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Rio das Ostras: Transparente ou traz parente?

Por Jonathan Oliveira

Em Rio das Ostras confundem-se estes dois termos: “Transparente”* e “Traz parente”…

4 Novas Secretarias (inúteis) foram criadas na cidade no ano de eleição. Uma das novas Secretárias é a irmã do prefeito (não bastasse sua esposa ser Secretária de Bem Estar Social e o primo Secretário de Saúde).

Mas a “melhor” piada não é esta… o nome da secretaria é: “Secretaria de Valorização do Sistema de Ensino”. Agora entendo a expressão “Seria cômico se não fosse trágico”! Fui no Google e pesquisei entre aspas o termo. Foram 80 Resultados, TODOS sobre Rio das Ostras…! Não sei de que lugar mirabolante foi importada a ideia desta nova secretaria, mas ao que parece, nos outros lugares, a Secretaria de Educação deve (supostamente) cumprir a função de “valorizar o sistema de ensino”!

Que tal criarmos uma Secretaria de Valorização do Sistema de Saúde? E uma de Valorização do Sistema de Urbanismo…? e por aí vai… rs

Se você não ficou bastante “contente”, não deu altas “GARGALHADAS” pelo nome um tanto curioso da dita secretaria… veja só esta: “Secretaria Municipal de Gerência da Frota de Veículos Oficiais”… sobre esta não há muito o que falar… ela me recorda aquelas piadas as quais os nomes são muito mais engraçados que seu conteúdo. E neste caso, é exatamente isso…! (Fale o nome em voz alta três vezes sem respirar)!

aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!!

As outras secretarias tem nomes bem menos cômicos (mas intenção ainda duvidosa): Secretarias de Gestão de Pessoas e Secretaria de Transporte Público!

“Entrou por uma porta,

Saiu pela outra

E quem quiser

Que conte outra!”

Jonathan Oliveira é professor, poeta, sambista e militante do núcleo PSOL Serramar

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*Nota do Blogue: a nomeação dos quatro novos secretário de Governo saiu publicado em uma “edição especial” que não circulou na cidade, mas apenas no Gabinete do Prefeito, prática que já se tornou recorrente na atual administração. Entre uma semana e outra, apareceram os nomes dos quatro novos secretários na página 02 do Jornal Oficial da Prefeitura, sem qualquer ato administrativo de nomeação publicado no interior da publicação.

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Veja o que disse o jornalista Ricardo Boechat, da BandNews, sobre as quatro esdrúxulas novas secretarias da Prefeitura Municipal de Rio das Ostras?

 

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Fonte da imagem: Rio das Ostras Jornal

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O Eike Batista falou: a culpa é da vítima!

Por Léo Lince

Carros de Thor Batista após o atropelamento de Wanderson Pereira dos Santos

Sábado último, por volta das 19:30 horas, um ciclista foi atropelado e morto no km 101 da rodovia que liga o Rio a Petrópolis. Segundo estatística da Polícia Rodoviária, trata-se de tragédia comum naquele trecho de estrada. Wanderson Pereira dos Santos, como tantos outros, “morreu na contramão atrapalhando o tráfego”.

Quando a rodovia despeja a velocidade de suas máquinas no pandemônio que caracteriza as cercanias das grandes cidades, o modo de vida dominante abre as comportas letais da violência embutida em seu cotidiano. São ocasiões, os sinistros, nas quais a morte passeia rindo uma das suas bocas mais vorazes.

O caso em pauta, portanto, é parte integrante do absurdo que vai se tornando emblema da barbárie que nos envolve.  No entanto, o seu registro, tanto no noticiário quanto na consciência de quem o observa, será marcado por algumas particularidades. A razão é simples: envolve celebridades e, até por isso, exibe um agregado de outras violências, também reveladoras de feições distintas da mesma barbárie.

O atropelador foi um garoto de 20 anos, Thor Batista, filho da mais controversa celebridade do atual momento brasileiro. Vinha de um almoço em restaurante de luxo no alto da serra, tarde inteira de confraternização com amigos da sua idade. Como o pai, apaixonado pela velocidade, pilotava com desenvoltura uma máquina poderosa: a Mercedes SLR MacLarem, 626 cavalos de potência, que acelera de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos, chegando à velocidade máxima de 334km/h. Depois da descida da serra, na planura onde sempre se acelera, ele protagonizou a tragédia que pode lhe conceder o triste galardão do homicida.

O atropelado era um brasileiro comum, ajudante de caminhoneiro, 30 anos, morador nas redondezas da estrada. Segundo sua mãe de criação, ele construía uma casa a cinco minutos do local e sempre percorria aquele trecho de bicicleta.  Vinha de uma mercearia, onde comprara ovos e leite condensado para fazer um pudim em comemoração ao aniversário da mulher. Voltava para casa, como estava habituado, pelas margens da rodovia e no sentido contrário ao dos carros.  Morreu na hora e foi enterrado em cova rasa do cemitério de Xerém.

Passado o fato lutuoso, ao invés de guardar silêncio em respeito ao morto, o pai do atropelador resolveu disparar as matracas da arrogância. Declarou aos jornais que, ato contínuo ao desastre, ligou o seu “dispositivo pessoal de administração de crise”.   Na certa, um batalhão de seguranças, assessores de imprensa, advogados e que tais, todos muito bem aparelhados para servir aos desígnios do chefe. O objetivo, além de tirar o filho da encalacrada, é construir para o episódio uma versão favorável à sua imagem pública de grande benfeitor.

Eike e sua Mercedes na sala de sua mansão: a arrogância do maior capitalista brasileiro.

Em entrevista exclusiva para a colunista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo de 20 de março, a estratégia de combate está bem definida. A começar pela manchete em letras garrafais: “Imprudência de ciclista poderia ter matado meu filho, afirma Eike”.  Declarou que seu filho não bebe, foi exemplar, estava na velocidade permitida, tomou as providências devidas, enfim, razão de orgulho: “os seguranças do Thor me contaram o que tinha acontecido em detalhes”.  Esses mesmos seguranças é que devem ter tomados todas as demais providências, inclusive as relacionadas com a perícia em tempo recorde e de resultados até agora não divulgados.

A família (do morto) diz que o carro bateu de frente e que o coração do ciclista entrou no carro”, essa foi a mais terrível das perguntas feitas na entrevista em pauta.  A resposta dada não contesta o que foi afirmado, mas produz uma inversão reveladora da miséria moral do entrevistado: “A pessoa, quando bate em você, é que nem uma bala de revólver que entra pelo carro adentro. (…) O Thor está cheio de vidro. O corpo da pessoa foi parar entre o meu filho e o amigo. O triste é que as pessoas acham que a arma letal é o carro. Acontece que o pedestre, no lugar errado, se torna a arma letal para quem está dentro do carro”.

Faz lembrar um conto premonitório de Rubem Fonseca, “Passeio Noturno”, cujo personagem, também um vitorioso homem de negócios, tinha a obsessão por atropelar pedestres. A diferença é que o carro dele, um Jaguar preto, “ia de zero a cem quilômetros em nove segundos”.  Era menos potente do que o martelo de Thor.

Na sequência do inquérito aberto para investigar o caso, o jovem atropelador, acompanhado de um batalhão de seguranças e advogados, prestou depoimentos e, de acordo com o planejado no “dispositivo de administração de crise”, jurou inocência. O noticiário da televisão destacou as declarações de Thor e de seus advogados. Os familiares e o advogado do morto, infelizmente, não puderam ser ouvidos.  Pelo andar da carruagem, os jornais já noticiam que o filho de biliardário “pode nem ser indiciado no inquérito e o ciclista pode ser apontado como causador da própria morte”.  O Eike Batista falou: a culpa é da vítima.

Léo Lince é sociólogo

Se perseguem e criminalizam uma, perseguem e criminalizam todas nós.

Dep. Janira Rocha (PSOL/RJ) demonstra com sua luta o quanto as mulheres de esquerda incomodam os poderosos e corruptos desse país.

O ano de 2012 em nosso país iniciou com enfrentamentos importantes das mulheres e da classe trabalhadora, fosse na luta pela demarcação de terra dos indígenas, a luta pela moradia que teve sua expressão maior com a desocupação do Pinheirinho e agora as greves das PMs e bombeiros na Bahia e no Rio de Janeiro, em todas estas lutas as mulheres do PSOL foram parte ativa na solidariedade de classe ou na intervenção concreta dos processos.

Em todos estes processos de luta a grande mídia, em especial a Rede Globo, cumpriu um papel nefasto em desinformar e ganhar ideologicamente a sociedade brasileira para a criminalização e repressão aos movimentos sociais, o ápice disso aconteceu na semana passada quando se veiculou em um dos jornais da Rede Globo a conversa entre a deputada estadual Janira Rocha (PSOL-RJ) e Cabo Daciolo, uma das principais direções do movimento dos bombeiros do Rio de Janeiro. O celular da companheira Janira Rocha havia sido grampeado, violando a imunidade parlamentar que ela tinha direito, este monitoramento das direções de movimentos sociais e parlamentares da esquerda era prática adotada pela ditadura militar e que hoje vemos esta prática ser retomada paulatinamente pelos governos municipais, estaduais e federal. Continuar lendo