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PSOL de Todas as Cores: I Reunião de Formação do núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras

bandeira-ediada

Venham construir o núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras.

Um convite para todas as pessoas LGBT’s que querem um país livre de lgbtfobia!

Dia 29/set, terça, 18h, na UFF Rio das Ostras (Rua Recife, s/n, Jd Bela Vista)

https://www.facebook.com/events/423091131219468/

O Brasil é um dos países que mais vitima pessoas por crimes de ódio no mundo. A violência contra a população LGBT ganha contornos de extermínio quando mais de um LGBT é morto por dia por motivação lgbtfóbica e diversas são agredidas física e psicologicamente todos os dias.

A violência lgbtfóbica é incentivada nas escolas por uma educação fundada no sexismo e na misoginia; na mídia que ridiculariza, esteriotipa e guetifica a população e os comportamentos das pessoas LGBT; nas igrejas cristãs que fazem leitura parcial e fundamentalista da Bíblia com objetivo de desumanizar e negar direitos a essa população; a situação é ainda pior quando se mistura a TV e rádio nas mãos de igrejas cristãs, de pastores e padres fundamentalistas que utilizam da CONCESSÃO PÚBLICA para disseminar a ignorância e o ódio contra LGBT’s.

O Congresso Nacional, o mais conservador e reacionário dos últimos tempos está dominado pelas bancadas da Bala, do Boi e da Bíblia Fundamentalista, cujo maior expoente, o deputado federal carioca Eduardo Cunha (PMDB), preside, com apoio de Feliciano (PSC), Bolsonaro (PP), Sóstenes Cavalcante (PSD) – apadrinhado de Malafaia. A Câmara dos Deputados, vem imprimindo derrotas e retrocessos às pautas libertárias e aos direitos sociais, em especial das populações que mais sofrem opressões.

Na contramão do avanço da mentalidade mundial, que reconhece pessoas LGBT como iguais em direitos a pessoas hetero (tendo como marco a aprovação do Casamento Igualitário na Argentina e pela Suprema Corte estaduanidense, entre outros), o Congresso Nacional brasileiro discute e sinaliza aprovar um Estatuto da Família formado apenas por casais heterossexuais e com seus filhos, com o objetivo de excluir, criminalizar e disseminar o ódio contra as famílias formadas por pessoas LGBT’s, excluindo também famílias formadas por pais e mães solteires, por avós, casais sem filhos e etc. A postura mostra que o congresso prefere ver milhares de crianças abandonadas em abrigos ou nas ruas a tê-los adotados em família compostas por pessoas do mesmo sexo.

As pessoas LGBT estão ocupando os piores postos de trabalho, com as remunerações mais baixas, em ocupações onde estejam invisibilizadas. O quadro se agrava quando se trata de pessoas trans e travestis, mas também de lésbicas consideradas masculinizadas ou gays considerados afeminados. Quando não são empurradas para a prostituição, após sofrerem várias violências dentro de casa e serem expulsas, encontram trabalhos precários como o do telemarketing e outros sub trabalhos do setor terciário. As pessoas LGBT, em especial, as pessoas T, são a minoria nas Universidade Públicas e estão sub representadas em todos os espaços políticos.

Nenhum direito dos trabalhadores foi conquistado historicamente sem que houvesse muita luta, muito confronto, sangue, suor e lágrimas da classe trabalhadora. Da mesma forma nenhum direito das populações LGBT foi e será conquistado sem muita luta, sobretudo em uma conjuntura política e econômica tão adversa. Luta essa que precisa ser coletiva e protagonizada pelas pessoas LGBT. Luta essa nas ruas e nas instituições. Luta essa que enfrente o conservadorismo e a ignorância e formule propostas e políticas públicas, que efetue a pressão social necessária para a construção de um país e um mundo livre de toda forma de homofobia, lesbofobia, bi/panfobia e transfobia.

O núcleo LGBT do PSOL Rio das Ostras pretende ser um espaço de base, aberto a não filiados, mas composto por pessoas com referências na esquerda socialista e libertária, que sirva a construção local da resistência LGBT e da conquista de direitos.

Aguardamos todes para começar mais essa construção.

Grito dos Excluídos 2012: A história se repete!

Por Jonathan Mendonça

Grito dos Excluídos 2012

 

Cordão de isolamento feito pela Guarda Municipal a mando da prefeitura!

Quem lembra do Grito dos Excluídos 2011 recorda de cenas como o cordão de isolamento feito pelos Guardas Municipais para impedir a manifestação; lembra de a população haver apoiado o movimento; lembra de ter sido muito bonito ver as pessoas todas se manifestando; e lembra principalmente de o Prefeito ter fugido e se negado a dialogar com a população.
Pois bem, quem foi no Grito dos Excluídos 2012 pode ver exatamente um replay do que houve no ano passado (por parte da postura autoritária e antidemocrática do Governo). Ocorre que é prática comum deste governo querer calar aqueles que pensam diferente!
Mas, como no ano passado, os manifestantes resistiram ao Sol queimando desde as 8h (horário em que começamos a concentração) e resistiram à tentativa da prefeitura de isolar o ato. Resistimos porque o nosso objetivo é muito maior que o cordão de isolamento feito por aqueles guardas.

Pelo menos duas centenas de pessoas vieram protestar desta vez. As demandas eram muitas. A começar pelo caos da Saúde, no qual, para se marcar uma consulta num posto, os moradores têm de acordar às 2h da manhã. Também o Pronto Socorro, local de filas intermináveis e falta de médicos era pauta do ato.

O transporte da cidade, caos total, não podia estar de fora. Os poderosos não podem medir o que significa perder tanto tempo de vida engarrafado na Amaral Peixoto. Muitos estudantes também protestaram pelo fato de não lhe ser assegurado devidamente o direito ao passe-livre. Continuar lendo

URGENTE: Tropa de choque invade Pinheirinho mesmo com a determinação da Justiça em suspender desocupação!

Policiais estão usando de violência para retirada de moradores.  Várias pessoas foram presas, muitos feridos e duas pessoas morreram!

A Tropa de Choque invadiu na manhã deste domingo, dia 22, a Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos. Neste momento, policiais estão dentro da área e estão usando de força, balas de borracha e gás de pimenta para a retirada de moradores, que permanecem resistindo. Dois helicópteros estão sendo usado na operação. A invasão acontece mesmo após ordem de reintegração ter sido suspensa, na sexta-feira, pela justiça.

 Moradores de bairros vizinhos ao Pinheirinho também se revoltaram contra a invasão da Tropa de Choque à Ocupação e entraram em enfrentamento contra a Guarda Civil, que está apoiando a Polícia Militar. O alambrado que cerca o Centro Poliesportivo do Campo dos Alemães, preparado para abrigar os moradores após a reintegração de posse, foi derrubado.

 Justiça determina suspensão imediata de desocupação

Comando já recebeu notificação, mas ação policial continua.

 O Comando da Polícia Militar acaba de receber uma ordem judicial que determina a suspensão imediata da reintegração de posse do Pinheirinho. A ordem foi assinada pelo juiz plantonista Samuel de Castro Barbosa Melo, da Justiça Federal, a mando do Tribunal Regional Federal. Caso o comando persista com a desocupação, estará descumprindo uma ordem judicial.

 Ação de desocupação é ilegal já que o Tribunal Regional Federal – 3ª. Região suspendeu, na  sexta-feira, dia 20, a ordem de reintegração de posse da Ocupação, em São José dos Campos. A decisão foi tomada pelo desembargador federal Antonio Cedenho, da 5ª Turma do TRF.

 O desembargador determinou que a União passe a integrar o processo por conta do interesse do Governo Federal na área.

 A medida é em resposta ao agravo de instrumento impetrado pelos advogados dos moradores, em que pediam o reconhecimento do interesse da União no caso e que fosse deferida uma liminar impedindo a execução da ordem de despejo. É essa liminar que está sendo descumprida.

 Divulgue e denuncie esse ação violenta e desumana ns redes sociais, sites, e blogs.  Os informes sobre esse ato criminoso estão sendo divulgados em tempo real pelo twitter: @pinheirinhosjc

Governador Alckmin e prefeito Cury (PSDB) descumprem ordem judicial e invadem o Pinheirinho

 Juíza de São José desrespeita ordem superior e determina a reintegração de posse

Duas pessoas morrem na operação da Polícia!

A Polícia Militar desatou uma operação de guerra contra os moradores da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).

 Por determinação do Governador Geraldo Alckmin (PSDB), dois mil homens da PM invadiram a Ocupação Pinheirinho na madrugada, apesar da reintegração de posse estar suspensa por decisão da Justiça Federal.

 Os moradores foram brutalmente atacados, muita gente foi ferida e dezenas de moradores foram presos.

 Temos notícia de que  pelo menos duas pessoas mortas no ataque da Polícia, uma delas um jovem que passava nas proximidades da ocupação.

 Numa verdadeira carnificina, como numa operação de guerra, foram utilizados ainda efetivos da ROTA, da tropa de choque, da guarda municipal e dois helicópteros ÁGUIA na ação da Polícia.

 A população resiste e há conflitos ainda nos bairros próximos ao Pinheirinho.

Manifestantes contrários à desocupação do Pinheirinho ocuparam a Rodovia Presidente Dutra, no km 154, sentido SP-Rio, em São José dos Campos (em frente à Johnson & Johnson). Cerca de 300 pessoas participam da manifestação. O trânsito permanece fechado.

 O advogado dos moradores, Toninho Ferreira, nos relata que a “a ação da Polícia é completamente irregular, uma ação covarde, pois a reintegração foi suspensa na sexta-feira (20)pela Justiça. Um oficial de Justiça compareceu aqui e foi solenemente ignorado pelos oficiais do comando da PM”.

 A responsabilidade da ação, portanto, é do governador Geraldo Alckmin, do PSDB.

 Na verdade, os 2.000 homens armados que promovem a desocupação, estão a serviço dos especuladores imobiliários e do prefeito Cury, que governa para os ricos e poderosos, que chegou a dizer que a desocupação era necessária porque o terreno é muito valorizado e não é lugar de pobre morar.

 O membro da CSP-Conlutas,  Zé Maria,  se encontra no local e relatou os abusos da desocupação. “A ação da Polícia, na verdade de um bando armado a serviço do capital imobiliário, está sendo feita num domingo, em desrespeito a uma decisão da Justiça federal e não poderia ser executada. Esse precedente é muito grave, pois não vamos aceitar que o direito a moradia seja desrespeitado, ainda mais quando amparado por uma decisão, mesmo que provisória, da Justiça”, ressaltou.

 Para a CSP Conlutas a ação da polícia, em conluio com os governos estadual e municipal, demonstra, mais uma vez, os compromissos dos governos do PSDB com a burguesia desse país. Sequer o Poder Judiciário foi respeitado pelo governador, a quem cabe a decisão numa operação dessa envergadura.

 A resistência dos moradores é, portanto, legal e legítima.

 O Governo Federal declarou seu interesse em resolver o conflito pacificamente.

 A desapropriação do terreno pelo Ministério das Cidades é a medida necessária para que o direito à moradia seja assegurado à população do Pinheirinho.

 O governo Alckmin e a juíza que manteve a desocupação, mesmo com uma liminar  impedindo a execução da ordem de despejo, são os responsáveis pelas duas mortes e pelas centenas de pessoas feridas nesse verdadeiro massacre promovido pelas forças repressoras do estado.

 Nota Oficial da Direção Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL): Parem a desocupação do #Pinheirinho!

Sem patrão

Trabalhadores da Flaskô mantêm organização da fábrica desde 2003 e enfrentam medidas judiciais.   

Trabalhadores da Flaskô há 8 anos enfrentam um cerco judicial e econômico

Em uma rua de chão ao lado da fábrica Flaskô, em Sumaré (SP), dois homens caminham com materiais de trabalho na mão. Perguntados se sabiam que estavam perto de uma experiência inovadora na história do Brasil, uma fábrica sem patrão, um deles pergunta, claramente surpreso: “Como assim, sem patrão?”. O outro, rapidamente, encontra a explicação: “É, ele morreu”. Mas ele, na verdade, eles – Luís e Anselmo Batschauer, da Corporação Holding Brasil – estão vivos e cheios de dívidas.

O fato é que eles não mandam mais na fábrica de transformação de plástico, que produz vários tipos de embalagens industriais, ocupada e sob comando dos trabalhadores desde 2003.

De lá pra cá, a Flaskô colecionou processos judiciais, vitórias, cortes de energia, apoiadores, decepções, enfrentamentos diretos e indiretos e hoje, oito anos depois, pode dar aulas de resistência. É a única fábrica ocupada efetivamente por trabalhadores no Brasil, mas mesmo assim sustenta fazer parte do Movimento de Fábricas Ocupadas, na expectativa de que ele possa vir a ser reconstituído.

A leitura é a seguinte: em momentos de crise, o cerco contra a Flaskô aperta. Porque apesar de pequena – são 69 trabalhadores e trabalhadoras – representa um modelo perigoso. “É uma fábrica isolada, a princípio inofensiva, do ponto de vista da nossa capacidade de influenciar a luta de classes, mas é um mau exemplo [do ponto de vista dos patrões]. Sabemos que quando a situação começa a ficar crítica, os trabalhadores podem recorrer à ocupação de fábrica”, avalia Josiane Lombardi, do Centro de Memória Operária e Popular (Cemop), e pesquisadora do tema da gestão operária. “Estamos vivendo um momento angustiante. A gente sempre sofreu ataques, desde o começo, mas tem momentos em que eles se concentram, e este é um deles. Estamos discutindo uma campanha daqui até o final do ano para divulgar que os ataques estão ficando mais sérios e que os apoiadores têm que estar alertas porque não sabemos o que vai acontecer”, aponta.

Atualmente, são dois ataques principais: uma máquina – uma das Injetoras Semeardo – vai a leilão virtual no mês de outubro, para tentar cobrir uma dívida de mais de R$ 40 mil relativa a um processo de 1998, da gestão patronal. Outro, ainda mais grave, é um pedido de penhora de 50% do faturamento total da fábrica, o que inviabilizaria completamente a produção. Segundo Josiane, a Flaskô tem um faturamento bruto que gira em torno de R$ 600 mil por mês. Metade desse valor é destinado à compra de matéria-prima, o restante é dividido entre gastos, como energia, e a folha de pagamento. “São movimentos para fechar a fábrica, e eles têm consciência disso”, pontua.

Segundo o informe jurídico do advogado Alexandre Mandl publicado no fanzine Chão de Fábrica – um dos instrumentos de comunicação da Flaskô – nenhum lance para a máquina foi feito na primeira fase do leilão, que prossegue até o dia 31 de outubro. A intenção agora é convencer a Justiça a pensar a fábrica “com todo o significado social que tem e, por isso, buscar solução para os 200 processos existentes em Sumaré, e não um processo em si”.

A situação se complica porque os antigos patrões deixaram uma dívida avaliada em R$110 milhões, sendo que 70% são de impostos com o poder público, e a Justiça cobra dos trabalhadores ao invés de procurar aqueles que deixaram o rombo. A gestão operária paga direitos trabalhistas de ex-funcionários que não tinham seus direitos assegurados. Para efeitos de cobrança, os trabalhadores na gestão da fábrica são reconhecidos, mas para a negociação das dívidas, não.

Estatização

Ocupada desde 2003, sua estatização foi ignorada pelo "presidente operário" Lula que preferiu dar moral pros grandes banqueiros e empresários e criminalizar trabalhadores.

Com base na contradição envolvida na questão das dívidas, a proposta dos trabalhadores é a estatização. Essa bandeira surgiu na ocupação da Cipla – que também é do grupo Holding Brasil – que ocorreu em 2002. Nesse ano, trabalhadores da Cipla e da Interfibra, depois de greve de oito dias cobrando o pagamento imediato dos salários atrasados e dos direitos não pagos, decidem ocupar as fábricas e retomar a produção. O empresário Luís Batschauer concordou em passar “o comando administrativo e operacional” das fábricas para a gestão dos trabalhadores.

No entanto, passou junto suas dívidas, de mais de R$ 500 milhões. Os trabalhadores, reunidos em um Conselho Administrativo Unificado, passaram a cobrar que a empresa fosse expropriada, como uma forma de o governo cobrar dos patrões as dívidas com os cofres públicos. Em junho de 2003, fazem a I Caravana a Brasília, cobrando a “estatização para salvar 1070 empregos”, já incluídos os 70 da Flaskô, que estava na iminência de fechar. No dia 12, acontece a ocupação da fábrica em Sumaré.

“A fábrica deve ser de propriedade pública, é nesse sentido a estatização. Praticamente todo o patrimônio está penhorado em função de dívidas, a maioria com os governos, estadual, federal e municipal. O governo não precisaria investir para estatizar essa fábrica. Ao expropriar, deveria cobrar dos donos que fossem pagas as dívidas, ele estaria retomando os bens, sanando as dívidas com os ativos, ativos que estão gerando empregos, lazer, moradia…”, explica Josiane, que participou de um grupo responsável por formular uma emenda à Lei 4132, de 1962, que define os casos de desapropriação por interesse social. A proposta é uma mudança no artigo 2º da lei, acrescentando o seguinte inciso como característica de interesse social: “O aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas que passaram a ser geridas por seus funcionários, sob qualquer modalidade de autogestão”.

“Esse instrumento de desapropriação é utilizado pelo poder público o tempo todo; para fazer obras, viadutos. Mas cria também uma possibilidade com o mesmo caráter, que inclui a modalidade de interesse social, que permite a desapropriação não apenas por interesse do Estado, mas por interesse social. Queremos incluir uma emenda que fala da demanda de aproveitamento produtivo de empresas abandonadas ou falidas”, explica Josiane.

Esse modelo se assemelha ao que ocorre na Argentina, país que tem cerca de 200 fábricas recuperadas, incluindo empreendimentos como padarias, açougues, hotéis.

Conselho de fábrica

Há 23 anos trabalhando na Flaskô, Eurico Rocha de Oliveira Filho chama o período anterior à ocupação de “patronal”. Ele explica a diferença: “aqui não tem patrão pra ficar pegando no pé, para começar. Tem mais liberdade para trabalhar. Tem que ter assembleia, reunião de conselho… Na patronal, você só trabalha, não sabe de nada. Só recebe o pagamento e olhe lá”. Giovani Carlos da Silva trabalha na área de expedição, carregamento e recebimento há oito anos, desde a ocupação. “Aqui a gente não trabalha sob a pressão dos patrões, cada um faz o seu serviço, não é pressionado a trabalhar pro patrão”.

A forma de organização é o conselho de fábrica, com assembleias que acontecem ao menos uma vez por mês, mas podem ser convocadas a qualquer momento. Já o conselho é composto por 11 membros, com eleição anual. Todos os setores – os três turnos da produção, segurança, predial, mobilização, ferramentaria e administrativo – elegem representantes.

30 horas semanais

Eurico, 23 anos de Flaskô: “aqui não tem patrão para pegar no pé”.

Foi o conselho de fábrica, em diálogo na assembleia, que programou a reformulação da jornada de trabalho. Josiane Lombardi, do Cemop, conta que a primeira mudança aconteceu em 2004, quando a jornada foi reduzida de 44 para 40 horas semanais, deixando o sábado livre. Em 2006, houve a redução para 30 horas, sem diminuição de salários. Feita com o apoio da Cipla, que já havia passado por esse processo, a produção foi reorganizada e foi possível manter a produtividade. Uma das medidas foi a eliminação de um dos turnos de produção – das 18h à meia-noite – responsável por um alto consumo de energia.

Outra conquista da fábrica sob controle dos trabalhadores é a queda no número de lesões por movimentos repetitivos. “Não teve mais ninguém afastado com LER desde que a fábrica foi ocupada”, ressalta Josiane Lombardi, que pesquisou as experiências da Cipla, Interfibra, Flaskô e Zanon (fábrica recuperada argentina) em sua tese de doutorado defendida na USP.

Fonte: Brasil de Fato

Fotos: João Zinclar

MST: “Coronelismo impera no interior de Pernambuco”

*Da Página do MST

Desaparecimento de trabalhador rural, destruição de acampamentos de Sem Terra, pistolagem, apreensão ilegal de bens. Onde o Estado não chega, impera a lei do coronelismo.

No interior de Pernambuco ainda são os grandes proprietários de terra e usineiros que mandam no Estado, na polícia, no judiciário, e tem poder de vida e morte. E os poderes públicos assistem.

Dois casos recentes em Pernambuco ilustram o porquê o estado possui um dos maiores índices de violência no campo do Brasil.

O primeiro aconteceu no dia 11 de outubro, quando a polícia do estado cometeu uma série de ilegalidades e violações dos direitos humanos durante ação de reintegração de posse na Fazenda Serro Azul, município de Altinho, agreste do estado, enquanto o promotor da cidade, que deveria zelar pelos direitos dos cidadãos, assistia e incentivava as violações, acompanhado pelo ‘proprietário’ da fazenda.

Três dias depois, no dia 14 de outubro, o trabalhador rural José Amaro da Silva, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), desapareceu na zona da mata de Pernambuco quando saía do acampamento do MST no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco, mais umas das áreas de conflito agrária do estado.

Ambos os casos foram amplamente denunciados pelo MST e pela organização de direitos humanos Terra de Direitos, mas até agora o Governo Estadual, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e demais órgãos responsáveis parecem continuar de braços cruzados. Continuar lendo

Democracia: Para quem? A favor de quem? Se a minoria impõe ao povo suas vontades, por que não a maioria (o povo) impor aos ricos (1% da população) os seus direitos?

15-O: Relato sobre a ocupação em Rio das Ostras

*Pelo Coletivo Tecendo o Amanhã.

Somos vitoriosos: essa certeza cada um dos manifestantes carregaram consigo ao findar o ato. Em nossa cidade quem esteve na agitação da ocupação foi o grupo de juventude Tecendo o Amanhã: espaço de formação, reflexão e intervenção política. Esse grupo é composto por alguns militantes experientes e por muito novos companheiros, que ao tomarem consciência da exploração e opressão que o sistema capitalista exerce sobre nós diariamente, ao terem clareza da luta de classes, se comprometeram com a construção diária de uma alternativa socialista. E o desejo e comprometimento com a revolução a cada dia se fortificam. Todo o processo ocorreu de forma horizontal, onde todos tiveram igual peso de escuta e deliberações. Fizemos uma divulgação sistemática e subversiva: redes sociais, panfletos, lambes por todos os cantos da cidade. Dialogamos com diversos grupos, desde a igreja até a universidade e os servidores públicos municipais.

Éramos em torno de 60 pessoas a ocupar a praça durante todo o dia: secundaristas, universitários, professores, funcionários públicos, o movimento antiproibicionista, o movimento pela terra, os jovens skatistas que vem sofrendo perseguição e mais tantos outros moradores do município que se juntaram ao grupo para participar da plenária. Fizemos uma oficina de cartazes onde debatíamos cada tema lançado ao papel; brincamos e rimos juntos em jogos de cooperação onde reafirmávamos ludicamente nossos princípios políticos; tivemos uma dinâmica sobre o que significa a mais valia e um bate papo sobre o que é o capitalismo; em nossa assembléia fizemos uma cartografia das demandas de nossa cidade, de onde a democracia se torna apenas uma falácia, e tiramos o conteúdo para uma carta de reivindicações à câmara/prefeitura. Além disso, recolhemos mensagens dos protestantes e transeuntes direcionadas ao poder público. Tiramos como deliberação que pediremos os dez minutos de tribuna popular, direito garantido  na lei orgânica e que apenas nessa semana será utilizada pela primeira vez pelo Sindicato de Servidores Públicos de Rio das Ostras. Seremos os próximos.

Sobre a repressão
Baseados na ausência de “permissão” para a manifestação a Guarda Municipal recebeu ordens de controlar o ato. Logo pela manhã, quando o primeiro manifestante chegou e armou uma barraca um Guarda lhe deu a ordem de retirar. Estando sozinho naquele momento, acatou sem maiores resistências. O grupo foi aumentando e a ocupação acontecendo fisicamente: colamos cartazes, montamos uma tenda para proteger os equipamentos e, como a praça central do nosso município não tem uma sombrinha sequer, ensaiamos armar uma lona para nos abrigar do sol. Há uma câmera da guarda municipal virada para a praça, que permite que toda a movimentação seja observada, e nesse momento em que abrimos a lona eles se sentiram no direito da repressão. Chegou um carro da GM com cerca de quatro homens e inicialmente o porta voz deles nos abordou com bastante agressividade. Exigiam que apontássemos um líder, um responsável pelo ato, ao qual respondemos sermos todos (esse posicionamento perturba muito a ação da guarda, que tem uma formação hierárquica pesada), sem anonimato mas sem um “chefe”. Alegaram que para a manifestação acontecer tínhamos que ter uma autorização da Secretaria de Turismo (!!!) ao que respondemos com o que diz a constituição: que temos garantido o direito de livre manifestação desde que seja pacífica, não seja anônima e não frustre outra manifestação que já esteja ocorrendo. Não era o caso. Conseguimos, além de mostrar que tínhamos embasamento para estar ali, fazer toda a negociação com calma e respeito, exigindo inclusive dos Guardas que nos tratassem com o mesmo respeito. A negociação foi bem sucedida: abrimos mão nesse momento da lona e de uma barraca, continuamos com a tenda, a aparelhagem e toda a programação do ato na praça. Continuar lendo

Manifesto por uma frente de esquerda no Rio de Janeiro

Unidade na luta: PSOL, PSTU e PCB!

A cidade do Rio de Janeiro vem passando por um processo de enormes transformações. Impulsionadas pelas necessidades de acumulação e reprodução do grande capital, enormes e vultosas obras estão alterando significativamente o espaço urbano e a vida dos habitantes da cidade. Levadas a cabo pelos governos municipal, estadual e federal, esses gigantescos empreendimentos, buscando “preparar” a malha urbana para os megaeventos dos anos futuros (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016), têm propiciado realizar um antigo objetivo das corporações imobiliárias: a remoção de milhares de famílias de trabalhadores de suas casas, alocando-as em localidades muito distantes de suas ocupações cotidianas e sem condições dignas de vida, isso quando não ocorre o puro despejo. A cidade está sendo saqueada e partilhada pelas corporações, vide o exemplo de Eike Batista nos bairros da Glória/Catete ou da TKCSA em Santa Cruz. A promiscuidade entre o capital e os governantes é cada vez mais explícita, como pôde ser verificado no recente acidente aéreo que revelou as ligações íntimas entre o governador Sérgio Cabral e grandes empresas contratadas por seu governo.

Na área da segurança, vigora uma política altamente repressiva dirigida aos setores populares. Se, em muitas favelas, com as UPPs, o poder bélico do tráfico vem sendo substituído por um não menos autoritário, coercitivo e corrupto poder policial (em uma espécie de Estado de sítio permanente, na qual direitos humanos e constitucionais dos moradores são suspensos e violados), no asfalto, o midiaticamente aclamado “choque de ordem” concentra suas atuações na repressão aos trabalhadores informais, os quais, em sua enorme maioria, dependem de suas migalhas diárias para dar o que comer aos seus filhos.

Na Saúde e na Educação, o quadro não é menos assustador. Precários vínculos de trabalho e salários baixos pagos aos servidores se combinam com péssimas condições de trabalho oferecidas pelo governo de Eduardo Paes, que delega a grandes empresas atribuições cada vez maiores nos serviços públicos. Em resumo, pode-se dizer que a aliança PT-PMDB (com o natural apoio do PC do B) aplica em âmbito municipal a mesma política do governo federal, voltada, sobretudo, para os interesses das grandes corporações financeiras, industriais e comerciais. Para além da propaganda oficial, a desigualdade social é crescente, os serviços públicos estão sendo drasticamente degradados, a violência é bárbara e nada parece dizer que a vida dos filhos da classe trabalhadora será melhor que a de seus pais. Continuar lendo

Manifestações espalham-se por 82 países

Roma registrou os maiores protestos contra o capitalismo, com 200 mil presentes, e houve confrontos com polícia

Inspirados pelo ‘Ocupe Wall Street’, atos chegam a 950 cidades; SP, Rio, Porto Alegre e Curitiba têm protestos

Max Rossi/Reuters
Itália: Manifestantes encapuzados atiram pedras e coquetéis molotov contra a polícia em Roma

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
De Wall Street para as ruas de 950 cidades de 82 países em todos os continentes.

Dezenas de milhares de manifestantes, inspirados pelo movimento que há quase um mês protesta contra a crise econômica mundial em Nova York, espalharam-se ontem pelo mundo ao pedir “união por uma mudança global”.
A maioria das manifestações foi pacífica, com exceção da Itália, onde 200 mil pessoas foram às ruas de Roma estimuladas também pela decisão do Parlamento, anteontem, de manter o premiê Silvio Berlusconi no poder.

Em Roma, vários carros foram incendiados e manifestantes encapuzados destruíram agências de bancos. A polícia tentou conter os protestos com gás lacrimogêneo. Cerca de 70 pessoas ficaram feridas, três com seriedade. Todos os museus da capital foram fechados.

Berlusconi disse que os autores da violência serão “identificados e punidos”. Em Nova York, onde tudo começou, 5.000 pessoas marcharam pelo distrito financeiro de Manhattan e ocuparam a Times Square. Ao menos 20 delas foram presas em um banco quando fechavam suas contas para protestar.
Sem agenda específica, a não ser uma crítica difusa ao grande capital, os manifestantes pelo mundo se organizam em grande medida por redes sociais como Facebook.

Além dos jovens dos EUA, tomam como modelo a Primavera Árabe e os “indignados” europeus. Ontem, Barcelona, na Espanha, um dos berços dos “indignados”, foi a segunda cidade que registrou mais manifestantes, 60 mil. Em Madri, a Porta do Sol recebeu mais de 40 mil pessoas.
Em Portugal, os manifestantes de Lisboa e Porto também somaram 40 mil. As alemãs Berlim e Frankfurt registraram passeatas com 5.000 participantes.

ASSANGE

Em Londres, os protestos reuniram 2.000 pessoas em frente à Catedral de St. Paul. Nas escadarias da igreja, um manifestante chamou especial atenção: Julian Assange, do site WikiLeaks.

Ovacionado pelo público, ele foi depois abordado por policiais que o obrigaram a tirar uma máscara que usava. Os protestos se espalharam ainda por Ásia, Austrália e África, mas em menor escala.

Em Tóquio, 200 manifestantes se reuniram em frente à Tokyo Electric Power, operadora da central atômica de Fukushima, epicentro da catástrofe nuclear de março.

No Brasil, São Paulo, Rio, Porto Alegre e Curitiba tiveram manifestações. Na capital paulista, 200 jovens armaram barracas no Vale do Anhangabaú para passar uma semana, mas o acampamento foi desmontado a pedido de guardas civis.

No Rio, 150 pessoas se reuniram na Cinelândia, exibindo faixas contra a corrupção.

Ocupe Wall Street: A resposta do povo!