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1º de Maio, Dia do Trabalhador – Queremos Direitos, Não Migalhas

Por Luciano da Silva Barboza e Jonathan Mendonça (Professores da rede municipal de ensino)

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Rio das Ostras é a cidade que mais cresce populacionalmente no país. Mas esse crescimento está longe de ser o mesmo que desenvolvimento e qualidade de vida. Nesse primeiro de maio @s trabalhadores de Rio das Ostras tem mais motivos para se lamentar (ou melhor, lutar) do que comemorar: quando chove as ruas ficam alagadas, falta saneamento básico, as cartas do correio não chegam de forma eficaz nas casas, a cidade só tem um cartório para atender uma população de 105 mil habitantes, o transporte da cidade não funciona adequadamente, ou seja, por tudo isso o dia a dia dos trabalhadores não é nada fácil!

Essa triste realidade tenta ser escondida pela Prefeitura atrás dos grandes shows que ocorrem, como os do aniversário da cidade, para que o povo esqueça das suas dificuldades diárias.

Em ano de eleição tem fartura!

Um estranho fenômeno está ocorrendo na cidade: obras para todos os lados, as crianças voltaram a receber material escolar gratuitamente… Por que nos 3 anos anteriores nada disso ocorreu e agora no último ano do governo esta acontecendo? AH, é ano de eleição! Nesses anos tudo funciona um pouco melhor, para depois da eleição o povo ser esquecido novamente. Estamos cansados de tanta enganação, queremos trabalho digno e uma cidade funcionando bem durante todos os anos!

Percebemos que no Brasil os ricos ficam cada vez mais ricos e o povo permanece na mesma situação precária. Mesmo sendo a sexta maior economia do mundo ocupamos a posição 84 no Índice de Desenvolvimento Humano.

O Brasil é um dos países mais injustos do mundo e Rio das Ostras não é diferente. Vejam vocês, enquanto algumas categorias receberam um acréscimo no salário de 100% (engenheiros, procuradores e arquitetos), os demais servidores tiveram aumento de 10% no ano passado. Não somos contra o aumento dos servidores em 100%, o que queremos é que todos tenham um aumento proporcional.

Privilégios para os amigos do prefeito!

Além da diferença de tratamento dos servidores municipais, o prefeito criou 4 secretarias totalmente inúteis: de Valorização do Ensino, de Gestão Pessoal, de Veículos Oficiais e de Transporte Urbano, que custará R$ 694.306,62. Esse caso é tão absurdo, que fez Rio das Ostras virar motivo de piada nacional, pois o jornalista da Band News FM, Ricardo Boechat, fez duras críticas contra o prefeito Carlos Augusto nesse triste episódio de desperdício de dinheiro público para entregar os cargos para seus aliados políticos nas vésperas das eleições municipais.

A lei que rege este governo é “Aos meus amigos todos os privilégios, aos servidores nem mesmo a lei”. Enquanto há um aumento de 25% dos salários dos secretários do governo os professores ainda exigem o cumprimento da Lei Federal nº 11.738/2008 que garante 1/3 da carga horária reservado para o planejamento de melhores aulas.

Aos trabalhadores nada…

Façamos ouvir a nossa voz!

Nem mesmo o direito de ir e vir das trabalhadoras e jovens está garantido, pois as ruas não possuem iluminação, existem muitos terrenos baldios com matos sem cortar, o que faz que a cidade tenha um número absurdo de estupros (que não são divulgados pela mídia local atrelada ao governo) e as mulheres fiquem com receio de sair de casa.

Não existe espaço para os trabalhadores falarem o que pensam, exemplo disso foi à implementação sem debate na categoria do Plano de Carreira dos servidores municipais. Somos a favor, mas queremos um plano que seja debatido com os trabalhadores para refletir suas necessidades. Se o governo não quer nos escutar, façamos que a nossa voz seja ouvida por todos nesse 1º de Maio.

O último ano do velho mundo, o primeiro do novo.

Por Renato Cinco

“Você pode dizer
Que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único”

John Lennon

2011 não foi um ano qualquer. Seja para a luta pela legalização da maconha, seja para a política em geral, este ano foi extraordinário. Este foi o ano em que a palavra Revolução voltou a povoar corações e mentes de muitos povos pelo globo a fora.

E tudo começou com um verdureiro de uma cidade do interior da Tunísia.

Mohamed Bouazizi tinha 26 anos, era camelô e estava cansado de dar propina para a polícia para poder trabalhar. No dia 17 de dezembro de 2010, recusou-se a pagar e teve suas mercadorias apreendidas. Ao se dirigir à sede do governo para reclamar seus direitos foi humilhado por uma funcionária municipal com um tapa e uma cusparada no rosto. Indignado, foi até um posto de gasolina, comprou combustível e no meio da rua tacou fogo em si mesmo. Esta foi a gota d’água para um povo que vivia há 23 anos sob uma ditadura e que vinha sofrendo nos últimos tempos com a inflação decorrente da crise global desde 2008.

Infelizmente Mohamed Bouazizi não resistiu aos ferimentos e morreu. Felizmente Zine El Abidine Ben Ali não resistiu à pressão popular e fugiu para a Arábia Saudita. O verdureiro derrubou a ditadura. Continuar lendo

Dar direção aos movimentos

Crescem os protestos contra as intoleráveis injustiças sofridas pelos povos em grande parte deste mundo. Na Espanha, na Itália, na Grécia e em Portugal surgem grandes manifestações, desencadeadas pelo brutal aumento dos sacrifícios exigidos dos já sacrificados, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu, a fim de beneficiar bancos europeus e estadunidenses.

Por Adriano Benayon

2. Experiência semelhante foi suportada, muitas vezes, por países latino-americanos. Entre eles o Brasil, que está menos distante do que imagina de mais uma crise nas contas externas, acompanhada de agravamento das já degradadas condições de vida da maioria de sua população.

protesto

O movimento Ocupar Wall Street queima cartões de crédito em forma de protesto contra o sistema econômico

3. Merecem atenção também as manifestações de resistência civil nos EUA e Reino Unido (Inglaterra), sedes da oligarquia financeira que comanda a tirania mundial. Especialmente, o Ocupar Wall Street aponta para o alvo correto: os grandes bancos internacionais, cujos controladores e associados dominam não só as finanças, mas também o petróleo, os armamentos, a grande mídia, a  indústria químico-farmacêutica etc.

4. Em suma: os concentradores do poder econômico-financeiro exercem absolutismo político cada vez maior, mandando nos governos “democráticos” eleitos pelo dinheiro e pela mídia. Esses não passam de gerentes da “democracia” e do cinismo que dá esse nome à tirania e que chama de liberdade a opressão, e de defesa de direitos humanos o genocídio cometido contra nações com armas de destruição de massa.

5. Se, em muitos países há alguma consciência da fonte do problema, no Brasil o povo parece anestesiado pelo ópio da TV enganadora.  Os governistas pintam tudo de cor de rosa, como se não houvesse razão para manifestações contrárias ao status quo, enquanto oposicionistas, ainda mais submissos ao império, tentam capitalizar o élan dos indignados com a corrupção. Continuar lendo