Arquivo da tag: habitação

A reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos, deveria ter acontecido?

Por Plínio de Arruda Sampaio

O conluio entre os poderes econômico e político

 

A desumanidade veste farda e toga.

Até quando os noticiários dos jornais e da televisão mostrarão as cenas degradantes dos despejos de famílias sem-teto?

A mais recente delas, realizada em uma área de São José dos Santos, expulsou famílias que ocupavam, há oito anos, uma área periférica da cidade.

Oito mil policiais foram desviados das suas funções de manutenção da segurança da população para essa inglória tarefa.

Agindo com violência, esses policiais feriram as pessoas, destruíram as casas e os objetos dessa pobre gente, atingindo até as crianças. Foi uma barbaridade.

O promotor público, obrigado por lei a presenciar essas operações, brilhou pela ausência. Continuar lendo

Anúncios

Rio das Ostras: um caldeirão de lutas em ebulição

Por Luciano Barboza

Rio das Ostras teve o maior crescimento populacional do Estado do Rio de Janeiro. O crescimento da população riostrense no período entre 2000 e 2010 foi de 190,4%, segundo o Censo do IBGE. No mesmo período 95% da população riostrense vive na área urbana. Mas, isso significa qualidade de vida real?

Quando um novo morador começa a viver em Rio das Ostras, a primeira coisa que fica evidente, é que a cidade vive uma falsa polarização entre o atual prefeito Carlos Augusto (PMDB) e Sabino (PSC), pois os dois são iguais em projetos para a cidade. Na realidade, ambos disputam a cidade através da troca de favores, ou seja, na cidade impera o clientelismo político. Assim, os empregos sem concurso da prefeitura da cidade não são distribuídos pela qualificação de seus postulantes ao cargo, mas são decididos através da compra de um futuro cabo eleitoral, que ganhou um emprego de um dos dois candidatos a prefeito.

Precisamos compreender que a cidade esta em mutação, os novos moradores não assumem um desses dois lados para si. O coronelismo e o assédio moral praticado em todos os órgãos da prefeitura, não causarão mais medo na população como quando a população somava 20 mil pessoas. Os prefeitos não poderão garantir empregos e benefícios a todos os atuais 105 mil moradores, sendo assim a opção real para os trabalhadores para conseguir seus direitos será a constante mobilização política através de atos e greves, pois historicamente as vitórias da classe trabalhadora só vieram após duros conflitos políticos.

Isto já está ocorrendo, seguindo o exemplo dos bombeiros do Estado do Rio de Janeiro que fizeram uma greve vitoriosa, várias lutas vem acontecendo em Rio das Ostras. Como a construção do maior ato de rua nos últimos anos, construído pelos professores e alunos do Polo Universitário de Rio das Ostras-UFF, no dia 25 de maio, com cerca de 350 pessoas que fecharam por 1 hora a maior avenida da cidade. Os alunos reivindicavam não estudar em containers, exigiam mais salas de aula e alojamento estudantil, e os professores melhores condições de trabalho.

Onda de lutas

Esse evento não foi isolado, pois durante a greve dos profissionais da educação da rede estadual cerca de 60% da categoria na cidade parou. Participaram das assembleias no Rio e mobilizaram na própria cidade, por um reajuste salarial de 26%. Conseguiram 5%, o que foi uma vitória se pensarmos a mobilização e a experiência de luta que ela causou na classe trabalhadora local. Seguindo esses exemplos os funcionários municipais fizeram um ato, no dia 12 de agosto, reivindicando melhores condições de trabalho e aumento salarial, que contou com 50 pessoas.

A luta não parou por aí. Os estudantes e professores fizeram um novo ato no dia 25 de agosto, em memória da morte da estudante Maria Clemilda, que foi atropelada ao tentar chegar à universidade, na Avenida Amaral Peixoto, por descaso do governo: o sinal estava desligado. As 200 pessoas indignadas presentes no ato, que foi organizado de um dia para o outro, exigiam respostas ao caos do trânsito e ao caos da universidade, que não tem as condições necessárias para um ensino de qualidade.

Grito dos excluídos

Nesse sentido a construção coletiva, entre os movimentos sociais e sindicatos de um desfile de camisas pretas, após o desfile das escolas municipais no dia 7 de setembro, será fundamental para unir as diferentes lutas na cidade. Esse desfile será o nosso Grito dos Excluídos.

Também, haverá um ato no dia 27 de setembro feito pelos profissionais da educação municipal, que exigirá o fim do coronelismo nas escolas. Queremos discutir o plano de carreiras dos servidores, que atualmente não tem nenhum representante sindical na comissão de educação que esta fazendo o plano (às escondidas). Queremos eleger nossos diretores de escolas democraticamente, pois hoje os diretores são indicados pelo prefeito. Queremos reajuste salarial de 40% em cima do vencimento, e não um “cale a boca” casado com um plano de carreira subjetivo em suas avaliações profissionais, que colocará a vida dos servidores nas mãos dos seus superiores. O que os servidores municipais querem é uma avaliação justa e imparcial, que garanta um bom atendimento público para a população.

Luciano Barboza é professor de História em Rio das Ostras .

Mais um ataque ilegal da Prefeitura do Rio!

Por Jorge Borge

Durante um fim de semana, demolições na Vila Recreio 2, sem base legal e sem a presença dos responsáveis.

Acabamos de receber a notícia de que pessoas a serviço da Prefeitura do Rio chegaram neste sábado, 13/08, na comunidade Vila Recreio 2 e já começaram a derrubar as últimas casas que só permaneciam de pé graças a liminares da Justiça. Das duas uma: ou derrubaram a decisão favorável aos moradores durante o plantão do judiciário, ou estão passando por cima, mais uma vez, da ordem constitucional. 
 
Em qualquer dos casos, trata-se de mais um ataque ao Estado Democrático de Direito, uma vez que é nítido que a ação surpresa, no meio de um fim de semana, é uma tática muito clara para evitar qualquer tentativa de resistência por parte dos moradores ou de seus aliados. Mesmo no plano institucional.
Ações como essa põem em cheque tentativas de negociação, comissões e outras tratativas já iniciadas por diversas instituições sérias desse país, numa tentativa de parar o fascismo travestido de “eficiência administrativa” engendrado pelo Prefeito Eduardo Paes com apoio direto e explícito do PT, do PDT, do PCdoB e de outros câncros políticos que se autoproclamam “partidos populares” ou “a favor dos trabalhadores”.
 
A desfaçatez do Sr Eduardo Paes, Jorge Bittar e sua caterva impregnada nas subprefeituras e na Câmara dos Vereadores já ultrapassou todos os limites, mas continuamos a vislumbrar um horizonte de crimes contra direitos humanos da população carioca, contra o meio ambiente e contra a administração pública, sem que os poderes da República façam sequer ouvir os demais lados envolvidos. Não estamos falando de meras infrações. Estamos falando de violação de domicílio, danos morais e materiais, ameaça, coação, abuso de autoridade, constrangimento ilegal, vexação de menores, idosos e incapazes entre outras barbaridades.
 
Não dá pra ficar calado diante de tantos disparates. A população carioca precisa se insurgir contra essa sucessão de crimes. Os ataques já começaram há meses e atingem tanto favelas quanto bairros formais. Ninguém está a salvo das ações criminosas orquestradas pela aliança maldita que governa o Rio de Janeiro.
 
Jorge Borges é Geógrafo e Assessor Técnico do mandato do Eliomar Coelho do PSOL