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Os lados de Marina Silva e do PSOL em 2014

Por Fernando “Tostão” Silva

marinaA ex-senadora Marina Silva está decidida a lançar um novo partido e assim voltar a concorrer à Presidência da República em 2014. É o que podemos concluir das seguidas notícias deste mês na grande mídia, do ato de lançamento realizado em São Paulo em janeiro e confirmadas em redes sociais, inclusive pelo facebook da vereadora Heloísa Helena, que também esteve reunida com sua colega este mês.

Considerando que este tema suscita, desde 2009, um importante debate no interior do PSOL sobre a natureza dos movimentos políticos de Marina Silva, a ponto de setores e dirigentes importantes do partido virem desde então flertando abertamente com a ex-senadora, a questão exige um posicionamento, pois a questão deverá ser parte dos próximos debates partidários.

Depois de sair do PV, Marina Silva constituiu um movimento que prega uma “nova política”, demonstrando até um viés crítico à preponderância da forma institucional eleitoral de se fazer política no país e seus vícios conhecidos. Tal crítica gerou no interior deste movimento até uma corrente de opinião com forte resistência à criação de uma nova legenda partidária.

Mas, em sua essência e pelos setores e perfil que este movimento revela buscar com a legalização da nova legenda, o novo partido de Marina não é um fato progressivo para a reorganização da esquerda socialista, não é aliado na busca de um projeto anticapitalista de ruptura, capaz de vertebrar uma oposição política global tanto ao modelo lulista vigente como ao ideário de direita mais clássico representado pelo PSDB. Continuar lendo

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A conversão política também tem impacto moral

Tarso: ao lado da burguesia contra os trabalhadores.

Tarso: ao lado da burguesia contra os trabalhadores.

O governador Tarso Genro escreveu um longo artigo sobre as relações entre a moral, a ética e política. Começa suas considerações mencionando as experiências de Robespierre e dos bolcheviques russos. Como qualquer pessoa que acompanha a política hoje sabe que o PT atualmente não tem absolutamente nada que ver com as ricas experiências da revolução francesa, tampouco com a revolução russa, vou me poupar de acompanhar Tarso em suas andanças por outros tempos. Concentro-me na parte para a qual ele realmente que nos levar em seu esforço. Diz claramente:

“ Um dos debates morais, de influência direta na política, que se trava aqui no Brasil no momento, está aberto pelo moralismo udenista, tanto promovido pela extrema esquerda anti-Lula, como pelo conglomerado demo-tucano. Trata-se da questão relacionada com a política de alianças, ou seja, a demonização do PT pela sua “abertura” na política de alianças. O ataque centra-se, principalmente, na consideração que o PT relaciona-se -para sermos delicados- com grupos e pessoas que tem métodos não republicanos de participação na gestão do Estado”.

Vamos antes acertar as palavras. Reconhecemos que o PSOL é um dos endereços que Tarso tenta criticar. Mas Tarso afirma sem demonstrar que somos a “extrema-esquerda”. O mais correto é que somos um partido de esquerda coerente. Tampouco é certo dizer que demonizamos o PT. Denunciamos, sem dúvida, as alianças que este partido tem feito. Mas usar a expressão demonizar é mais uma tentativa de desqualificar os críticos, já que identifica a política com ausência de racionalidade. E argumentos racionais sobram para desmascarar o PT. Finalmente, tenta comparar nossa política com o udenismo. Ora, esta é de longe a mais desqualificada afirmação. O udenismo representou uma política burguesa de direita contra Getúlio Vargas. Onde, quando, em que momento o PSOL teve uma política no sentido de apoiar golpes de direita contra o governo? Continuar lendo

Comércio de legendas?! Não no PSOL!!!

por Jonathan Oliveira

(em memória do Companheiro Benoni Alencar)

“Viva o PSOL do Socialismo
Viva o PSOL do Socialismo
Todo mundo ama, todo mundo sonha
Com um mundo sem capitalismo”
(Benoni Alencar)

Há muito tempo os partidos políticos perderam suas “identidades programáticas”. O que seria o programa, que definiria a digital de um partido, e que faria com que as pessoas votassem neste ou naquele partido (por acreditar mais neste ou naquele programa) esvaiu-se nos acordos de força, no anseio pelos votos de legenda, por maior tempo de rádio e TV no período eleitoral. Continuar lendo