sociais. Não entendia na época porque estas desigualdades ocorriam, mas resolvi que era necessário entender e lutar para que tanta exclusão e opressão acabassem. Com o tempo, entendi que é o sistema capitalista que forja estas desigualdades. E, por isto, comecei a militar para construir um projeto de sociedade diferente, onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres, um projeto socialista.

Agora, mais uma vez, me foi incumbida a tarefa de, durante as eleições municipais de 2016, disputar o cargo de vereador para o município de Rio das Ostras, onde moro desde os 11 anos. Rio das Ostras, uma cidade tão linda e tão desigual, uma cidade governada para poucos que precisa dizer que não aguenta mais a política coronelista sob a qual vem sendo administrada desde sua emancipação.

Nunca houve um vereador de oposição na câmara. Todos estão sob as mesmas legendas partidárias, todos fazem parte de coligações amplas que só vislumbram a eleição a qualquer custo, todos são financiados pelos mesmos grupos econômicos, ora verdes, ora laranjas. Algumas vezes, alguns grupos fazem o “papel” de oposição, como num teatro onde tudo se combina e é necessário haver antagonistas (para que não surja um de verdade). Por isto mesmo, a Câmara não cumpre seu papel de fiscalizar os atos do executivo.

Nós do PSOL, acreditamos que o vereador não pode ter rabo preso nem com empresários, nem com governos, por isto lançamos nossas candidaturas à Casa Legislativa e à Executiva sem coligações e sem financiamentos empresariais.

Convido todos a construírem conosco as nossas campanhas. Curta a minha página no facebook ( Professor Jonathan 50000 Vereador) onde apresentaremos nossas propostas e convocaremos para nossas atividades. Curta também a página de nossa candidata a prefeitaWinnie Freitas 50 PSOL!

Só a luta muda a vida!

Winnie Freitas candidata a prefeita de Rio das Ostras PSOL 50

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Eu, Winnie Freitas 50 PSOL, acredito que a luta é o caminho! E é por isso que me coloco como candidata para denunciar o descaso em que a cidade vive: a falta de médicos nos postos de saúde e hospitais, a falta de investimentos nos serviços públicos, a falta de segurança, a deficiência do transporte e principalmente as prioridades da velha política, que tem dinheiro para Odebrecht e não para garantir políticas públicas, como saúde e educação!!! Pretendo dar voz a população e aos movimentos sociais!!

Assista aos vídeos:
http://bit.ly/2bqxNBC
http://bit.ly/2bBDYQq
http://bit.ly/2brCmdJ

Em Rio das Ostras você tem opção!!
Winnie Freitas, prefeita, PSOL Rio das Ostras 50!

Apoio também a candidatura do Professor Jonathan 50000 Vereador e da Maria Beatriz Winnie FreitasVereadora, que sempre estiveram comigo na luta e se candidatam com o objetivo de defender a mesma política!

#PSOL50
#RiodasOstras #RO
#EleiçõesRiodasOstras
#SóaLutaMudaaVida
#LugardeMulheréNaLuta

Agenda

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Professor Luciano 50072 PSOL Deputado Estadual

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Evento: https://www.facebook.com/events/253771551413382/?ref_dashboard_filter=upcoming
Curta a página: https://www.facebook.com/professorlucianopsol?ref=hl
e olhe o nosso site: https://professorluciano50072.wordpress.com/

“O Sol há de brilhar mais uma vez” (Nelson Cavaquinho)

Nós do PSOL queremos convidar você a conhecer as nossas candidaturas. Acreditamos que os governos servem aos interesses dos empresários que financiam suas campanhas eleitorais em vez de investirem na melhoria dos serviços públicos.

Diferentemente de milionárias campanhas que toda eleição vemos por aí, a nossa se faz com pé no chão e ideal. Não aceitamos dinheiro de empreiteiras e das máfias do transporte. Empresa não doa, ela investe. Uma boa dica para conhecer um político é saber quem financia seu partido e sua campanha.

“Foi ali que eu vi o contraste: duas cidades numa cidade” (Gíria Vermelha)

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Rio das Ostras é uma rica cidade porque recebe muitos royalties do Petróleo. Mas vemos na cidade, como em toda região, muitas desigualdades sociais. Isto porque a cidade é governada para os ricos que promovem a especulação imobiliária que polui, desmata, degrada o meio ambiente e gera exclusão social.

A Copa do Mundo foi uma demonstração de que o compromisso dos governos é com os empreiteiros. Gastaram-se milhões construindo estádios na Amazônia e no Pantanal onde nem existem grandes clubes de futebol. Porém, a educação e a saúde estão abandonadas. Queremos que o dinheiro público seja voltado para garantir uma vida melhor para o povo, com educação, saúde e transporte públicos de qualidade e não para favorecer as obras das construtoras.

A desigualdade que existe em Rio das Ostras está cada vez mais clara: para mães e pais que tentam vagas para os seus filhos nas creches do Município; para as pessoas que ficam doentes e têm de ficar nas filas do pronto socorro; para professores que têm de trabalhar em turmas com 40 alunos; para os servidores municipais que possuem um Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos que não reflete as necessidades dos profissionais; para a população de jovens e adultos que tenta estudar e não encontram vagas nas pouquíssimas unidades que oferecem EJA; para os estudantes de Ensino Médio que têm poucas opções de escolas; para os estudantes da UFF que pedem responsabilidade ao Governo Municipal e ao MEC para a manutenção da Universidade Federal no Município com qualidade; para a juventude que não tem direito ao passe-livre; e para todos os habitantes que vivenciam o caos perdendo horas no trânsito.

“Eu vou à luta com essa juventude que não corre da raia a troco de nada…” (Gonzaguinha)

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Os protestos de Junho de 2013 foram a explosão do que temos visto nos últimos anos. Diversas manifestações de insatisfação e em quase todas a juventude teve um papel protagonista. É importante lembrar o Grito dos Excluídos (07/09/2011) como o momento de consolidação dos movimentos sociais na cidade.

Diversas manifestações evidenciam o avanço na consciência dos trabalhadores de que É PRECISO LUTAR, e para além de lutar, LUTAR DE MANEIRA CONJUNTA OCUPANDO AS RUAS. Como exemplo temos as manifestações dos alunos da UFF, a luta do SOS Enseada, A ocupação de terra Arlindo Martins no Mar do Norte, a paralisação dos professores, a greve dos Guardas e a greve dos Servidores Municipais (por melhorias salariais e condições de trabalho), além do surgimento dos movimentos Vem Pra Rua e Chega de Estupros em Rio das Ostras, dentre outras.

Se os patrões têm os seus partidos, os trabalhadores têm que construir o seu!

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O Partido Socialismo e Liberdade em Rio das Ostras participou ativamente da construção de várias destas manifestações. Entendemos que a mudança para o povo virá da luta do povo organizado. Nós, que estamos em todos estes movimentos junto ao povo (porque somos parte dele) não poderíamos deixar de apresentar uma candidatura socialista que represente as lutas e os anseios do nosso povo. Para nós mais importante que o seu voto é a construção das lutas do povo no seu dia-dia e para isso convidamos a quem concordar com nossas ideias a se juntar a nós se filiando ao PSOL para lutar “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo).

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Apresentamos o nome do Professor Luciano como uma figura capaz de representar o nosso projeto político elaborado coletivamente, capaz de defender os interesses do povo. Essa candidatura vai apresentar como propostas os acúmulos dos movimentos sociais e do movimento sindical, entendendo que um deputado estadual deve levar as propostas oriundas das lutas do povo organizado para dentro da ALERJ.

A primeira Greve do Serviço Público Municipal em Rio das Ostras

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Jonathan Mendonça – Professor da Rede Pública de Ensino de Rio das Ostras e Macaé e militante do Campo Luta Educadora

O Movimento de Junho abriu caminho para a reorganização dos trabalhadores no Brasil. No estado e Município do Rio de Janeiro, o movimento grevista dos professores inspirou diversos outros setores, inclusive de outras cidades a resgatar a GREVE, esta importante ferramenta de luta da classe trabalhadora.

Em Rio das Ostras, os trabalhadores do serviço público municipal, após uma greve dos guardas municipais, paralisação de professores, grandes movimentos de junho, ocupação de câmara, grito dos excluídos, fora Cabral e outros diversos movimentos construídos pelos ativistas da cidade, definiram em assembleia por uma greve. Esta greve viria em decorrência da falta de diálogo do prefeito com o sindicato para tratar as questões do aumento salarial, valorização profissional e condições de trabalho (em resumo).
O prefeito, durante cerca de 2 meses não abriu diálogo, embora, já durante a greve, tenha afirmado na mídia local, TV, jornal, rádio, televisão e através de informativos da prefeitura com este fim, de que “sempre esteve aberto ao diálogo”, e que “Rio das Ostras não possui dinheiro para um aumento superior ao proposto”, de 5,69%.
A Câmara dos vereadores aprovou o projeto enviado pelo prefeito em duas votações em 12 e 13/11, sob muitos protestos dos servidores. O presidente da casa, vereador Nini, restringiu o número de pessoas na casa e proibiu a entrada com instrumentos que pudessem “fazer barulho”, além de proibir o uso de celular (com o intuito de não deixar filmar a sessão).
Alguns dos vereadores que eram oposição no governo passado aproximaram seus discursos dos servidores para ganhar a simpatia deste setor. Carlos Afonso, antigo presidente da casa, corresponsável pela criação das 4 Secretarias que escandalizaram a cidade, pelo aumento de 220% para os vereadores, pela aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos sem a participação dos servidores, dentre outros, agora coloca-se como oposição, dizendo que está do lado do servidor junto a outros vereadores.
Do outro lado, o presidente da casa, Nini, que no governo laranja de Carlos Augusto (PMDB) se demonstrava como oposição, inclusive “dialogando” com o sindicato, hoje, aprova junto a outros vereadores a reposição salarial à revelia do que querem os servidores. Também mantém na casa um Regimento Interno que impede todos os assistentes de se expressarem e os populares de utilizarem o Púlpito.

Na verdade, nenhum destes setores está do lado dos servidores. Estão criando uma guerra interna para disputa da presidência da casa. E ESTA GUERRA NÃO É NOSSA! No momento que for necessário eles se juntarão contra a população como já vimos diversas vezes nas homéricas oscilações de parceria entre Carlos Augusto, Sabino, Gelson e ‘Broter’.
Por tudo isto, fez-se necessário um movimento grevista. Entretanto, o SindServ (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio das Ostras) demorou muito para dar respostas. A prática CUTista de priorizar a institucionalidade fez com que o movimento perdesse o momento histórico de modo que a greve só tenha sido deflagrada após a aprovação do dissídio.
Em diversos outros momentos, ficou evidente que a direção do sindicato recuava quando era necessário avançar. Defendemos a construção da greve desde o início deste processo e acreditamos que a direção, muitas vezes sob o falso argumento da inviabilidade jurídica, desmobilizou setores importantes na construção deste movimento.
Acreditamos que o sindicato tenha de se responsabilizar pela construção da greve, garantindo a estrutura, rodando as bases para mobilizar, estando de frente e avançando a consciência dos trabalhadores para a necessidade de ações que constranjam a inércia do governo diante o diálogo com a categoria.
Saímos desta greve com muitos aprendizados e com a certeza de que esta foi um dos momentos mais importantes da história política da cidade: A primeira greve dos servidores públicos municipais. Agora, temos de repetir os acertos e não cometer os mesmos erros rumo à construção de uma nova mobilização mais estruturada que obrigue o governo a recuar e traga novas vitórias aos servidores.

O governo fascistoide e oligárquico de Rio das Ostras e os fantoches da Câmara Municipal

Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro*

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A situação política em Rio das Ostras é caracterizada, faz algum tempo, pela dicotomia eleitoral entre duas facções políticas: os “verdes”, personificados pelo atual prefeito Sabino (PSC), e os “laranjas”, comandados pelo ex-prefeito Carlos Augusto Carvalho Balthazar (PMDB). Ambos são aliados do atual governador do Rio Sérgio Cabral. Verde e laranja são cores de um mesmo borrão, faces de uma mesma moeda – a moeda dos grupos econômicos que estão por trás deles e que financiam suas campanhas eleitorais. Se apoiam nos mesmos grupos econômicos, e governam com os mesmos métodos e o mesmo modelo. As origens dessa história foram relatadas de forma esclarecedora pelo jornalista Benoni Alencar, assassinado em Rio das Ostras (setembro de 2011) logo após publicar o artigo “Verde e laranja, cores de um mesmo borrão” no site do PSOL Serramar. Veja um trecho deste artigo:

O próprio Sabino – e é isso que quero contar – só chegaria à condição de chefão da política riostrense por causa de uma briga entre o primeiro prefeito municipal, Cláudio Ribeiro, e os financiadores da política local. O hoje deputado [Sabino] contou-me a longa história, na presença de um amigo dele de infância, o médico Cláudio Alencar do Rego Barros. Vou procurar resumi-la. Cláudio Ribeiro, comerciante do ramo de marmoraria e vereador à Câmara de Casimiro de Abreu, disputou a eleição do município recém-emancipado — tendo como adversários o também vereador Gélson Apicelo, segundo mais votado, e o então bancário magricela Alcebíades Sabino, terceiro.
Na metade do mandado, quando se achava com a popularidade mais baixa que rabo de cobra, Cláudio Ribeiro chamou Sabino ao seu gabinete de prefeito, e lhe disse que iria iniciar uma nova etapa do mandado, necessitando do seu apoio. Revela, então, que rompera com os que haviam financiado sua eleição, dirigindo-lhes estas palavras: “Vocês já roubaram o suficiente; agora é minha hora de atender meus compromissos com os eleitores, governando para a cidade”. Ou seja, Cláudio colocava ponto final na roubalheira que permitira até ali, e agora queria recuperar o respeito do povo — que o tratava carinhosamente de “Coronel”, retribuição a um tratamento que Cláudio, homem comunicativo e cheio de energia, contando pouco mais de 40 anos, dispensava a todos que se acercavam dele. Olhou duramente os olhos de Sabino, e segredou-lhe, em voz reveladora de medo. “Esses homens são capazes de tudo, até de me matar. Por isso escolhi você para me apoiar, com seu grupo”.
Assassinado menos de dois meses depois, Cláudio Ribeiro expôs o seguinte plano. Desembaraçado dos sugadores do magro Orçamento municipal (não havia ainda o pote de ouro dos royalties do petróleo), recuperaria a popularidade, e apoiaria Sabino na sucessão (também não havia ainda a reeleição). Sabino, em contrapartida, deveria dar-lhe suporte na guerra “política” que eclodiria na cidade a partir daquele rompimento. Cético quando à possibilidade de Cláudio dar a volta por cima na sua impopularidade, Sabino prometeu dar resposta depois e pôs uma pedra sobre o assunto. Agoniado com a enrascada em que estava metido, Cláudio Ribeiro decidiu pôr o carro adiante dos bois, fazendo publicar nos jornais municipais, que controlava por meio das subvenções que dispensava à imprensa, a seguinte manchete: “Sabino é o candidato de Cláudio à sua sucessão”.
Sabino tremeu quando viu impressa aquela ameaça, no alto da página. Lastimou com seus botões a leviandade de Cláudio, que não esperara sua resposta – que seria negativa. Coronel, àquela altura da sua infeliz administração, não tinha prestígio para eleger sequer um vereadorzinho pescado em sobra de legenda. Imagine-se fazer o sucessor. Enquanto o magricela bancário digeria fel com que Cláudio o “mimava”, remoendo formas de minimizar os estragos que aquilo causava aos seus planos eleitorais, explode a bomba. Dois pistoleiros de aluguel, vindos do Rio, contratados pelos que Cláudio frustrara com sua decisão de acabar com a roubalheira, mataram-no com vários tiros nas costas, no seu sítio em Vila Verde, em pleno meio dia.
Eu ainda morava em Niterói, e havia passado em Rio das Ostras um dos adoráveis fins-de semana que costumava desfrutar aqui, no verão, quando me deparei com a nota do assassinato de Cláudio Ribeiro na minha mesa de redator do “Jornal do Commercio”, do Rio, cabendo-me editar a notícia. Fi-lo com angústia. Em aqui voltando, semanas depois, soube do resto da história. O povo compreendeu a tragédia de seu querido Coronel, perdoou-o pelos anos de mau governo, e fez do enterro dele a maior manifestação popular da história de Rio das Ostras — até não superada. A bem dizer ninguém ficou em casa – todos foram para a rua em lágrimas, levar o esquife do prefeito ao cemitério. Sabino seria confirmado, pela viúva de Cláudio, como o escolhido dele para a sucessão, e logrou eleger-se, derrotando o então favorito Gélson Apicelo, do PDT. Detalhe: a vice de Coronel, que completaria seu mandato, era também do PDT.
A história dessa tragédia, que relembro ainda com emoção, mostra como a política de Rio das Ostras é governada pelos financiadores de campanha, que recuperam o capital investido, multiplicado várias vezes, com os contratos que celebram com a Prefeitura durante o mandato do pupilo eleito. Contratos — ou votos para deputado na eleição seguinte […].
E este é o motivo, a meu ver, pelo qual nunca a política em Rio das Ostras se renova. Numa eleição sobem os verdes; na outra, os laranjas. Por detrás, sem visibilidade clara para os eleitores, os que nunca perdem eleição — os financiadores doublés de contratantes da Prefeitura, ou de deputados “benfeitores do município”, na expressão com que os prefeitos (laranja ou verdes) os apresentam à população.

Portanto, o governo municipal não está a serviço da população de Rio das Ostras, mas está encarregado de aplicar as políticas que seguirão beneficiando os próprios ricos – a oligarquia que domina o município, isto é, o grupo dominante local que usa o seu predomínio econômico para exercer o controle do âmbito político.
Assim, os políticos de Rio das Ostras não querem uma democracia (governo do povo), mas defendem com unhas e dentes – e mandando matar também, de acordo com o histórico desta cidade – a plutocracia aqui existente. [Plutocracia: sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico.] Querem manter as coisas como elas estão.
Por isso, qualquer questionamento ao governo dos ricos de Rio das Ostras, os poderosos costumam reagir com extrema violência, mentindo e usando métodos típicos do que se convenciona a chamar de “guerra suja”. A sensação de impotência os deixa desesperado. Exemplo disso é a tentativa de desarticular e de criminalizar os movimentos sociais populares, como o Vem Pra Rua Rio das Ostras, e o movimento dos servidores públicos na luta por salários dignos e condições de trabalho.
Em relação aos servidores públicos, o prefeito Sabino, com sua retórica autoritária e suas atitudes fascistoides, tem tentado a todo custo oprimi-los, humilhá-los. O prefeito se nega a negociar um Acordo Coletivo de Trabalho. Recusa-se ao diálogo. Desrespeita a data-base dos servidores, que é em outubro, encaminhando uma proposta de reajuste de 5,69% valendo somente a partir do mês de novembro – os servidores estão sendo roubados em um mês ou a prefeitura acaba de instituir o ano de 13 meses. Oferece uma palestra aos servidores intitulada “Como ser feliz na família, na vida e no trabalho”, ministrada pelo “renomado” Daniel Godri – quanto custou aos cofres públicos essa palestra??????????? A palestra se resume na seguinte mensagem: o problema dos servidores públicos de Rio das Ostras não é uma questão salarial, o que está faltando é motivação, ânimo, abraçar a política oligárquica do prefeito Sabino. Entre as muitas metáforas usadas para “fundamentar” a mensagem do prefeito (manda quem pode obedece quem tem juízo), o palestrante afirma que o servidor tinha que ser como o cachorro. Ou seja, quando o dono (Prefeito) ordenar late, todo mundo late; quando o dono (Prefeito) ordenar abane o rabo, todo mundo abana o rabo. Depois de explicar o que é um funcionário “cachorro”, o palestrante solicita que a plateia reunida na quadra do C.M. Profa América Abdalla, no dia 31/10/2013, latisse demonstrando ter aprendido a lição. E não é que a plateia late animadamente. O prefeito, lá presente, não esconde a satisfação, com um largo sorriso, de ver o pessoal com cargos comissionados, servidores em função gratificada, servidores contratados e estatutários se submetendo aquela situação de degradação do ser humano. Aliás, a palestra, em sua essência, se mostra um espetáculo de stund-up comedy em que o motivo de piada é o servidor público de Rio das Ostras.

Agora, incomodado com as manifestações de insatisfação dos servidores públicos e com a iminente greve geral da próxima terça-feira, dia 12/11, o prefeito Sabino, na manhã desta quarta-feira (6/11), ORDENOU aos vereadores que votassem na próxima sexta-feira (8/11) o projeto de reajuste por ele encaminhado. Como fantoches do prefeito – pois assim eles estão se comportando – os vereadores já começam as manobras para cumprir as ordens do Chefe. Os vereadores conseguem se rebaixar cada vez mais e no ritmo que estão atingirão a camada de pré-sal antes da Petrobras. Em total desrespeito e falta de palavra com os servidores públicos, os vereadores de Rio das Ostras estão mostrando sua subserviência, sua relação de vassalagem e o seu compromisso com a oligarquia que domina a política desta cidade e exploram e oprimem a população riostrense. Os vereadores deveriam ter vergonha de se autodenominarem “representantes do povo”, pois, com a postura que estão tendo, não passam de figuras decorativas, abanando o rabo e latindo para os donos do poder de Rio das Ostras, representados na pessoa do prefeito Sabino.

NEM MAIS UM MINUTO, SERVIDOR!!! GREVE!!! GREVE!!! GREVE!!! DIA 12 VAI CHEGAR E A CIDADE VAI PARAR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Onde há luta tudo é conquistável e potencialmente perdível. Mas onde não há luta a derrota é certa.

Transformar a indignação numa atmosfera de combatividade crescente dos servidores públicos será um avanço. Será um golpe importante na engrenagem da máquina pública municipal, assentada no mandonismo, no clientelismo, no nepotismo e na repressão (de várias ordens). Será um passo importante para forçar a democratização das relações poder público X cidadãos no município de Rio das Ostras.

* Professor de História da Rede Municipal de Ensino Público de Rio das Ostras. Matrícula: 6273-1. Lotado na Escola Municipal Padre José Dilson Dórea, bairro Âncora, Rio das Ostras.

Em Rio das Ostras, o servidor público não precisa de salário digno, o que está faltando é motivação apenas

Por Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro*
Quinta-feira, 31 de outubro de 2013, último dia do mês da data-base para o reajuste salarial do funcionalismo público de Rio das Ostras. O Prefeito do município, ou, para satisfazer o ego do mesmo, o “Chefe Supremo” da cidade-Estado da “Pérola entre o rio e o mar”, achou melhor não apresentar um projeto de aumento salarial para os servidores públicos. Depois de muitos estudos, resolveu contemplar os serviçais, perdão!, quis dizer os servidores, com uma palestra motivacional ministrada pelo “renomado” Daniel Godri, intitulada “Como ser feliz na família, na vida e no trabalho”. A palestra aconteceu na quadra do Colégio Municipal Professora América Abdalla, no centro desta cidade. Lá estavam presentes o “Chefe Supremo” e seus agregados, membros do Conselho Consultivo de Rio das Ostras, mais uma vez perdão!, quis dizer Câmara Municipal de Rio das Ostras, o pessoal com cargos comissionados, servidores em função gratificada, servidores contratados e estatutários. Ah!!! Havia também um pequeno grupo de “vândalos” e “baderneiros” reclamando pelo reajuste salarial e condições de trabalho dignas aos servidores públicos – eu estava no meio deste grupo de servidores que ficaram insistindo em querer exigir reajuste para os servidores na sua data-base, fazendo “pirracinha” para que se tenha um Acordo Coletivo de Trabalho, com a proposta de 21,4% de aumento, sendo 6,38% de inflação (INPC), 11,52% de reposição de perdas e 3,5% de ganho real, conforme estudo do DIEESE, entre outras demandas dos servidores públicos de Rio das Ostras.
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Na visão da “Pérola das pérolas” – outro título pomposo do “Chefe Supremo” – seria um equívoco dar aumento salarial aos servidores públicos, mesmo existindo cinco categorias atualmente ganhando menos de um salário mínimo. O argumento do “Ungido” – mais um título pomposo para o alcaide eleito com aproximadamente 70% dos votos válidos nas eleições de 2012 – é o seguinte. Para ele é preciso pensar politicamente. Se ele der o aumento exigido pelos servidores, terá que dar mais na próxima eleição. A estratégia, portanto, é dar pouco agora, para lá na frente “ficar bonzinho” e garantir a reeleição, conforme seria exposto pelo “Chefe Supremo” em almoço com alguns vereadores no dia 23 de outubro, no Restaurante do Dudu. Resumindo, o reajuste dos servidores públicos fica a mercê dos interesses eleitoreiros da medíocre classe política de Rio das Ostras, ou seja, dos “coronelzinhos” que não aceitam o princípio da soberania popular – “O governo do povo, pelo povo e para o povo” (Abraham Lincoln). Os políticos de Rio das Ostras não querem uma democracia, mas defendem com unhas e dentes – e mandando matar também, de acordo com o histórico desta cidade – a plutocracia aqui existente. [Plutocracia: sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico.] Querem manter as coisas como elas estão. Isto é, nas eleições, a margem de escolha popular se reduz a decidir quem entre os representantes dos ricos será o encarregado de aplicar as políticas que seguirão beneficiando os próprios ricos. Em vez de soberania popular, defendem o governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos.
Por isso, pensando politicamente, o “Chefe Supremo” contratou, com o meu, com o seu, com o nosso dinheiro, os serviços do “renomado” palestrante Daniel Godri, para que, de uma maneira dinâmica, bem humorada e em linguagem atual e direta (clichês), garantisse a retenção da mensagem do “Chefe Supremo”: o problema do servidor público não é salarial, mas apenas uma questão de motivação, de ânimo, dele se doar em prol do próximo, abraçar, em uma profissão de fé, sua condição de servidor público. O resto (salário) não tem a menor importância.
O “renomado” palestrante utilizou de muitas metáforas. Entre elas, de que o servidor público deveria ser como um cachorro. Ou seja, fiel e obediente ao seu dono. Quando o dono (Prefeito) ordenar late, todo mundo late. Quando o dono (Prefeito) ordenar abane o rabo, todo mundo abana o rabo. O palestrante solicitou que a plateia latisse e foi atendido prontamente. O Prefeito não escondeu a satisfação de ver seus “cachorrinhos” latindo animadamente. O Prefeito deve ter pensado: “estão no papo!”. Porém, insistentemente, continuou um grupo de “baderneiros” levantando faixas de protesto contra a ausência de aumento salarial para os servidores e protestando contra aquela situação humilhante que a plateia estava sendo submetida – evidentemente que cada uma das pessoas ali presentes deveria ter seu motivo, justificável ou não, para se prestar como figurante daquela cena deprimente. Eu estava no alto de uma das arquibancadas da quadra e daquele ângulo a cena que se passava frente aos meus olhos mais do que deprimente era de degradação do ser humano – um reality tipicamente grotesco, trash.
Apelando para a fé das pessoas ali presentes, o “renomado” palestrante recorreu à imagem de Jesus Cristo para solicitar que as pessoas tenham “resiliência” para com as dificuldades que enfrentam (ausência de um reajuste que garanta salários condignos aos servidores) e que depositem sua confiança no Prefeito, que ele precisa de servidores animados, motivados para assegurar o melhor para a cidade. Utilizou os mesmos argumentos que a Igreja Católica Apostólica Romana usava para pedir “resiliência” aos indígenas, africanos e seus descendentes submetidos às cruéis condições de exploração do sistema colonial escravista existente nas colônias de Portugal e Espanha aqui no continente americano.
Bem, na lógica defendida pelo “renomado” palestrante, os pobres não são pobres porque vivemos em um mundo marcado pela exploração do homem pelo homem, marcado por uma escandalosa desigualdade social, mas porque os pobres não correm atrás para melhorar de vida, não se motivam a subir de vida, a ascender socialmente. Em suma, as causas para a existência de um bilhão de pessoas que não tem o que comer (uma em cada sete pessoas passa fome no mundo) e para o fato de que a cada três segundos, alguém morre de fome (dados da FAO/ONU) não estariam articuladas com o injusto sistema de exploração capitalista (defendido pelo “renomado” palestrante no início de sua apresentação), mas com a falta de motivação destas pessoas famintas – elas passam fome porque querem, elas não tem dinheiro para comprar comida porque não querem trabalhar e por aí vai… Ou seja, o oprimido é o culpado pelos seus infortúnios. Seguindo a lógica, a culpa nunca é, por exemplo, do estuprador, mas do estuprado, que não estava motivado para evitar aquela situação.
Trazendo para o caso dos servidores públicos de Rio das Ostras: se eles estão passando por dificuldades financeiras e falta de condições de trabalho, o problema não é do Prefeito, nem dos vereadores, muito menos dos secretários e pessoal dos cargos comissionados, que estão ali apenas cumprindo ordens, ou na boca do povo da cidade, não passam de “paus mandados”. Portanto, a culpa é sua, servidor!!!!! Você que não tem motivação para administrar bem o seu salário e você que não tem “resiliência” para se ajustar ao ambiente de trabalho, improvisando soluções, etc., etc., etc… É uma injustiça os servidores ficarem reclamando aumento de salário. Pela lógica do “renomado” palestrante, qual o problema ter servidor público ganhando menos de um salário mínimo? Nada que uma boa motivação apenas não resolva. Nada como assistir uma palestra do “renomado” Daniel Godri para ser estimulado a deixar de reclamar por melhores salários e desenvolver a tal da “resiliência”.
Ora, “resiliência” não enche barriga de ninguém, nem paga as contas do servidor com água, luz, aluguel… E os mandatários da cidade sabem disso muito bem. Tanto que em dezembro de 2012, os vereadores se concederam um aumento de 220%. Tanto que o salário do Prefeito é de R$ 26.916,09 – aliás, o prefeito mais bem pago do Brasil. Para motivar o Prefeito e os vereadores, só dinheiro, o que confirma a existência de uma plutocracia em Rio das Ostras. E para os servidores “cachorros”, só resta abanar o rabo e latir seguindo os comandos do “Chefe Supremo” na esperança de que venha algum pedaço de osso.
Diante da política de pilhagem a que estão sendo submetidos os servidores públicos de Rio das Ostras, A LUTA É MAIS DO QUE JUSTA. Não se pode aceitar o argumento de equilíbrio das contas públicas para justificar a violação dos direitos, mais do que legítimos, dos servidores. Não se pode aceitar a regra dos donos do poder de “socialização dos prejuízos”, afetando seriamente os serviços públicos que assistem à população mais pobre (educação e saúde).
Conforme salienta o jornalista português e militante comunista Miguel Urbano Rodrigues:
A história ensina que na vida dos povos vítimas de uma opressão intolerável, as grandes lutas fermentam por tempo variável até que eles se levantam em explosões sociais vitoriosas. Então exercem o direito de resistência e à rebelião – direito que é antiquíssimo e consta do artigo 2º da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão promulgada pela Revolução Francesa de 1789. É o direito à resistência contra a opressão econômica e social, direito que, após os horrores da Segunda Guerra Mundial, foi incluído na Declaração Universal dos Direitos do Homem (artigos 22 a 25).
A Constituição da Republica Federativa do Brasil menciona-o no artigo 9. Como consta abaixo:
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
Ora, o direito de greve é uma das formas de se exercer, ainda que parcialmente, o direito à resistência contra a opressão econômica. Opressão a que estão sendo submetidos os servidores públicos de Rio das Ostras.
NEM MAIS UM MINUTO, SERVIDOR!!! GREVE!!! GREVE!!! GREVE!!!
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Onde há luta tudo é conquistável e potencialmente perdível. Mas onde não há luta a derrota é certa.
Transformar a indignação numa atmosfera de combatividade crescente dos servidores públicos será um avanço. Será um golpe importante na engrenagem da máquina pública municipal, assentada no mandonismo, no clientelismo, no nepotismo e na repressão (de várias ordens). Será um passo importante para forçar a democratização das relações poder público X cidadãos no município de Rio das Ostras.
* Professor de História da Rede Municipal de Ensino Público de Rio das Ostras. Matrícula: 6273-1. Lotado na Escola Municipal Padre José Dilson Dórea, bairro Âncora, Rio das Ostras.

Guerra entre Estados pelos Royalties e o povo com isso?

Por Luciano da Silva Barboza                                                                                         Historiador e Mestre em Planejamento Urbano e Regional pelo IPPUR- UFRJ

A aprovação na câmara da emenda sobre a distribuição para todos os Estados dos royalties do petróleo fará a receita dos Estados produtores (Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo) diminuir drasticamente, pois a disputa entre os Estados pelos royalties do petróleo envolve R$ 31,5 bilhões.

 

O governador do RJ Sérgio Cabral Filho (PMDB) é uma figura muito importante na base de apoio ao governo Dilma, e juntamente com os prefeitos da região petrolífera do RJ (Macaé, Campos, Rio das Ostras…) reclamou contra tal medida com o governo petista, ameaçando romper a aliança com PT no RJ, o que levou aos vetos de Lula à Lei dos Royalties e depois de Dilma (impedindo a partilha de contratos de campos já em fase de exploração). No dia 6/3/2013 esses vetos foram derrubados pelo congresso nacional, passando a lei a valer tanto para campos novos quanto para as áreas já licitadas.

A bancada parlamentar do RJ se retirou desta votação, indignada com a truculência do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) na condução dos trabalhos. Governadores, deputados e senadores dos Estados produtores foram ao Supremo Tribunal Federal e entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin). A decisão da ministra Cármen Lúcia suspendeu a nova fórmula de partilha dos royalties do petróleo aprovada pelo congresso nacional. Porém, o Senado recorreu ao STF contra a decisão da ministra.

Enquanto a guerra judicial prossegue, Sabino (PSC) prefeito de Rio das Ostras eleito recentemente, já faz terrorismo com a população afirmando que se os royalties acabarem a cidade vai parar seu funcionamento por falta de verbas e os funcionários públicos perderam todas as gratificações. Sérgio Cabral faz o mesmo dizendo que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão comprometidas por falta de investimentos do governo do Estado.

Por outro lado, com a visão oposta a dos Estados produtores de petróleo, todos os outros Estados comemoram a renda extra que vira do petróleo e prometem maior desenvolvimento econômico e social de seus municípios.

O debate mais importante e que não aparece na grande mídia é onde tem sido investido o dinheiro dos royalties do petróleo e como deve ser investido. Outro questionamento importante é: o dinheiro já recebido pelos Estados produtores foi investido em questões ambientais e sociais? Será que o município de Campos – RJ como maior produtor de petróleo, se tornou uma cidade com menos desigualdade social depois que recebeu os royalties? Infelizmente sabemos que as respostas são NÃO, e que muitas vezes esse dinheiro dos royalties desaparece através de uma intensa corrupção nas cidades produtoras de petróleo.

O deputado estadual do PSOL Marcelo Freixo disse na Assembleia Legislativa do RJ “Tem que acabar com a caixa-preta dos royalties de boa parte dos municípios do RJ, proponho que a verba dos royalties seja carimbada e com controle social”. Além de abrir a caixa preta, é necessário amenizar os danos ambientais provocadas pela retirada do petróleo e construir infraestrutura urbana nas regiões produtoras de petróleo para evitar o processo de crescimento de favelas que esta ocorrendo em larga escala no município de Macaé, por exemplo.

O debate sobre as matrizes energéticas foi esquecido e atropelado por uma abordagem corporativista/regionalista/localista dos produtores de petróleo. Essa abordagem não compreende que o debate fundamental é outro: a necessidade de superação do combustível fóssil que é destrutivo e poluidor colocando em seu lugar uma energia limpa e sustentável.

O investimento em regiões não produtoras de petróleo é essencial para evitar o êxodo rural e para diminuir as desigualdades regionais, porém não basta só isso, e necessário uma nova matriz energética não poluente, que utilize energias alternativas como a eólica e a solar. Além disso, a verba dos royalties tem que ser carimbada e com controle social.

Somente com um planejamento regional por parte do governo federal que combata as desigualdades regionais e com uma Petrobras 100% estatal sob o controle dos trabalhadores, poderemos enfrentar os problemas regionais brasileiros que mantém há décadas uma grande concentração de capital na região sudeste em detrimento das demais regiões.

Aldeia Maracanã – A resistência pacífica e cultural contra as políticas de remoções

Por Leandro dos Santos

Nessa ultima semana do mês de março temos acompanhado nos jornais as inúmeras reportagens tratando do caso Aldeia Maracanã. Assistimos ao vivo em rede nacional o desrespeito e a brutalidade empregada pelo Estado contra índios e manifestantes na remoção da Aldeia Maracanã. Mas qual o motivo de toda essa mobilização? Quais os interesses que cercam aquele prédio? Qual a conjuntura histórica, política e ideológica que ronda esse caso? Vamos conhecer um pouco mais.

Aldeia Maracanã – História

imagem-300x210O prédio do antigo Museu do Índio localizado na Avenida Radial Oeste próximo ao Estádio Jornalista Mario Filho (Estádio Maracanã) tem aproximadamente 147 anos de história que correm o risco de serem jogados a baixo. Importante monumento histórico não só da cidade do Rio de Janeiro, mas do Brasil como um todo, pertenceu ao Duque de Saxe que o doou para ser transformado em um centro de pesquisas sobre a cultura indígena. Foi casa de Marechal Cândido Rondon e responsável por abrigar a sede do SPI – Serviço de Proteção ao Índio (1910), órgão que prestava assistência às populações indígenas antes da criação da FUNAI. Presidido por Marechal Cândido Rondon o prédio se tornou abrigo da primeira instituição de proteção indígena e de estudo de ervas medicinais da América Latina.

Também foi, na hoje apelidada de Aldeia Maracanã, que nasceu o projeto de criação do Parque do Xingu, uma das mais importantes reservas indígenas do Brasil. Já em 1953 o prédio é transformado em Museu do Índio por Darcy Ribeiro. Com a transferência do museu do índio para o bairro de Botafogo em 1977 o prédio fica por 30 anos abandonado, caindo em ruínas e servindo de abrigo para usuários de drogas.

Em 2006 um grupo de indígenas de diversas etnias ocupa e administra o local fazendo ali cultivo de frutas e verduras e promovendo atividades culturais ensinando cantos e danças nativas, contações de histórias, artesanato entre outras atividades.

Os interesses que cercam o prédio

Com as obras da copa do mundo a cidade do Rio de Janeiro passa por uma onda de transformações e remoções que remontam os tempos de Pereira Passos. A especulação imobiliária cresce, o metro quadrado tem uma elevação brusca nos preços e o Rio de Janeiro passa a ser uma das cidades mais caras do mundo para se viver.

Para atender aos interesses de um pequeno grupo o Governo do Estado do Rio de Janeiro remove comunidades, desapropria terrenos, expulsa moradores de diversas regiões sempre mantendo o discurso de fazer uma modernização na cidade (o mesmo empregado em Pereira Passos). Se no bota a baixo a justificativa era a necessidade de derrubar cortiços e morros para alargar ruas e construir avenidas, hoje o discurso é para a construção de estádios, shoppings e estacionamentos.

A Aldeia Maracanã foi mais uma comunidade atingida pelas remoções. A região por ser próxima ao estádio do Maracanã, Quinta da Boa Vista e Floresta da Tijuca acaba se tornando um ótimo empreendimento para o grande capital. Empresas disputam licitações para administrar as construções no local gerando cada vez mais o encarecimento da cidade e o genocídio étnico de seu próprio povo.

aldeia6-300x188Para isso o Governo do Estado passa por cima de leis e os órgãos que poderiam ajudar tentando impedir tamanho massacre não vêem (ou não querem ver) a tamanha desordem e covardia que está sendo feita sobre a cidade do Rio. O decreto de lei municipal 20.048/2001 diz sobre prédios construídos antes de 1937 que “A demolição e/ou alteração destes imóveis somente serão autorizadas após pronunciamento favorável do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural”¹. O IPHAN não demonstrou interesse em tombar o prédio e após inúmeros recursos o projeto de tombamento foi para votação não recebendo a quantidade de fotos suficientes para ser aprovado.

A FUNAI que deveria proteger os índios também não se manifesta e não declara apoio. Se omite perante a situação. A Ministra da Cultura Marta Suplicy declara uma nota de apoio a Aldeia Maracanã no início do mês de Janeiro², porém as ações que de fato poderiam impedir a desocupação do imóvel não são tomadas. Diversos artistas também se sensibilizam a causa e declaram apoio a Aldeia somando com a resistência.

O Governador do Rio diz que a ordem de demolição do prédio foi recomendação da FIFA, porém a FIFA solta uma nota informando que nunca pediu ao Governo do Estado do Rio de Janeiro que o prédio fosse demolido³.

Por outro lado os interesses dos indígenas e dos apoiadores do movimento de resistência é que ali seja feito um centro de referência indígena com um museu e uma faculdade indígena. Um local que seja administrado pelos próprios índios e seja reconhecido por todos esses anos de luta e resistência da comunidade indígena contra a fúria do colonizador. Os indígenas só querem ter o direito de propagar sua cultura, suas tradições e ensinamentos através de um centro indígena que não maquie a realidade histórica colocando o índio em um imaginário estereotipado.

Não é só o valor do prédio ou da região que está em jogo, mas todo o valor imaterial que este representa. Sua importância para a história brasileira e para os povos nativos, toda sua representação histórica e cultural ameaçada pelos interesses de governos que não valorizam e não trabalham em prol do seu povo, mas apenas atendem interesses de uma pequena elite que através do capital impõe suas regras em um jogo de cartas marcadas.

O início dos conflitos

No dia 12 de janeiro de 2013 o Batalhão de Choque se posicionou em frente a Aldeia Maracanã para cumprir uma suposta ordem de desocupação do prédio. Os ânimos ficaram agitados com policiais portando armas de tiro de borracha, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e gás de pimenta, enquanto do outro lado do muro índios com arcos e flechas prometendo resistir a invasão.

Sem mandato que justificasse a invasão a polícia passou o dia fazendo terror psicológico na porta da Aldeia enquanto esperavam por uma ordem judicial que legitimasse a invasão. A ordem judicial não veio e desse modo a polícia não pode invadir o prédio que já estava ocupado por centenas de manifestantes de movimentos sociais opositores ao governo, o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro Marcelo Freixo, promotores públicos e imprensa.

Uma liminar concedida pela juíza federal Edna Carvalho Kleemann impedia que o prédio fosse derrubado, porém em novembro de 2012 o Governo do Estado entrou com uma ação que derrubou a liminar concedida pela juíza dando permissão ao Estado para derrubar o prédio indo contra a lei municipal 20.048/2001.

A partir desse episódio comecei a freqüentar e a conhecer um pouco mais de perto a realidade da Aldeia Maracanã. Passei algumas tardes ouvindo histórias, aprendendo canções e danças, recebendo um pouco da cultura e das tradições indígenas. Como historiador, eleitor, cidadão carioca e acima de tudo humano, posso afirmar que é impossível não enxergar o tamanho valor cultural e histórico daquele antigo prédio e das manifestações que ali ocorriam.

aldeia-maracana-invasao-300x168As batalhas judiciais foram muitas, as tentativas de diálogo constantes e todas ignoradas ou atendidas com respostas prontas sempre negativas por parte do Governo do Estado. Representados pelas lideranças de Carlos Tukano, Urutau Guajajara, o advogado indígena Arão Guajajara (Arão da Providência), entre outros, a Aldeia Maracanã fez diversos convites para que o Governador fosse até a Aldeia conhecê-la, dialogar e tentar negociar uma solução pacífica para o caso, mas os convites nunca foram atendidos.

O ápice dos conflitos – 22/03/13

No dia 22 de março de 2013, mais uma vez a Tropa de Choque da Polícia Militar foi mobilizada para frente da aldeia maracanã, dessa vez munida de ordem judicial para a desocupação do prédio. A ordem de despejo só poderia ser cumprida após as seis horas da manhã, mas as três da madrugada a tropa já estava cercando o prédio e segundo relato de índios e manifestantes, atacando-os com bombas de gás de pimenta.

aldeia-maracana-despejo-6-300x225Rapidamente houve uma mobilização através das redes sociais para que os apoiadores da Aldeia Maracanã fossem até o local tentar impedir qualquer ação violenta por parte da Polícia. Mais uma vez os defensores públicos, opositores ao governo, o presidente da CDH da ALERJ e militantes em defesa da Aldeia se reuniram em frente a mesma cercados por um contingente de polícias que contavam com dois blindados, arma sônica e helicópteros. Uma verdadeira operação de guerra contra estudantes, senhores e senhoras, mulheres e crianças.

O clima durante toda a manhã foi de tensão e negociação. Índios resistindo do lado de dentro e apoiadores resistindo do lado de fora, até então tudo pacificamente enquanto as negociações se desenrolavam. Próximo das doze horas foi acertado a saída de um grupo de mulheres, crianças e alguns homens. Enquanto os poucos que ainda resistiam pediram apenas mais dez minutos para fazerem um ritual para aquela terra. Uma fogueira foi ascendida e o fogo pegou na primeira oca que fica afastada do prédio criando um pequeno incêndio. De imediato os bombeiros foram acionados e apagaram as chamas. Tudo já estava pronto para a saída dos índios quando a polícia entrou no prédio batendo, dando tiros e jogando bombas em cima daquele pequeno grupo que estava se preparando para sair. Os manifestantes do lado de fora fecharam a Avenida Radial Oeste quando a polícia utilizando spray de pimenta atacou os manifestantes dando início a uma verdadeira guerra urbana.

Os militantes foram caçados pela polícia que estava fortemente armada e não poupou nem mesmo a imprensa disparando bombas de gás e efeito moral sobre manifestantes, jornalistas e deputados. A ação foi altamente truculenta desrespeitando o próprio mandato que dizia que não deveria haver violência policial na desocupação. Cerca de seis manifestantes foram detidos e dezenas ficaram feridos na ação. No mesmo dia o conflito continuou em frente a ALERJ onde manifestantes se expressavam pacificamente quando a Guarda Municipal juntamente com a PM entrou em confronto agredindo-os com cassetetes, pistolas teasers e gás de pimenta.

A ação truculenta da polícia causou repúdio nacional e internacional, repercutindo no mundo todo e levando a apuração de abuso policial por parte da Defensoria Pública da União4.

mdi-300x225Aos índios que foram retirados do local foram dadas três opções: aluguel social no valor de quatrocentos reais (o que não é nada se levarmos em consideração que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais caras do mundo para se viver), um terreno na Quinta da Boa Vista (que é tombada e nada pode ser construído) ou um terreno de um antigo hospital para portadores de Hanseníase.

Mais uma vez o desrespeito a cultura, a história e a preservação da memória foram imensuráveis. Quanto ao antigo Museu o governador do RJ declarou que dessa vez será transformado em museu do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). 150 anos de história indígenas trocados inicialmente por um estacionamento e Shopping Center e agora trocados por um museu olímpico!

A juventude nas ruas – A resistência continua – 27/03/13

549784_151304408370687_1282287409_n-300x156Após esses episódios marcados por violência um ato foi organizado e na noite do dia 27 de março de 2013 centenas de jovens, índios, senhores e senhoras, mulheres e crianças, punks e ativistas do grupo Femen saíram às ruas para protestar contra o governador Sérgio Cabral, o vice governador Luiz Fernando de Souza Pezão e contra as inúmeras remoções promovidas na cidade.

Concentrando no Largo do Machado e promovendo um protesto pacífico com manifestações culturais saímos em caminhada ao Palácio Guanabara (sede do Governo do Estado) gritando palavras de ordem contra o governador e em defesa da Aldeia Maracanã. Promovemos ali mais uma atividade cultural com rodas e cânticos indígenas mostrando o valor histórico e cultural do índio em nosso país.

882467_10200372556569233_1151131819_o-300x199Recebendo o apoio de populares nos prédios, ônibus e carros que passavam pelo local a manifestação correu bem sem incidentes de violência e conseguimos transmitir nosso recado de insatisfação com as políticas administrativas que vem sendo implantadas na cidade do Rio de Janeiro.

Fontes:

¹ http://www0.rio.rj.gov.br/patrimonio/imoveis_anteriores_1938.shtm

²http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/01/24/marta-suplicy-defende-preservacao-da-aldeia-maracana/

³http://sphotos-e.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-ash4/253713_10200171345419949_349031888_n.jpg

4http://radioagencianacional.ebc.com.br/materia/2013-03-23/defensoria-p%C3%BAblica-vai-apurar-a%C3%A7%C3%A3o-truculenta-da-pol%C3%ADcia-contra-manifestantes-no-

Marina Silva, aqui não fía!

Por: Antonio Euzébios Filho

Nas últimas eleições para presidência da república, Marina Silva, então Partido Verde, ganhou força política no âmbito da política nacional. Saiu das eleições como possível alternativa à dupla dinâmica PT/PSDB.

Na disputa para presidência, em 2010, Marina esbanjou boas intenções e afirmou que dialogaria com diferentes partidos e perspectivas políticas. Curiosamente os setores de sua preferencia são orientados pelo agronegócio e pelo lucro das grandes empresas que poluem rios, desapropriam famílias pobres etc., mas investem no “social” – setores que se enquadram na chamada gestão sustentável do capital.

Trata-se, grosso modo, de uma versão requentada do neoliberalismo. É como dizer para a burguesia: “Fiquem tranquilos, pois está assegurada a exploração e a altíssima lucratividade, mas a esmola aos pobres tem de ser mais sofisticada”. Tudo isto sob a pecha do politicamente correto… Por outro lado, para a maioria da população a informação que é passada é a seguinte: “vamos fazer o que podemos para garantir a esmola” com cara de: “projeto sustentável e economicamente viável”. Ocorre que o discurso refinado de nada suaviza a vida do cortador de cana, do pedreiro, das empregadas domésticas, camelos, desempregados, operários, etc. Por este motivo, Marina Silva, – como é dito no popular e para ir direto ao assunto – é um lobo na pele de um cordeiro.

Projeto de criação de novo partido, ‘Rede sustentável’, liderado pela Marina Silva traz uma versão requentada do ecocapitalismo.

Projeto de criação de novo partido, ‘Rede sustentável’, liderado pela Marina Silva traz uma versão requentada do ecocapitalismo.

É difícil acreditar que um cordeiro vai sobreviver num ambiente com os lobos, caso não se torne um deles, correto? A tão falada “nova política”, que Maria Silvia tanto preconiza, realmente não virá das grandes corporações ou do parlamento, onde se travam os acordos espúrios que maltratam o meio ambiente e a maioria da população brasileira. A tática utilizada continua a mesma: financia-se um projeto social aqui, outro acolá, põe um remendo aqui, compensa acolá. Mas, como sempre, a burguesia continua tirando o coro do povo e quando aperta a crise é o bolso do trabalhador que paga. O governo, por sua vez, faz vista grossa (até porque muitos usam a máquina do Estado para atender interesses particulares daquelas mesmas empresas “cidadãs”, parceiras do povo e do meio ambiente. Aquelas que investem no “social”, lembram?).

Aliar-se com este setor podre da política nacional é incompatível com a ideia de sustentabilidade, não apenas porque Maria Silvia está errada, mas, sobretudo, porque o capitalismo não é capaz de dar mais respostas ao social e ao ambiental.

Resolvam as seguintes equações:

Como é possível garantir moradia digna para todos apostando na especulação imobiliária? Como apostar em sustentabilidade com o transporte público privatizado e a cidade cuspindo automóveis? Como garantir sustentabilidade ambiental se matas, praias, ilhas, etc., nada mais representam do que possibilidades de consumo e de apropriação privada? Como barrar a pobreza se o que governo e a grande burguesia dão para o povo (isto mesmo, dão, pois direitos tornaram-se favores), eles levam em dobro, triplo, etc., etc. etc. etc.?

É uma questão lógica! Então, Marina, por favor, não me leva a mau, mas aqui não, fía!